Todo o Michnê Torá | Voltar | Glossário
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Capítulo 1

Importante: Quase todo lugar onde aparecer nota em forma de "script", tratar-se-á também de um "link". Se quiser melhor esclarecimento deve apertar, para melhor compreensão. Devido a serem as leis do chabat um pouco mais complicadas em comparação com as estudadas nos livros anteriores, procuramos esclarecer melhor ao estudante por todos os meios possíveis.

01 O descanso de trabalho no sétimo [dia] é um preceito positivo, conforme está escrito: "...e, no sétimo dia, descansarás..." - Ex 34:21. Todo o que nele executar alguma obra, acha-se em anulação do cumprimento de um preceito positivo, e em transgressão de um preceito negativo, que está dito: "...Não fareis todo trabalho..." - (Ex 20:9; Dt 5:13). Em que incorre, em caso de realização de trabalho [proibido]? - se fez por sua própria vontade, intencionalmente, incorre em carêt. Se em presença de testemunhas, e após hatraá, incorre em seqilá. Se transgredir inintencionalmente, incorre na obrigação de [imolar] sacrifício ĥatát qevu'á.

02 Todo lugar nas leis pertinentes à observância do chabat onde se disser que a pessoa que fizer tal coisa ĥaiav, significa: incorre em carêt. Perante testemunhas e com hatraá, incorre em seqilá. Se foi inintencional, em imolação de ĥatát qevu'á.

03 E, todo lugar no qual dissermos que quem fizer isto é "patur", é isento do carêt, da seqilá, e da imolação sacrificial, mas é proibido fazer isto no chabat. Sua proibição neste caso é por "divrê soferim", para um distanciamento do trabalho [proibido pela Torá]. Quanto ao que transgredir isto por intenção, incorre em penalidade de macat mardut.

04 Todo lugar no qual esteja escrito que "é permitido fazer assim e assim", significa que é permitido a priori fazer tal coisa. Assim também, todo lugar onde estiver dito que "não incorre em nada", ou "é isento de tudo", não se castiga de forma alguma.

05 Coisas (*) que no chabat são permitidas, mas no momento do feitio de tais coisas, pode ser que algo proibitivo seja feito, e pode ser que não: se não teve intenção para tal ação, isto é permitido. Como assim? - pode-se puxar uma cama ou uma cadeira, ou um grande armário, e semelhantes no chabat, desde que não haja intenção de cavar um sulco no chão ao puxar. Portanto, se cavar o solo, não [é necessário que] se incomode por isto, pois não teve intenção. Também, pode-se andar por sobre a relva no chabat, desde que não tenha intenção de desarraigar. Portanto, caso se desenraiguem, não se faz mister que se incomode. Similarmente, pode-se lavar as mãos com pó de frutas e similares, desde que não tenha intenção de depilar-se.

06 Caso executar alguma ação (*) por cuja causa seja efetuada outra ação proibitiva com certeza absoluta, mesmo que não tiver intenção que tal ocorra, ĥaiav, por ser óbvio que não há possibilidade que tal ação proibitiva não seria feita [senão por ocasião da primeira]. Como assim? - por exemplo, se precisar de um cabeça de ave para fazer brinquedo para uma criança, e decepá-la no chabat, mesmo que não seja sua intenção final somente a morte da ave, ĥaiav, pois é óbvio que não há como decepar a cabeça de um ser vivo senão causando-lhe a morte. Assim, tudo o que a isto se assemelhe.

07 Todo o que fizer alguma ação (*) no chabat - mesmo que não tenha necessidade da ação em si - é ĥaiav por causa dela. Como assim? se apagar uma vela por que precisa do óleo, para que não se perca, ou para que não se queime o utensílio onde costuma colocar a vela, ĥaiav, pois o apagar é uma melakhá, e a pessoa tem intenção de apagar, mesmo que não necessite exatamente da ação de apagar, senão apaga somente por necessitar o óleo ou o utensílio, ou o pavio, mesmo assim, ĥaiav. Do mesmo modo, se transportar um espinho no rechut ha-rabim por quatro amôt - ou apagar uma brasa - para evitar que o público não seja prejudicado por eles, ĥaiav: mesmo sem ter necessidade do ato de apagar em si, ou do ato de transportar, senão [unicamente] a intenção de distanciar o prejuízo. Assim, tudo o que a isto se assemelhe.

08 Todo o que pretende efetuar uma ação devido à qual ocorra para si uma outra sobre a qual não tinha intenção, é patur, por não haver-se realizado seu pensamento. Como assim? Se atirar uma pedra ou uma flecha em uma pessoa ou em algum animal, no intuito de matá-los, e desarraigar uma árvore ao andar, e não matar, é este patur. Quanto mais se pretender transgredir uma proibição leve e ocorrera [por seu intermédio] uma proibição pesada, como por exemplo se pretender atirar à carmelit, e passou a pedra ao rechut ha-rabim, que é patur. Assim, tudo o que a isto se asselhe. Se pretender fazer o permitido, e ocorrer-lhe a ação proibida, por exemplo: pretende cortar o [fruto ou similar já previamente] colhido, e cortou o que está ligado [à árvore ou similar], não é ĥaiav por nada. Assim, tudo que for semelhante a este caso.

09 Pretendia colher figos pretos, e colheu brancos, ou pretendia colher uvas e em seguida figos, e dera-se o contrário, colhendo antes os figos e em seguida as uvas, é patur, mesmo que haja colhido tudo o que planejara. Por não haver feito conforme pensara, é patur, pois a Torá não proibira senão a ação derivada do pensamento, e este acha-se como se estivesse ocupando-se por fazê-lo casualmente, pois não percebeu no momento da ação que transgredira seu próprio pensamento.

10 Havendo perante si duas velas acesas, ou apagadas, e pretendia apagar uma e apagou a outra, ou acender uma e acendeu a outra, ĥaiav, pois efetuou a classe de ação que pensou efetuar. A que isto se assemelha? - a quem pretendia colher certo figo e colheu outro, ou a quem pretendia matar determinado ente, e matara a outro: fizera a ação que pensou fazer.

11 Mas, caso pensava apagar a primeira e apagar a segunda após acendê-la, e fizera o contrário, apagando a primeira e acendendo a segunda - é patur. Se apagar uma e acender a outra de uma vez só, é ĥaiav, pois mesmo que não haja adiantado a ação de acender, tampouco atrasou-a, fazendo ambas a um só tempo, e portanto, ĥaiav. Assim, tudo o que for semelhante. Quanto a todo o que fizer alguma ação proibida por acaso, sem ter intenção alguma, é patur.

12 Todo o que tem intenção de fazer determinada ação (*), e ocorrer que tal foi feita a mais do que desejava, é ĥaiav; a menos do que desejava, é patur (**) Como assim? - por exemplo, pretendia tirar uma carga por trás de si, e veio-lhe [a carga] por diante, é ĥaiav, pois pretendia um cuidado maior em sua segurança [do objeto], e dera-se uma menor segurança. Por diante de si, e esta veio-lhe por trás, patur, porquê pretendia uma melhor segurança, e dera-se uma pior. Assim, tudo o que se assemelhe.

13 Se estiver vestido com um sinar, e lançar sua carga entre sua carne e sua túnica, tanto faz se veio-lhe a carga para trás de si, como por diante, é ĥaiav, pois é costumeiro que volte-se de um para o outro lado.

14 Todo o que pensava fazer determinada ação no chabat, e começou-a, e fez segundo a medida proibida, é ĥaiav, mesmo sem havê-la completado. Como assim? - por exemplo, se pretendia escrever uma carta, ou uma nota no chabat, não se diz que não será ĥaiav enquanto não terminar o que pretende, de escrever a carta ou a nota: desde que escreva duas letras, é ĥaiav. O mesmo se pretendia tecer uma roupa toda: desde que faça o tecido de dois fios, é ĥaiav, mesmo que sua intenção seja completar. Após haver feito conforme a medida e com intenção, é ĥaiav.

