BIRCAT ERUSSIN OU QIDUCHIN:
Barukh Atá Adonai, Elohênu Mêlekh ha-'Olam,
acher qidechánu bemitsvotav, vehivdilánu min ha'araiôt,
veassar lánu et ha-arussôt, vehitir lánu
et ha-nessuôt 'al
iedê ĥupá veqiduchin!
Barukh Atá Adonái,
meqadech Israel.
(v. original hebraico)
Em seguida a esta bênção
o noivo dá algo à noiva que tenha o valor de uma moeda (perutá),
e costuma-se dar algo mais caro, sendo a perutá apenas valor mínimo.
Nas últimas gerações tornara-se costume
por influência gentílica ocidental
o dar um anel, e nada há de mal nisto, senão quando inventam
os costumes "de acordo com a cabalá", como por exemplo,
o anel quadrado que leva em seu interior a letra hê, simbolismo do "lado feminino de Deus",
enquanto que o dedo, por assemelhar-se à letra "waw", simboliza o "lado masculino de Deus".
Assim como no corpo feminino há dois orifícios, assim também a letra "hê",
e a letra "waw" por seu lado, assemelha-se ao órgão masculino. Seria este o acasalamento de
Ze'er Anpin e núqba, o casamento de um deus hermafrodita.
O temente a Deus afastar-se á destas vesânias e assimilações do que é Infinito ao finito,
por seus instintos naturais.
(Bendito és Tu, Adonai, nosso Deus, Rei do Universo,
que nos santificaste com teus mandamentos, e nos separaste dos relacionamentos proibidos,
proibindo-nos as arussôt, e permitindo-nos as nessuôt através de ĥupá e qiduchin!)
O costume generalizado é bendizer esta bênção acompanhando-a
da bênção sobre o vinho. Se não tem vinho,
ela pode ser feita sozinha.
Pormenores importantes acerca do conúbio judaico:
Na atualidade, quando muitos costumes foram assimilados
pelos judeus em suas cerimônias de casamentos,
apesar deste ser ainda "algo diferente" para o espectador
não judeu, devemos aqui lembrar dois pormenores:
primeiramente, que nossa meta é trazer ao judeu
hodierno o que realmente é o judaísmo,
conforme foi praticado por seus pais
a menos que mil anos atrás na Península Ibérica,
e a dois mil anos atrás por todos os judeus de todo o mundo,
esclarecendo à medida que possamos
os pormenores que sabemos nada ter em comum com os judeus.
Primeiramente, enumeramos estes, para facilitar a
consideração dos mesmos e a compreensão.
- O "noivado" (cogominado "erussin"):
não é o que o Talmud chama de
"erussin", e tal noivado não existe
no Talmud. Foi "copiado" dos
costumes gentílicos ocidentais,
a "vestido" com o nome de "erussin". "Erussin"
e "Qiduchin" é o mesmo no Talmud,
e este era feito algum tempo antes do que
é chamado "nissuin" (geralmente, um ano antes).
"Nissuin" é, na realidade, a consumação
do ato de "qiduchin", que é o casamento,
mas no qual a noiva permanece proibida para seu esposo,
alé de para outros homens.
Se optarem por não efetuar, por qualquer eventualidade,
o ato final (nissuin), necessitam
"get". O noivo e a noiva comprometidos
por "erussin" são, portanto,
marido e mulher em todos os sentidos,
exceptuando-se apenas
a vida conjugal. Qualquer caso de relacionamento
sexual com uma moça que efetuara o ato chamado
"erussin", exatamente por esta razão, pode incorrer
em pena de morte por julgamento e/ou
"carêt".
- A roupagem branca (véu): nada tem a ver com os judeus.
É esse costume tipicamente ocidental,
e pré cristão. O gentio ocidental
vê no sexo algo profano,
sendo a virgem considerada
"pura", sem "mácula". Ainda em nossos dias
alguns idiomas ocidentais,
como por exemplo o inglês,
apesar de terem em seu vocabulário
a palavra "virgin", preferem usar na conversão
comum o termo "pure". Ao dizerem "she's pure!",
querem dizer: "She's a virgin!".
A roupa branca da noiva no
momento da consagração do conúbio,
vem indicar esta "pureza" a ser profanada.
Para o judaísmo genuíno, esta forma de
pensar (e, quanto mais de agir!) é algo que não tem
razão de ser, sendo até mesmo uma causa de pejo.
É claro que a noiva judia vestia-se com
roupas especiais, mas isto variava de lugar para
lugar, e era geralmente roupas enfeitadas com ouro
e jóias, como pode ser constado em roupas de noivas
de judeus do Iêmen ou do Marrocos, e demais judeus
orientais e da África Setentrional.
O relacionamento sexual dentro dos planos
da Lei Hebraica é para o
judeu algo tão santo, assim como o instinto
sexual em si, pois são os meios para que
a criação da homem criado à
imagem de Deus permaneça em existência,
tanto que uma das três principais
obrigações
do homem hebreu é a satisfação feminina,
com a qual se compromete na noite das núpcias
por documento, uma das razões pela qual os sefarditas
originalmente não admitiam que
esta fosse lida em público, como é costumeiro
na atualidade. Apesar de a maioria
não entender o que escutam,
por tratar-se de um documento redigido em
aramaico, é sabido aos que estudam Torá,
ou a alguns mais dos presentes. Sendo algo pessoal
entre o noivo e a noiva, esta leitura do
documento
é outro "costume"
que deveria ser desarraigado.
