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Em nosso cap.
temos:
"Deĥuiá hi chabat etsel sacanat nefachot..."
(*),
e pergunta-se se o termo
"deĥuiá"
usado aqui tem o mesmo sentido do que é
usado em concernência a tumá (impureza),
onde encontramos a discussão
entre os amoraím no Talmud no Trat.
Iomá,
os quais discutem também
sobre qual a posição dos tanaím acerca do problema,
como no Trat.
Pessaĥim, por exemplo
se é "tumá (*) deĥuiá betsibur",
ou se "tumá
(*) hutrá betsibur". Devido ao fato de o termo usado ser o mesmo, e o trazido com o
caso pertinente à impureza ser tal, pergunta-se acerca do sentido em ambos, se é também igual.
Apesar de a questão ter suas raízes no uso do termo no
próprio Talmud, a pergunta aqui é mais especificamente sobre o
posicionamento de Maimônides com respeito ao uso em si,
pois a partir do momento que opina segundo quem afirma no
Talmud que é "tumá deĥuiá betsibur",
então subentende-se que se diz "deĥuiá hi chabat etsel sacanat nefachôt",
pode ser que signifique isto que pretende que o termo é usado identicamente. Mas, apesar de provável,
não é certeza que possa-se afirmar isto. Mas, se tomarmos esta probalidade como
real, nos perguntamos então se não seria mais correto dizer
"hutrá chabat etsel sacanat nefachôt", caso não seja propriamente o que quiz dizer,
se é que quiz.
Encontramos que Maimônides admite como fato que
"tumá deĥuiá betsibur", e cabe-nos entender o
que significa, pois ambos os termos à primeira vista
parecem o mesmo para a pessoa que não é acostumado
com o linguajar exato e conciso dos Sábios do Talmud.
Se dizemos "Tumá hutrá betsibur", significa que
em nossos dias,quando todo o povo judeu, incluindo os
cohanim responsáveis pelo trabalho no Templo
(os sacrifícios, as ofertas, etc.),acham-se impuros,
os sacrifícios que são públicos - e somente eles -
podem ser feitos mesmo em impureza. Inclui-se neles
o
Pêssaĥ e
ĥagigá.
O mesmo se dá com a própria
reconstrução do Templo. Na verdade, é necessário que
estejam os construtores aptos para a reconstrução, achando-se
em estado de pureza, e que sejam de preferência
cohanim os construtores. Em caso de não acharem-se
pessoas em estado de pureza total,
os impuros devem reconstruí-lo.
Outrossim, não significa isto que não se
deva fazer nenhum esforço para encontrar pessoas
que se achem
puras. E, aqui especialmente encontra-se a diferença, pois caso digamos que é "tumá deĥuiá betsibur",
então é que somos obrigados a buscar todos os meios para que tudo seja feito da melhor forma
possível, entretanto, evitar sempre que possível que o que for feito o seja em situação de impureza.
Se, porém dizemos que "tumá hutrá betsibur", então não é necessário esforçar-se para
evitá-la, e tudo pode ser feito a priori estando todos impuros, e mesmo que houverem alguns que estejam puros.
Contudo, com o chabat vemos que deve-se buscar meios de empeçar toda a profanação
mesmo no menor caso de dúvida, e pelos maiorais de Israel. Nem mesmo esperar até o anoitecer
no caso de haver sido diagnosticado o doente no próprio chabat,
não se pode.
Portanto, deveríamos dizer "hutrá", e não
"deĥuiá".
Por outro lado, também vemos que se puder evitar uma profanação a mais,
com no caso de um galho de figos com três, e outros dois galhos com dois, deve-se colher do
galho que contém três para colher uma só vez, e evitar uma profanação
desnecessária. Então vemos que não se pode dizer "hutrá"
neste caso, senão "deĥuiá", pois equipara-se ao sermos obrigados a evitar o
trabalho do Templo ou de sua construção em estado de impureza em todo caso no qual possa ser
feito com pureza.
Mas quando nos deparamos com o caso de circuncisão no chabat,
percebemos que "hutrá chabat etsel milá", pois esta pode e deve ser feita, caso seja
no tempo certo (dia oitavo do nascimento), mesmo no chabat, e tudo é permitido para efetuar a mesma.
Temos então um novo problema: a linguagem de
Maimônides é ali "milá bizmanah doĥá et ha-chabat..."
ou seja: é "deĥuiá".
E, assim vemos que na continuação da halakhá,
diz que deve-se evitar profanações desnecessárias.
Ao vermos, porém, o uso do termo com respeito à circuncisão,
entendemos que não há como dizer "hutrá chabat",
senão
"hutar ĥilul chabat lemitsvá messuiêmet". O termo "deĥuiá" vem então
para em lugar do uso de algo um tanto grosseiro, pois não há como dizer
que "a profanação do chabat foi permitida",
senão que é vida do que guarda e guardará o chabat mais importante.
Então entendemos que para isto
o chabat "foi posto de lado", para que "vivamos pelos preceitos"
(Lv 18:5)
e não para
que sejam causa de mortandade entre os filhos de Israel. Isto, porquê
a Torá é misericórdia, e não vingança ou perversidade.
- (v. Morê ha-Nevokhim, terceira divisão, a partir do capítulo 31).
O termo, portanto, é o mesmo tanto com respeito à circuncisão,
como com concernência às enfermidades de alta periculosidade,
ou casos similares que possam levar à morte. E, não se pode dizer que é
totalmente similar o uso do termo aqui ao uso do mesmo no caso de "tumá betsibur"
apesar da inane semelhança.
De qualquer modo, "tumá deĥuiá hi batsibur, velô hutrá"!
("A impureza é posta de lado no que concerne ao público, e não permitida!"),
e o mesmo se diz com concernência ao chabat.
R. J. de Oliveira
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