15 Toda ação que uma pessoa só tem a capacidade de fazê-la, se duas pessoas fizerem-na em conjunto, seja quando um fizer um pouco e o outro outro pouco, como no caso de tirar um deles um objeto de um setor e colocá-lo em outro o segundo, seja fazendo-o isocronamente, desde o princípio até o final, como quando ambos pegam uma pena e escrevem, ou pegaram um pão e transferiram-no [desde o rechut ha-iaĥid] até o rechut ha-rabim. Ambos são peturim.

16 Mas, se apenas um deles sozinho não é capaz de fazer até que se juntem, por exemplo: no caso de dois que erguerem uma viga e depositarem-na no rechut ha-rabim: já que um deles não poderia fazê-lo por si só, e fizeram-no em conjunto [por isto], ambos são ĥaiavim, sendo a medida única para ambos. Se, porém, um deles era capaz de tirá-la sozinho, e o segundo não, e fizeram-no em conjunto, este que podia fazer só é ĥaiav. O segundo é [apenas] ajudante, e ajudante né passível de nada. Assim, tudo o que se assemelhe.

17 Todos os estragos são peturim. Como assim? - se golpeou alguém ou um animal por intenção perniciosa, rasgar ou queimar roupas, quebrar utensílios com intenção perniciosa, é patur. Cavou um buraco e não precisa senão da terra, fez um estrago, pelo que é é patur. Mesmo que haja feito uma ação proibida, por ser sua intenção estragar, é patur.

18 Todo o que estraga com a intenção de consertar, é ĥaiav. Como assim? - por exemplo, destruiu algo para reconstruí-lo em seu lugar, ou apagou para escrever no local onde apagou, ou fez um buraco para construir nele alicerces, e tudo o que assim for, é ĥaiav. Quanto à medida [de cada caso], é conforme a medida de conserto [para incorrer em penalidade].

19 Todo o que fizer alguma ação no chabat na qual uma parte foi sem intenção, e outra foi intencional, seja que foi intencional no princípio, e no final não, ou inintencional no princípio, e no final tornou-se intencional, é patur, até que chegue a fazer toda a ação intencionalmente desde seu princípio, após o que incorrerá em penalidade de carêt ou seqilá, ou faça inintencionalmente desde seu princípio até seu final, e então estará incorrendo em obrigação de imolar sacrifício ĥatát qevu'á.

Capítulo 2

01 O preceito do chabat é menos importante em casos de periculosidade vital, como todos os demais preceitos. Portanto, por todo doente que encontre-se em perigo [vital] faz-se tudo o que lhe for mister no chabat, de acordo com o prescrito pelo médico do lugar. Em caso de dúvida se é necessário profanar por ele o chabat, ou se não é necessário, e assim também se um médico disser que deve-se profanar o chabat por ele, e outro disser que não é necessário, profana-se o chabat, pois dúvida de perigo vital é mais importante que o chabat.

02 Se foi verificado [pelo médico] no dia do chabat, e decidira-se que necessita de determinado tratamento por oito dias, não pode-se dizer: " - Esperemos até o anoitecer, para que não tenhamos que profanar dois chabatôt!", senão principiar [a profanar por ele] o mesmo dia [no qual o tratamento fora determinado], que é chabat. E, profana-se por ele até mesmo cem chabatôt. Enquanto ele precisar, estando em perigo, profana-se o chabat: acende-se-lhe uma vela, apaga-se a vela de diante dele, pode-se abater [animais ou aves], panificar e cozinhar para ele, esquentar para ele água, tanto para beber como para o banho de seu corpo. Regra geral [neste assunto]: chabat é para um doente que encontra-se em situação periculosa como qualquer dia semanal em tudo o que concerne às necessidades que lhe são próprias.

03 O fazer estas coisas não deve ser por meio de gentios, nem por meio de crianças, nem por intermédio de escravos ou de mulheres, para que não lhes seja o chabat algo simplório, senão por meio dos maiorais de Israel e de seus sábios. E, nem se ensina as mulheres a fazerem estas coisas. É proibido hesitar em concernência à profanação do chabat em caso de periculosidade vital, pois está escrito: "...que fará o homem, e viverá por eles..." - Lv 18:5, e não que morra por eles. Disto aprendes que os juízos da Torá não são vingança no mundo, senão piedade bondade e paz para o mundo. Quanto a estes minim que dizem ser profanação e, portanto, proibido, sobre eles diz o escrito: "Também lhes dei estatutos que não eram bons, e ordenanças pelas quais não poderiam viver..." - Ez 20:25.

04 A pessoa que sentir [problema] em seus olhos - em caso que haja em ambos ou em um deles remela, ou correm-lhe as lágrimas de tanta dor, ou em que haja sangue derramando-se deles, ou em que estiverem [seus olhos] febris, ou semelhantes a estes casos de enfermidade - inclui-se tal pessoa entre os doentes nos quais há perigo vital. Profana-se por ela o chabat, e faz-se para ela tudo o que for preciso por necessidade medicinal [no chabat].

05 Todo o que houver nele algum golpe interior em seu corpo dos lábios para dentro - seja na boca, nos intestinos, no fígado, no baço ou em qualquer órgão interior - é um doente no qual há periculosidade vital. Não é preciso que um médico determine, pois trata-se de enfermidade grave. Portanto, imediatamente profana-se por este o chabat sem determinação médica. Golpe na parte exterior do braço (*) ou da perna é equivalente ao golpe interior do corpo, pelo que não necessita uma declaração médica, e deve-se profanar o chabat [nestes casos]. A febre que faz arrepiar o corpo é como um golpe interior, e profana-se o chabat. Assim, tudo o que os médicos disserem que há nisto periculosidade, mesmo que seja na epiderme, profana-se o chabat segundo determinado por médicos.

06 Alguém que haja engolido uma sanguessuga, deve-se esquentar para ele no chabat e preparar-lhe tudo o que for necessidade medicinal, pois é perigo vitalíceo. Do mesmo modo, alguém que haja sido mordido por um cão raivoso, ou por um dos répteis que matam, mesmo que haja dúvida se causam a morte ou não, deve-se fazer tudo o que for-lhe medicinalmente necessário no chabat, para o salvar.

07 Se um doente precisar de dois figos passos por declaração de um médico, e apressaram-se dez pessoas para trazer-lhe, e trouxeram dez figos passos a uma vez, todos estão peturim mikelum. E, mesmo que todos hajam trazido um após o outro, e mesmo que ao chegarem já se haja curado, pois todos trouxeram dentro do limite da permissividade.

08 Se o doente necessitar dois figos, e não forem achados senão dois figos em dois ramos [separados], e três figos em um único ramo - deve-se cortar o ramo no qual hajam três, mesmo que não seja necessário mais que dois, para evitar o aumento da realização da colheita: corta-se um ramo, e não dois, e assim tudo o que se assemelhe.

09 Se cozinhar para um doente no chabat, e comer o doente e sobejar, é proibido para uma pessoa sadia comer do resto (*), por decreto que evita que venha a por um pouco mais a cozinhar para si próprio. Mas se degolar [algum animal ou ave] no chabat, é permitido que coma da carne ainda crua uma pessoa sã, pois não há nisto aumento [no que concerne à ação proibitiva] para que possa-se dizer "que não aumente para si".

10 Quanto ao doente que não encontra-se em perigo vital, todas suas necessidades são feitas por intermédio de um gentio. Como assim? - diz-se ao gentio que faça para ele, e ele faz: para cozinhar para ele e panificar, que traga o remédio de um recinto para outro (*), e tudo o que se assemelhe a estes. Também podem ser suas pálpebras pintadas com sombra por um gentio no chabat, mesmo não havendo nisto periculosidade. E, se forem tais coisas [como o pintar da sombra] parte das necessidades [concernentes à enfermidade], isto pode ser feito mesmo por um judeu. Portanto, pode-se levantar-lhe as orelhas, erguer-lhe o esôfago no chabat, bem como colocar de volta o osso fraturado em seu devido lugar. Tudo o que a isto se assemelhe, é permitido.