- A quebra da taça nas núpcias:
antigo costume do paganismo
europeu pré-cristão,
para o qual o judaísmo europeu
e seus principais representantes
encontraram fonte no
Talmud em determinado acontecimento.
Não há no Talmud
nenhuma ordem ou preceito de
que se quebre uma taça
na cerimônia do casamento.
Os gentios europeus,
porém, faziam-no,
em alusão ao rompimento do hímen
na noite de núpcias pelo homem.
A história trazida no Talmud, conforme já
explanado, nada tem a ver com isso,
e vamos relatá-la aqui,
para que entenda o leitor a verdadeira conexão.
Hilel, um dos amoraím tardios,
ao perceber que o público em determinada
cerimônia de casamento na qual estava presente
se faziam cada vez mais
frívolos, não muito tempo após o Templo
e Jerusalém haverem sido destruídos em chamas,
tomara em suas mãos uma taça de cristal caríssima,
e lançara-a contra a parede, estilhaçando-a em
pedacinhos. O povo, ao ver aquilo,
não entendera como alguém podia tomar
um objeto tão bonito e tão caro,
e destruí-lo assim aos olhos de todos,
sem mais nem menos, no momento de sua maior alegria.
Então, este lhes dissera
que sobre isto eles sentiram, e acordaram-se de seu sono
frívolo, mas concernente ao que
há de mais caro para o povo judeu,
Jerusalém e o Santuário,
não sentiam o mesmo, conforme demonstraram.
Quanto à determinação da Lei Judaica,
algo que ultimamente só é conservado
pelos judeus do Iêmen, o noivo deve colocar
em sua cabeça no lugar onde põe os
tefilin um pouco de cinza,
como comprovante e memorização do que
se passara com nosso Santuário,
e como sinal de luto pelo Templo,
mesmo em nossas maiores alegrias.
A cinza na cabeça como sinal de tristeza é
lembrada na Bíblia. Não há lembrança
alguma de "quebrar uma taça" como lembrança
do Templo, nem no Talmud, nem nos gueonim babilônios.
- A "khina", com a qual algumas comunidades sefarditas
costumam pintar as mãos da noiva,
como sinal de boa sorte na vida marital:
não somente não há permissão para
que tenhamos ações ou coisas que nos indiquem
"sinal de boa sorte" para o futuro, senão
trata-se de um costume pré-islâmico praticado
por algumas tribos berberes, pelo que o judeu que realmente
crê em Deus e na Sagrada Torá, por mais que saiba
que seus pais, avós, bisavós e mais fizeram
esse costume, devem abandoná-lo. Esperamos que os rabinos
marroquinos, tunisianos, argelianos e egípcios entendam,
admitam que jamais houve entre nós o manter costumes
exteriores como se fosse lei, nem mesmo sendo anteriores ao
Chulĥan 'Arukh, e auxiliem a trazer de volta o povo à
Torá de verdade, mesmo que seja difícil o trabalho,
e mesmo que seja dolorido aos prórios rabinos
por motivos sentimentais ou outros.
- A "Ĥupá": Em nossos dias, os asquenazitas levantam
sobre quatro colunas uma cobertura de veludo, ceda ou
semelhantes, onde devem estar os noivos no momento
da celebração. Os
sefarditas, levantam um talit por seus quatro cantos.
Cada pessoa segura um canto sobre o noivo, e somente após
o rabino oficiante começa a proferir as bênçãos.
Onde está a origem do costume de fazer algo assim, não se sabe,
menos ainda desde quando começaram os judeus a chamar isto de
"ĥupá", que na verdade é a casa do noivo, e o quarto
do casal por excelência. Após proferir as bênçãos,
o noivo e a noiva entram para o quarto, ou para sua casa, caso hajam feito o
casamento no quintal, ao ar livre, como prefere a maioria em nossos dias, dizendo na
porta, antes de fechá-la sobre os presentes,
a última bênçãol.
Isto é a ĥupá, e somente
na casa do noivo, onde o casal vai viver,
pode-se fazer o casamento.
- As bênçãos: em nossos dias,
o rabino oficiante profere todas as bênçãos,
o que é um erro. Se fizessem isto para um noivo que não conhece
o hebraico, ou que tem dificuldade com a leitura, entenda-se. Mas, em quanto a
estender isto a todos os jovens, é, errôneo, tirando do noivo algo que
somente a ele lhe pertence. É normal em nossos dias que o noivo "honre" aos
demais com as bênçãos, principalmente em caso de ser
aluno de iechivá e ter vários instrutores. Mas, também isto é errado.
Tais professores (rabinos) já se casaram há tempo, e já tiveram o mérito
de dizer suas próprias bênçãos.
Deve-se devolver as coisas a seus verdadeiros lugares, antes que se esqueçam e
se percam. O gaon de Vilna, rabi Eliahu Ĥassid,
cuidava e advertia que os noivos proferissem todas suas
bênçãos, sem honrar a ninguêm com elas, a não ser a Deus.