11 A parturiente, no momento em que se dobra para o parto, é uma pessoa que acha-se em periculosidade vital. Deve-se profanar por ela o chabat, chamar-lhe uma parteira de um lugar para outro, cortar o cordão umbilical, e amarrá-lo. Se precisar de uma vela no momento em que grita por suas dores, deve-se acender para ela uma vela, e mesmo que ela seja cega, pois sua tranquilidade se lhe torna com o acender da vela, mesmo que não possa ver. Caso necessite óleo, ou tudo o que se assemelhe, deve-se trazer-lhe. Tudo, porém, que possa ser feito mudando na ação do portar, deve-se fazer ao trazer, como por exemplo, que traga-lhe a amiga um utensílio preso ao cabelo. Se, porém, não for possível mudar, deve trazer normalmente.

12 Não se faz parto de uma mulher gentílica no chabat, nem mesmo por estipêndio, e nem mesmo por temer a inimizade, e mesmo que não haja profanação [do chabat]. Mas, pode-se efetuar o parto de uma filha de ger tochav, pois somos ordenados a fazê-los viver. Mas, não pode-se profanar por ela o chabat.

13 A parturiente, desde que o sangue comece a escorrer até o parto, e após o parto até três dias, profana-se por ela o chabat, e faz-se tudo o que precise, seja havendo ela dito que necessita que o façam por ela, ou haja dito que não precisa. Desde o terceiro dia até o sétimo - se disser que que não precisa, não profana-se o chabat - e, se calar-se, e é desnecessário dizer se declarar que precisa, profana-se o chabat por ela. Desde o sétimo dia até o trigésimo, é ela como um enfermo que não corre perigo vital e mesmo que diga que precisa, nada se faz, a não ser por intermédio de um gentio.

14 Pode-se acender uma fogueira para que se aqueça a parturiente, e mesmo no verão, pois o frio é demasiado difícil de suportar para a parturiente nos locais frios. Mas não se acende (*) uma fogueira para um enfermo esquentar-se nela. Se extrair sangue e resfriar-se, acende-se uma fogueira, mesmo na época de tamuz. E, banha-se o recém-nascido no chabat, após cortar-lhe o umbigo, mesmo em água que foi esquentada no chabat. Pode-se salgá-lo e enrolá-lo, pois é para ele caso de periculosidade, se não fizerem-lhe todas estas coisas.

15 Similarmente, banha-se [o recém-nascido] antes da circuncisão, e após, e no terceiro dia depois dela, em água aquecida no chabat, devido à situação de periculosidade. Se a mulher assentou-se no "machber" e morrer, pode-se trazer uma faca pelo "rechut ha-rabim" e corta-se-lhe o ventre, retirando a criança, pois pode ser que encontre-se vivo, pois o caso de dúvida se está vivo ou morto põe de lado a [importância da] guardia do chabat, e mesmo neste caso, em que a maior possibilidade é que não se ache em vida.

16 Atende-se a todo caso de "piqúaĥ nêfech" no chabat, e não é necessário para tal solicitar permissão do "bet din", e todo o que se adianta para salvar uma vida, é mais louvável. Como assim? - se ver uma criança, por exemplo, que caiu no mar, pode lançar redes e erguê-lo da água, mesmo que pesque consigo alguns peixes. Se ouvir que afogara-se uma criança no mar, e lançar uma rede para salvá-lo e retirar da água somente peixes, é "patur mikelum". Se teve a intenção de elevar peixes e elevou os peixes em conjunto com a criança, é "patur", mesmo que nem sequer haja ouvido dizer que afogava-se a criança: por haver retirado a criança juntamente com os peixes, é é "patur".

17 Se cair uma criança num poço, pode-se tirar uma "ĥuliá" e elevá-lo, apesar de estar consertando nela um degrau quando a retira. Se trancar-se uma porta sobre uma criança, pode-se arrombar a porta quebrando-a, e retirá-lo, mesmo que esteja rachando-a em estilhaços que sirvam para trabalho, pois pode ser que a criança se assuste, e morra. Ocorrendo um incêndio no qual haja alguma pessoa pelo qual teme-se que morra queimado, deve-se apagar o fogo para o livrar, mesmo que esteja fazendo um caminho, e consertando-o durante o apagar do fogo. Todo o que se antecipar para salvar, é [mais] louvável, e não necessita receber permissão do bet din em todo caso no qual haja perigo vital.

18 Se sobre alguém ocorrer um desabamento, e haja dúvida se encontrava-se ali, ou não; ou se sobrevivera, ou se não - deve-se procurá-lo. Se achar-se vivo, mesmo que esteja esmagado e seja impossível que possa sanar-se - deve-se verificá-lo e retirá-lo, mesmo que seja para que viva por apenas uma hora mais. Após verificarem até suas narinas, sem encontrar vida, deve-se deixá-lo ali, pois já é morto.

19 Após verificar entre escombros e encontrar os corpos superiores mortos, não diga-se: “ - Já morreram [também] os inferiores!...”, senão verifiquem-se todos, pois é possível no desabamento que encontre-se o superior morto, e o inferior vivo.

20 Se em um mesmo edifício houverem israelitas e gentios (1), mesmo que seja um israelita único, e cem gentios, se desabar sobre eles [o edifício], averiguam-se todos por causa do israelita. Se um deles saíra para outro edifício (2), e desabar sobre ele o edifício para onde foi, deve-se averiguar sobre ele [nos escombros], pois pode ser que este que se apartou seja o israelita, sendo os que ficaram [no edifício de onde saiu], gentios.

21 Se saíram todos [sem exceção] do edifício para ir a outro, e ao saírem, um deles se apartou e foi a um terceiro edifício, e sobre este desabou, sem que se saiba quem é ele, não se verifica, pois por haverem saído todos, não há aqui permanência do israelita, e todo o que sair do meio deles enquanto andam, é visto como saindo da maioria (3). Portanto, se a maioria for de judeus, mesmo havendo saído todos, e afastara-se um deles indo para outro edifício, se desabar sobre ele, deve-se averiguar. (*)

22 Quem caminhar por um local deserto, sem saber quando é chabat, deve contar a partir do dia em que se confundiu seis dias, e santificar o sétimo, bendizendo a bênção [do qiduch] do dia e fazendo a havdalá na saída do chabat. E, a cada dia, incluindo esse mesmo dia no qual efetua havdalá e qiduch, é-lhe permitido o trabalho para seu sustento somente, para que não morra, e é-lhe proibido mais que seu sustento, pois todo dia é duvidoso se é chabat ou não. E, se souber que determinado dia é o oitavo desde sua saída, ou o décimo quinto, ou similar a estes números, este está permitido de trabalhar naquele mesmo dia, pois é claro que não saiu em viagem no chabat. Quanto aos demais dias, exceto este, pode fazer somente o suficiente para seu sustento [sem lucro algum].

23 Gentios, se sitiarem cidades de Israel - se vierem por dinheiro - não se profana o chabat, e não se peleja contra eles. Em cidades fronteiriças, mesmo se vierem por farelo ou por palha, deve-se sair contra eles armados, e profanar o chabat. Em todo caso, se vierem por assuntos concernentes a pessoas, ou para fazer guerra, ou sitiaram sem motivo algum, deve-se sair contra eles armados, e profanar o chabat. É preceito sobre todo judeu que possa, que vá em auxílio de seus irmãos que se acham sitiados para livrá-los da mão dos gentios. E, é proibido que esperem até terminar o chabat, e podem retornar com suas armas no chabat para suas casas, para evitar seu tropeço [nesta lei, pois pode ser que no futuro não queiram ir].

24 Do mesmo modo, um navio que encontra-se em perigo de naufrágio no mar, ou uma cidade que for circundada por um rio, é preceito sair no chabat para os livrar em tudo o que puderem fazer para tal. Mesmo uma pessoa solitária que esteja perseguido por gentios, ou por quem quer que seja que queira matá-lo, é preceito livrá-lo, e mesmo que seja fazendo algumas ações proibidas no chabat, e inclusive é permitido consertar uma arma para o salvar. Pode-se clamar e suplicar por eles [a Deus] no chabat, e tocar o chofar por eles no chabat, para os ajudar. Não se suplica, nem se clama por nada, no chabat.(*)

25 Pode-se sitiar cidades dos gentios três dias antes do chabat, e batalhar contra eles a cada dia, inclusive no chabat, até conquistá-las, e mesmo que seja "guerra permissiva". Através da chemuá, aprende-se "...até dominá-la!" - Dt 20:20 - até mesmo em chabat. E, nem é necessário dizer que o mesmo é válido para as "guerras preceituais", pois Iehochú'a não conquistara Jericó senão em chabat.

Capítulo 3

01 É permitido principiar um trabalho antes de entrar o chabat, apesar de o trabalho continuar e terminar por si mesmo durante o chabat, pois não nos foi proibido senão o trabalho feito no próprio dia de chabat. Se, porém, um trabalho feito no chabat por si mesmo, é-nos permitido usufruir do que foi feito nele.

02 Como assim? - pode-se abrir a água para o jardim na véspera de chabat, e enche-se e continua durante o chabat todo. Coloca-se o incenso sob os utensílios, e eles continuam em sua queima durante todo o dia de chabat. Aplica-se no olho pomada, e bandagem sobre um ferimento, e a cura se dá durante todo o chabat. Deposita-se em líquido tinta e ingredientes com o escurecer (*) [ao entrar o chabat], e os ingredientes se desfazem durante todo o chabat. coloca-se lã em vasilhame, e fios de linho no forno, e eles transformam-se durante todo o chabat. Arma-se a armadilhas para a captura de animais, aves e peixes pouco antes do escurecer, e as armadilhas capturam as presas durante todo o chabat. Coloca-se (*) a pedra no engenho de óleo, e de vinho, e o líquido escorre durante todo o chabat. Pode-se acender a vela ou a fogueira desde a véspera, e elas permanecem acesas durante todo o chabat.

03 Pode-se pousar a panela sobre o fogo, meter carne no forno ou colocá-la sobre as brasas, e eles cozinham-se durante todo o chabat, e comer estas coisas no [próprio] chabat. Mas, há neste caso formas de fazer proibidas por decreto, para evitar que alguém venha a remexer as brasas (*) no chabat.

04 Como assim? - um cozido que não estiver totalmente cozido, ou água que não haja-se esquentado o totalmente, ou cozido que for totalmente cozido, em todo caso que seu secamento seja bom para o paladar, não pode-se depositar sobre o fogo no chabat, mesmo que haja sido posto ainda durante o dia. Decretaram, para evitar que que alguém venha a revolver brasas no chabat, para completar o cozinhamento, ou para ressecar o cozido. Portanto, se rastelar o fogo, ou cobrir o fogo da "kirá" com cinza, ou com resíduos finos de linho, ou caso haja debilitado as brasas da kirá, estando cobertas com a cinza, ou haja aquecido a "kirá" com palha ou gravetos, (*), ou com ou com excrementos de gado ovino ou caprino, (*), em cujos casos não há brasas incandescentes, é permitido pousar a panela sobre ela [antes do chabat].

05 Em que casos afirmamos ser isto permitido? - em "kirá", cujo calor é pouco; mas, no que concerne ao "tanur", mesmo que esteja rastelado o fogo, ou coberto [as brasas] com cinza, ou esquentado com palha ou com "gevavá", ainda assim é proibido colocar dentro dele, ou sobre ele, nem apóia-se nele todo o que não estiver totalmente cozido, ou que mesmo cozido totalmente, quando mais se resseca, mais se faz agradável ao paladar. Por ser seu calor excessivamente elevado, a pessoa não deixa de pensar nele, e teme-se que vá a remexer com pouco fogo que houver, mesmo que seja fogo de palha e "gevavá", ou fogo coberto [com cinza].

06 E, por que proibiram colocar sobre o forno desde antes do chabat, mesmo após haver rastelado? - Porquanto o rastelador não o faz senão com a maior parte do fogo, e é impossível que rastele todo o fogo até que não reste nenhuma fagulha; e, por ser o calor do forno excessivo, pode ser que remexa para abanar as fagulhas que restaram.

07 "Cofaĥ" - seu calor é mais intenso que o do fogão [de duas bocas e à lenha], e menos que o do forno. Portanto, se aquecer o "cofaĥ" com restos de azeitona ou com madeira, equipara-se ao forno, e não pode-se colocar [o cozido antes do chabat] nem dentro dele, nem sobre ele, nem junto a ele qualquer cozido que não haja sido cozido totalmente, ou que quanto mais se resseca, melhor é para o paladar. Se, porém, for aquecido com palha ou "gevavá", equipara-se ao fogão [de duas bocas] aquecido com os mesmos, e pode-se [então] colocar [utensílio com cozido] sobre ele [desde antes do chabat]. E, que é "kirá", e que é "cofaĥ"? - "kirá" tem lugar para duas panelas, e "cofaĥ", para [apenas] uma panela. (*)

08 O alimento cru, que em nada haja sido cozido, ou que cozinhara-se totalmente, mas quanto mais ressecado for, pior será ao paladar, é permitido que seja posto sobre o fogo, seja em fogão [de duas bocas], em "cofaĥ" ou em forno. Similarmente, o cozido que se cozinhara, mas não totalmente, ou cozinhara-se totalmente, e quanto mais se ressecar, melhor será ao paladar, desde que haja colocado dentro dele carne crua perto do crepúsculo: então, tudo é visto como estando cru, e é permitido colocar sobre o fogo, mesmo que não haja rastelado ou coberto, pois já desviou dele sua atenção, e não virá a remexer as brasas.

09 Todo cozido que é proibido colocar [sobre a fonte de calor] - caso haja transgredido [intencionalmente] e colocado, está proibido comer dele até o término do chabat - e, deve esperar o tempo que levaria para prepará-lo. Se fê-lo por esquecimento - se for um cozido que não fora cozido totalmente - é proibido até sair o chabat; e, se for um cozido que haja sido cozido totalmente - e a cada passo que se ressecar, é melhor ao paladar - é permitido comê-lo no chabat.

10 Tudo o que for permitido que seja colocado sobre o fogo - ao ser tirado do fogo no chabat, é proibido colocar de volta a seu lugar. E, jamais pode-se colocar de volta no chabat, senão sobre um fogão que haja sido rastelado ou coberto [seu fogo com cinza], ou a fogão ou "cofaĥ" que haja sido aquecido com palha ou com "gevavá". Isto se não pousou a panela sobre alguma superfície qualquer; se, porém, pousou-a sobre alguma superfície, não pode-se colocá-la de volta, nem mesmo sobre um fogão [cujofogo foi] rastelado, ou coberto [com cinza] (*). [Assim também] não se coloca de volta sobre um forno ou "cofaĥ" que foram aquecidos com restos de azeitonas, ou com madeira, e mesmo que haja rastelado [as brasas], ou haja coberto [as brasas com cinza], pois seu calor é dos mais intensos. Quanto a tudo o que a ele não pode-se devolver no chabat, tampouco pode-se depositar junto a ele.

11 É proibido introduzir um garfo ao vasilhame, estando este sobre o fogo, para dele retirar algo no chabat, porquê achar-se-á revolvendo o cozido, e isto faz parte das ações necessárias para o cozinhamento. É permitido transferir um utensílio de um fogão a outro, mesmo de um fogão cujo calor é diminuto para um cujo calor é maior. Mas não se pode transferir de um fogão para "teminá", ou de uma "teminá" para o fogão.

12 Não pode-se encher uma panela de "assasiôt" e tremoços para colocar no forno com o escurecer na véspera de chabat, pois estes e os que a eles se assemelham, mesmo não estando nada cozidos, são como o que foi totalmente cozido, pois não carecem muito tempo de cozinhamento, e pensa em comê-los brevemente, pelo que é proibido colocá-los no forno. Se transgredir e colocá-los, está proibido comê-los no chabat, e deve-se esperar o tempo que levaria para cozinhá-los para que possa comê-los na saída de chabat.

13 Forno no qual colocara-se carne antes do chabat, e deixara durante o chabat - se for carne de cabrito, e semelhantes, é permitido colocar e deixar, pois se remover as brasas, queimar-se-á a carne, por não necessitar senão calor pouco - e se for carne de cabra ou de touro, é proibido colocar e deixar, pois pode ser que venha a revolver as brasas, para apressar seu cozinhamento. Se, porém, lacrar a porta do forno com massa, é permitido, pois se abrir a porta do forno para remover as brasas, entrará o ar [exterior], e a carne se tornará dura, e danificar-se-á, e o forno se esfriará.

14 De modo similar, tudo o que o vento pode danificar, não há sobre o mesmo decreto [proibitivo] por ser possível] que venha a revolver as brasas. [Exatamente] por esta razão pode-se colocar no forno o linho com o escurecer, pois se for exposto, perder-se-á.

15 Caso coloque um cabrito inteiro no forno, considera-se este como carne de cabra ou de touro, sendo proibido manter [o cabrito] no forno [após entrar o chabat], pois é possível que venha a revolver as brasas - exceto no caso em que lacrou a porta do forno. Mas é permitido introduzir o cordeiro do pêssaĥ com o escurecer, mesmo sem lacrar o forno, pois as pessoas em grupo são eficientes.

16 Não se assa carne, cebola ou ovo no fogo, senão com a condição de que se assem ainda durante o dia, e estejam apropriados para serem ingeridos. Mas, caso hajam ficado depois disto sobre o fogo durante o chabat até que estejam exacerbadamente assados, é permitido, porquanto quanto mais se secar, pior é ao paladar. Pois, caso revolva as brasas, queimá-los-á, por estarem exatamente sobre o fogo. Por isto, pode-se colocar o “mugmar” sob as roupas com o escurecer, pois caso revolva as brasas, se queimará o “mugmar”, e as roupas se encherão de fumaça.

17 Disto aprendes que tudo o que proíbe-se nesta pertinência não é proibido por ser realizado no chabat, senão por decreto, pois pode ser que venha a revolver as brasas. Por isto, não se pode colocar lã na panela, a não ser no caso de haver sido retirada de sobre o fogo, pois pode ser que venha a revolver as brasas. E, isto é permitido com a condição de que a boca da panela esteja lacrada com massa, pois pode ser que venha a revolver a lã depois do escurecer.

18 Não pode-se meter pão ao forno com o escurecer, nem tampouco "ĥarará" sobre brasas, senão se houver tempo para que tenham revestimento externo que não se prende ao forno ou ao fogo. E, se ficaram depois disto, até que haja finalizado seu processo de panificação, é permitido, pois se revolver as brasas, causará sua danificação. Mas se colocá-los pouco antes do escurecer, e ao escurecer ainda não hajam criado o invólucro exterior - se fê-lo intencionalmente - é proibido comer deles até o término do chabat - e, se foi inintencional, é permitido retirar deles o suficiente para três refeições no chabat. Ao retirá-los, não pode fazer conforme é costumeiro nos dias comuns da semana, usando o instrumento apropriado para tal, senão com uma faca, ou com algo semelhante a isto. (*)

19 Permite-se que se acenda uma fogueira de tudo o que quiser, desde que a acenda ainda de dia, e que desfrute de sua claridade, ou que se aqueça perante ela no chabat. Todavia, é preciso que acenda a maior parte da fogueira antes do escurecer, até estar a chama subindo por si própria antes do chabat. Se não acender a maior parte - está proibido seu usufruto no chabat - e é decreto, pois pode ser que venha a revolver as brasas, movendo a lenha para que suba a chama. Se acender um único lenho, é necessário que acenda a maior parte de sua espessura e comprimento ainda durante o dia.

20 Em que caso? em todo lugar comum. Mas, no Templo, acende-se a fogueira no "Bet ha-Moqed" com o escurecer, sem temer se virão [os cohanim] a revolver as brasas, pois os cohanim são eficientes.

21 Em caso de ser uma fogueira de juncos, ou de sementes, não é preciso acender a maior parte dela, senão ao ver que começou a queimar antes do chabat, pode usufruir dela, pois o fogo a incendeia rapidamente, e não necessita revolver. Portanto, se fizer um feixe de juncos ou colocar as sementes em faixas, serão considerados como madeira, e é preciso que a chama se eleve por si mesma antes do chabat.

22 Fogueira de piche ou de enxofre, de óleo, ou de "qirá", de palha ou de "gevavá" não é necessário que seja acesa a maior parte antes do chabat, pois o fogo a domina rapidamente.

Capítulo 4

01 Há coisas que se forem usadas para cobrir o cozido, estes aquecem e aumentam o cozinhamento, como o [próprio] fogo, como por exemplo o lixo de azeitonas, o esterco, o sal, a cal, a areia, coisas plumosas, e ervas, quando estes acham-se úmidos, e mesmo úmidos por si mesmos. Estas cousas são chamadas "davar ha-mossif...". E há cousas que, caso cubra-se o cozido com elas, faz com que conserve seu calor somente, e não aumentam seu cozinhamento, impedindo apenas que se esfrie, como por exemplo coisas plumosas, e ervas, quando estes três acham-se secos, roupas, frutas, asas de pomba, resíduos de linho, serragem de carpintaria, azeitonas em conserva, cujas sementes já se separam do fruto com facilidade, restos de tosquia. Todos estes são chamados "davar cheenô mossif..."

02 Por determinação da Lei seria permitido cobrir o cozido ainda de dia [antes do chabat] com "davar ha-mossif...", deixando-o coberto durante o chabat, pois pode-se deixar sobre o fogo no chabat. Mas proibiram os Sábios cobrir com "davar ha-mossif..." mesmo ainda de dia. [Motivo do] decreto: pode ser que a panela empece a ferver no chabat, e a pessoa descrubra-a até que passe a fervura, e torne a cobrir depois, e estará então cobrindo com "davar ha-mossif..." no chabat, que é proibido. Portanto, é permitido cobrir com "davar ha-mossif..." entre o crepúsculo e o sair das estrelas, porquê em geral as panelas neste horário já ferveram e descansaram de sua fervura, pelo que não voltam mais a ferver.

03 Similarmente, por determinação da Lei seria permitido cobrir o cozido no chabat com "davar cheenô mossif...", mas os sábios proibiram isto para evitar que cubram com cinza quente, e haja nela fagulhas incandescentes, pelo que estaria movendo brasas. Portanto, proibiram [os Sábios] cobrir algo quente no chabat, mesmo que seja algo que seja considerado "davar cheenô mossif...".

04 Se há dúvida se escureceu ou não, permite-se cobrir cozido quente; e permite-se cobrir com algo quente o que estiver frio no chabat com algo que seja considerado "davar cheenô mossif...", para evitar que se esfrie demasiadamente, ou para que perca sua frialdade. Líquido quente que foi coberto desde a véspera de chabat e foi descoberto no chabat, é permitido cobrir no chabat, pois não aumenta em seu calor. E é permitido trocar sua cobertura no chabat. Como assim? - por exemplo, se tirar um tecido, pode cobrir com asas de pomba; se tirar asas de pomba, pode colocar uma tecido.

05 Se transferir o cozido ou a água quente no chabat de um utensílio para outro, pode cobrir [novamente] com "davar cheenô mossif...", assim como o que é frio, pois não foi proibido cobrir no chabat senão o que se acha quente em primeiro vasilhame, no qual foi cozido. Mas, se despejá-lo dali, é permitido.

06 Pode-se colocar um "mê-ĥam" sobre outro no chabat, bem como uma panela sobre outra. Também pode-se colocar uma panela sobre um "mê-ĥam" e um "mê-ĥam" sobre uma panela, e fechar suas aberturas com massa. Isto, não para que se aqueçam, senão para que conservem seu calor - pois não proibiram senão cobrir no chabat, mas colocar um utensílio quente sobre outro utensílio quente para que conservem-se quentes, é permitido. Mas não pode-se colocar um utensílio no qual haja algo frio sobre um quente no chabat, pois faz nascer nele calor no chabat; e, se colocar desde a véspera, é permitido. E não é isto considerado como cobrir com "davar ha-mossif...".

Capítulo 5

01 O acender da lâmpada para o chabat não é permissividade, [como se pudéssemos dizer:] "-Se quiser acender, acenda; se não, não acenda!". Nem tampouco é um preceito pelo qual deva-se lutar até cumprir, como 'eruvê ĥatserôt ou o lavar das mãos para o comer, senão [simplesmente] obrigatoriedade. Tanto os homens quanto as mulheres são obrigados a ter em suas casas uma vela acesa em chabat. Mesmo que não tenham o que comer, devem mendigar, comprar óleo e acender a vela.Isto faz parte do prazer do chabat. E há obrigação de bendizer pelo acender da vela antes de fazê-lo "...que nos santificaste por teus preceitos, e nos ordenaste a acender a vela de chabat!", assim como se faz por todo preceito que nos vem por "divrê soferim".

02 É permitido utilizar-se da [luz da] vela de chabat, desde que não seja algo que necessite verificação meticulosa; quanto a algo que necessite exacerbada atenção das vistas, é proibido por decreto, para que não venha a entornar a vela.

03 O que acende a vela de chabat, precisa fazê-lo ainda de dia, antes do crepúsculo. As mulheres são ordenadas para com isto mais que os homens, por estarem em casa, e ocupadas com os trabalhos domésticos. Mesmo assim, o homem precisa apressá-las, e verificá-las acerca disto, dizendo aos de sua casa na véspera de chabat antes do escurecer: "...Acendam a vela!". Se há dúvida se entrou o chabat ou não, não se acende.

04 Desde o pôr-do-sol até que sejam vistas três estrelas, médias, é o tempo chamado "ben ha-chemachôt", no qual há dúvida se é dia ou se é noite. Este [tempo] é julgado com gravidade em todo lugar. Portanto, não se pode acender a este tempo, e quem fizer nele qualquer ação proibida inintencionalmente no tempo chamado "ben ha-chemachôt" - seja no intróito do chabat, ou em seu término - incorre de todo modo obrigação de imolar um sacrifício ĥatat. Quanto às estrelas a serem vistas, devem ser estrelas não grandes, que são vistas ainda de dia, nem tampouco pequenas, que somente são vistas à noite. Ao momento em que ver três estrelas medianas é obviamente noite.

05 O pavio a ser usado para o chabat, não pode ser feito de algo contra o qual a chama lute, como por exemplo a lã, o cabelo, a seda, o musgo do cedro, o linho que não foi batido, a fibra do dátil, tipos de árvores fofas, ou similares, senão de algo no qual o fogo se faz fixo, como o linho batido, roupas de linho fino, algodão e similares. Quanto ao que acende, precisa fazê-lo na maior parte do lado exterior do pavio.

06 Se enrolar algo com o qual acende-se em algo o qual é proibido para o acender da vela - se o fizer para que se torne o pavio mais grosso, aumentando sua lucipotência, é proibido; se para que esteja firme, e não se escorregue, é permitido.

07 Pode-se colocar um grão de sal ou um grão de "pol" no bocal da vela na véspera de chabat para que acendam-se na noite de chabat. Quanto aos pavios com os quais é proibido acender a vela, pode-se usá-los para fogueira, seja para aquecer-se perante ela, seja para usufruto de sua luz, seja sobre um castiçal, ou no chão. Não proibira-se seu uso senão unicamente como pavio da lâpada de chabat.

08 O óleo a ser usado para acender a lâmpada para o chabat, é preciso que seja apropriado para que se sugue [facilmente] pelo pavio. As substâncias oleosas que não sugam-se facilmente pelo pavio - por exemplo, o piche, a cera, o óleo de ricínio, a gordura da cauda das ovelhas, e o sebo - não podem ser usados. E, por que não pode-se usar pavios nos quais não se prende bem a chama, e nem em substâncias oleosas que não podem ser bem sugadas pelo pavio? - por decreto, pois pode ser que a luz seja obscura, e venha a pessoa a entornar a lâmpada, ao usar sua luz.

09 Sebo e entranhas de peixe que se derreteram, pode-se a eles acrescentar qualquer quantidade de óleo, e acender. Quanto a óleos com os quais é proibido acender, mesmo que haja mesclado com um dos outros tipos de óleo que podem ser usados, não se usa para acender, pois o óleo não suga-se.

10 Não pode-se acender com alcatrão devido a seu mau odor, pois pode ser que deixe-a e saia, sendo sua obrigação manter-se à luz da vela. Não acenda-se tampouco com "tzori", por ser odorífero, e pode ser que venha [alguém] a retirar dele da lâmpada, e também por que expele-se, e pode ser perigoso. Tampouco pode acender com petróleo, e nem mesmo [lâmpada comum a ser usada] em dias semanais, pois ele se expele, pelo que é periculoso.

11 Todos os demais óleos podem a priori serem usados, como por exemplo o óleo de nabo ou de gergelim, ou de rábano, semelhantes. Não há proibição senão naqueles óleos que os Sábios proibiram.

12 Não pode-se colocar um utensílio perfurado cheio de óleo sobre o bocal da lâmpada (*) para que esteja gotejando, nem encha um prato de óleo afim de introduzir a extremidade do pavio (*) dentro dela, para que sugue dali - [é proibido] por decreto - pois pode ser que venha a retirar do óleo que encontra-se no vasilhame, já que não se enoja da vela. E é proibido usufruir no chabat do óleo que usa para acender, mesmo que a lâmpada haja-se apagado, e mesmo que haja gotejado da lâmpada por ser ela "muqtê meĥamat issur". Se, porém, ligar o utensílio no qual haja óleo à lâmpada com cal, com barro ou semelhantes, é permitido.

13 Não pode-se colocar um utensílio abaixo da lâpada para servir de receptáculo de óleo no chabat, por estar invalidando o utensílio de seu objetivo. Se, porém, fê-lo desde a véspera, é permitido. E pode-se colocar um utensílio sob a lâmpada para receber as fagulhas, pois estas não se consideram algo consistente; mas é proibido colocar no utensílio água, e mesmo desde a véspera, por estar adiantando assim o apagar das fagulhas.

14 Não verifica-se roupas, nem pode-se ler à luz da lâmpada, mesmo estando esta na altura de dois andares, e mesmo na altura de dez cômodos um sobre outro, estando a lâmpada sobre o superior, não pode ler ou verificar estando no mais inferior, pois pode ser que venha a esquecer e entorná-la. Se, porém, são dois a lerem um mesmo assunto, podem ler estes à luz da lâmpada, pois cada um faz lembrar ao companheiro, caso esqueça. Mas não em assuntos diferentes, pois cada um estará ocupado com o seu próprio.

15 Crianças podem ler na presença de seu instrutor, pois este os mantém em guarda. Mas ele mesmo não pode ler, pois não estará seu temor sobre eles. Ele, porém, pode olhar no livro à luz da lámpada, até saber onde se acha o princípio do trecho onde deve fazê-los ler. Em seguida, dá-lhes o livro em mãos, e eles lêem perante si.

16 Utensílios que sejam demasiadamente parecidos, sem que possam ser reconhecidos senão com muitíssima atenção, é proibido aproximar à luz da lâmpada afim de diferenciá-los, pois pode ser que esqueça e entorne a lâmpada. Portanto, o criado que não for permanente é proibido que verifique taças e pratos à luz da lâmpada, por não os conhecer, seja a lâmpada de óleo ou de petróleo, cuja luz é muita. Mas o "chamach" permanente pode verificar taças e pratos, por não precisar de muita atenção para os diferenciar. Caso seja a lâmpada de azeite de oliva, não se diz a ele que verifique, apesar de ele poder fazê-lo, por decreto, pois pode ser que venha a usar do óleo.

17 Se encontrar-se uma lâmpada atrás da porta, é proibido abrir a porta como de costume, porquanto achar-se-á apagando a lâmpada; deve ser cuidadoso ao abrir e ao fechar. É proibido abrir a porta diante de uma fogueira no chabat para que o vento venha sobre ela, e mesmo que ali haja somente vento normal. E pode-se colocar a lâmpada do chabat sobre uma árvore ligada á terra, sem preocupação [com estas coisas citadas].

18 Em todas as cidades e vilas judaicas tocavam-se seis toques de chofar em véspera de chabat, e em lugar alto costumava-se executar os toques, para fazer ouvir todos os habitantes da cidade e de suas redondezas [acerca da proximidade da entrada do chabat].

19 Ao primeiro toque, os que se achavam nos campos tornavam-se proibidos de continuar arando a terra e trabalho campestre. Quanto aos que achavam-se em lugares próximos, não eram permitidos de adentrar a cidade até que chegassem os mais distantes, e entrassem todos de uma vez. Ainda então as casas comerciais permaneciam abertas, e suas trancas colocadas ao lado. Ao segundo toque, tomavam-se as trancas e as casas de comércio eram fechadas. Ainda [nas casas] a água quente e as panelas permaneciam sobre o fogão. Ao principiar o terceiro toque, o encarregado [para retirar os alimentos de sobre o fogão] retirava-os, e o encarregado para os cobrir, cobria-os, e [a este mesmo tempo] acendiam-se as velas. Esperava-se então o tempo suficiente para assar um peixe, ou para que um pão pudesse prender-se à parede do forno, e tocava-se um toque chamado "teqi'á", e um chamado "teru'á", e outro toque teqi'á", e interrompia-se todo trabalho.

20 O primeiro toque era feito ao tempo de minĥá, e a terceira, pouco antes do crepúsculo. Assim também tocava-se na saída de chabat, após o sair das estrelas, para que o povo estivesse permitido de tornar a seus afazeres.

21 No iom kipur que caía em chabat, não se tocava; e, se caísse em saída de chabat, nem se tocava antes, e nem se fazia [o toque da] havdalá. No iom tov que caía em véspera de chabat, tocavam [à entrada], mas não [o toque de] havdalá. Se caía o iom tov após o chabat, tocavam o toque da havdalá, mas não o da entrada [de iom tov].

Capítulo 6

01 É proibido dizer a um gentio que faça-nos alguma ação proibitiva no chabat, apesar de ele não ser ordenado em concernência ao chabat, e mesmo que haja-lhe dito antes do chabat, e mesmo que não precise de tal senão após sair o chabat. Esta proibição é por "divrê soferim", que decretaram tal proibição para que o chabat não aparente ser algo leviano, e que por fim venham tais pessoas a fazerem por si mesmas.

02 O gentio que haja feito uma das ações proibidas para o judeu no chabat, deliberadamente - se fez para o judeu especificamente, é proibido o usufruto de seu feito até a saída de chabat, e deve o judeu esperar o tempo que levaria para realizar tal coisa; e isto, se não foi algo público, no qual todos e tornam sabedores que tal coisa que foi feita para fulano, foi realizado seu feitio no chabat - e, se para si mesmo o fez, é permitido [para o judeu] tirar proveito disto no chabat.

03 Como assim? - se o gentio acender uma lâmpada, o judeu pode utilizar-se de sua claridade; se, porém, acendeu-a para o judeu, é proibido [ao judeu usufruir de sua luz]. Se fez uma rampa para aportar [ele mesmo] do navio, pode descer por ela o judeu; se para o judeu a fez, é proibido [que desça por ela o judeu]. Se encher o bebedouro para que beba seu [próprio] animal; se colher mato para que coma seu [próprio] animal pode o judeu colocar seu animal a comer dele. Isto, se o gentio não for conhecido do judeu, que não se ache aumentando no que fez também por ele, estando assim efetuando algo proibitivo para um judeu. Assim, tudo o que for possível o aumento, não pode o judeu dele usufruir no chabat, a não ser em caso de não ser conhecido [pelo gentio].

04 Quanto a coisas nos quais não há aumento ou diminuição - como a lâmpada ou a rampa - havendo sido feito para si próprio, pode usufruir disto o judeu. Se encontrar casualmente na vizinhança uma lâmpada acesa - se no local a maioria for judaica, é proibido usar sua luz, pois quem acendeu-a fê-lo em prol da maioria [das pessoas do lugar]; se a maioria for gentílica - é permitido. Se forem ambas as populações equivalentes, é proibido. Se ocorrer um incêndio em chabat, e vir um gentio a apagar - não pode-se dizer-lhe "apague!", nem tampouco "não apague!", pois sua interrupção de trabalho não recai sobre nós; e assim, tudo o que se assemelhe.

05 Se não judeus fizerem um ataúde ou cavarem uma sepultura para seu próprio falecido, ou trouxerem flautas para o " hêsped" - em caso de modéstia - pode-se esperar até a saída de chabat, e pode ser sepultado ali após esperarem o tempo que poderia levar para cavar a sepultura. Se porém o túmulo encontrar-se em uma grande "srátia", e o caixão nela, e todos os que passam dizem que "isto que os não judeus fazem agora no chabat, é para fulano!", tal judeu não pode ser enterrado neste túmulo jamais, por ser algo reconhecidamente público. Mas é permitido sepultar nele outro judeu, desde que se espere o tempo que levaria para abrir a sepultura. Assim, tudo o que se assemelhe a isto.

06 Se um gentio trouxer flautas para um morto - mesmo havendo trazido de fora da muralha - deve-se esperar na saída de chabat o tempo que levaria para trazer de um local próximo, e então poderão ser usadas tais flautas, pois pode ser que trouxeram durante a noite de outro lugar até a muralha, e somente pela manhã adentraram-na. Se souberem com certeza de que lugar foram trazidas no chabat, deve esperar o tempo que levaria para trazer do tal lugar - e isto se não for o caso exacerbadamente público, conforme dissemos.

07 Uma cidade na qual moram judeus e gentios - caso houver nela uma casa de banhos (*) que funcione também no chabat - Caso seja a maioria dos habitantes do lugar gentios, pode-se banhar nela na saída do chabat imediatamente. Se a maioria for judaica, deve-se esperar o tempo que levaria para o aquecimento da água, que para a maioria foi aquecida. Metade judaica, metade gentílica, deve esperar o tempo que levaria para esquentar-se a água suficiente para uma das metades, e assim tudo o que for a isto semelhante.

08 Se um judeu disser a um gentio que faça para si alguma ação proibida no chabat - apesar de haver transgredido, e apesar de receber os golpes de "macat mardut" - está permitido usufruir do que foi feito na saída de chabat, após esperar o tempo que levaria para ser feito. Não proibiram em todos os casos até que espere o tempo que levaria para ser feito, senão por esta razão: se for permitido imediatamente, dirá ao gentio que faça, e encontrará ao sair o chabat tudo pronto imediatamente. Já que proibiram até o tempo que levaria para fazer, não dirá ao gentio que faça para si, pois não lucra nada com isto, estando impedido à noite até o tempo que levaria para que tal coisa que foi feita no chabat fosse feita.

09 Tudo o que não for ação proibida [pela Torá], senão por "chevut", é permitido ao judeu dizer a um gentio que faça no chabat, isto com a condição de que haja um pouco de enfermidade, ou grande necessidade, ou por algum motivo preceitual.

10 Como assim? - pode dizer a um gentio que suba numa árvore, ou que atravesse a barco a água, para trazer um "chofar" ou uma faca para efetuar circuncisão, ou para transportar de um quintal a outro onde não haja 'eruv, ou água quente para banhar a criança ou alguém que sofre. Assim, tudo o que a isto se pareça.

11 Quem comprar uma casa na Terra de Israel pode dizer ao não judeu que escreva a apólice de compra no chabat, pois o dizer ao gentio [que faça algo proibido para o judeu no chabat] é proibido por decreto dos Sábios, e no que pertine à habitação na Terra de Israel, não decretaram. O mesmo concerne a quem comprar uma casa na Síria, pois a Síria é como a Terra de Israel neste assunto.

12 O israelita pode contratar um gentio para determinado serviço estipulando o estipêndio por todo o tempo que levar o serviço, e o gentio o que faz, para si mesmo faz. Mesmo se fizer seu trabalho no chabat, é permitido. O mesmo em relação a quem contratar um gentio para muitos dias, é permitido, mesmo que este trabalhe no chabat. Como assim? - por exemplo, se o contratar para um ano ou dois para que escreva para si um livro, ou para que teça-lhe roupas, coisas que faz o gentio quando quiser. Isto, porém, somente no caso de não fazer-lhe as contas a cada dia.

13 Em que caso? - em situação circunspecta, na qual ninguém sabe que tal trabalho é do judeu. Mas se for conhecido, revelado, algo de conhecimento público, é proibido, pois quem ver o gentio não sabe do contrato adiantado, e pensará que tal pessoa contratara o gentio para trabalhar para si no chabat.

14 Portanto, quem contratar um gentio para construir seu quintal, seu mural ou para efetuar sua ceifa, ou para plantar um vinhedo, ou se houver alugado seus serviços pelo espaço de um ano ou dois - se o trabalho a ser efetuado for na cidade, ou se estiver dentro do setor regional de chabat, é-lhe proibido deixar que trabalhe no chabat, devido aos que o vêem; mas, se for fora da região, é permitido - pois não há ali presença de israelitas que vejam o operário durante seu trabalho no chabat

15 De igual modo, é permitido ao judeu arrendar seu vinhedo ou seu campo para um não judeu - apesar de ele semeá-lo ou plantá-lo no chabat - pois o que vê é cônscio do negócio da arrenda, ou de que por colonização se compactuaram [na propriedade do judeu]. Mas quanto ao caso de que o negócio é cogominado (*) judaicamente, e não é o costume da maioria as pessoas [judias] do lugar alugar algo assim ou admitir colonos, é proibido alugar ao não judeu (*), pois o gentio fará seu trabalho no lugar que se chama pelo nome de seu proprietário [judeu].

16 É permitido tomar emprestado utensílios de não judeus, bem como emprestar a eles, mesmo que os utilizem para o trabalho no chabat, pois não somos ordenados acerca dos utensílios que não executem ações no chabat. Porém é proibido emprestar um escravo ou um animal, pois fomos ordenados acerca de seu descanso no chabat.

17 O [judeu] associado ao gentio em trabalho, em comécio ou em loja, se desde o princípio da sociedade colocaram como condição que o que fizer o gentio no chabat será para si o lucro, e que um dos dias semanais será o lucro total do dia para o judeu, é permitido. Se, porém, não fizeram esta condição desde o princípio, ao fazerem os cálculos finais o gentio deve levar todo o lucro do trabalho efetuado no chabat, e os demais dias dividos igualmente entre ambos. Nada pode ser exigido pelo lucro do trabalho realizado no chabat, a não ser no caso de condição prévia. Assim também se receberem um campo associado, a lei é a mesma.

18 Em caso que não hajam levantado a condição previamente, e venham a dividir os lucros, parece-me que o gentio toma para si a sétima parte do lucro [semanal], e dividem por igual o restante. Se alguém, entretanto, der dinheiro a um gentio para que este negocie [sozinho], apesar de este comercializar no chabat, divide com ele por partes iguais. Assim ensinaram todos os geonim.

19 Não pode o judeu dar a um artesão gentio na véspera de chabat utensílios para que faça-os para si, a não ser que este saia de sua casa antes do escurecer. Similarmente, não pode o israelita vender um objeto seu a um gentio, nem emprestar-lhe objetos ou dinheiro, ou afiançá-lo, ou dar-lhe algo por presente, a não ser que este saia de sua casa com o utensílio ainda antes de entrar o chabat - pois enquanto achar-se em sua casa, ninguém sabe quando lhe deu - portanto, ao sair de sua casa o gentio portando algo do judeu, ver-se-á o caso como se houvesse emprestado ou afiançado, ou que o contratara, chegando ambos a acordo monetário, ou que vendeu-lhe algo no chabat.

20 Se algum judeu der uma carta a um gentio para que a leve a outra cidade - caso haja marcado com ele o preço do porte, é permitido - mesmo que haja-lhe dado a carta na véspera de chabat com o escurecer. Isto, se sair de sua casa ainda antes do chabat. Se não marcou - se houver no lugar determinada pessoa para receber e enviar as cartas para todo lugar com seus [próprios] enviados - é permitido dar ao gentio a carta, desde que haja tempo suficiente para que este chegue à casa mais próxima da muralha da cidade, pois pode ser que a moradia deste que é o receptor das cartas para enviá-las a outras cidades seja próxima à muralha. Se não houver ali pessoa determinada para tal, senão o próprio gentio a quem entregara a carta é o mesmo que a leva a outra cidade, é proibido terminantemente, a não ser no caso em que haja previamente combinado seu preço pelo serviço.

21 Se o gentio trouxer coisas suas no chabat e introduzi-las à casa de um judeu no chabat, é permitido que o faça, e mesmo que diga-lhe: "-Coloque neste local!", é permitido, É permitido convidar um gentio no chabat, e servir-lhe alimentos para que coma; e, caso haja levado consigo saindo [de sua casa no chabat], não há por que importar-se com isto, pois não fomos ordenados sobre seu descanso. Do mesmo modo, pode-se dar ao cachorro (*) seu alimento no quintal, e se ele pegar e sair com ele, não há por que importar-se.

22 O israelita que, durante sua vinda pelo caminho, entrou o chabat, tendo consigo dinheiro, pode dar sua carteira para um gentio que a porte por si, e receber dele na saída do chabat. E isto, mesmo que não lhe pague por fazê-lo, e mesmo que lhe entregue após o escurecer, é permitido, pois a pessoa é preocupada com seu dinheiro, e não pode lançá-lo, pelo que se não lhe for permitido isto, que não seria proibido senão por decreto rabínico, acabará por portá-lo por suas próprias mãos, transgredindo pela realização de uma ação proibida pela própria Torá.

23 Em que caso? - no que concerne à própria carteira; no que concerne a algum achado, porém, leve-o por menos que cada quatro côvados em interrupções em seus passos.

24 O israelita que haja efetuado qualquer trabalho proibido no chabat, está proibido de deleitar-se de seu fruto eternamente. Quanto a outros judeus, são permitidos do deleite disto no sair do chabat, e imediatamente. Isto, porquanto está escrito: "Observareis o chabat, porquanto é santo..." - significa: o chabat é santo, e não o que nele foi feito. Como assim? - por exemplo, se um judeu cozinhar no chabat intencionalmente, outras pessoas podem comer o que fez na saída de chabat; ele mesmo, porém, está proibido de comer disto eternamente. Se, porém, cozinhar por engano no chabat, pode comer na saída de chabat imediatamente, tanto ele como outras pessoas. Assim, tudo o que se assemelhe a isto.

25 Frutos que forem transportados além do território do chabat e trazidas de volta - se foi caso inintencional - podem ser ingeridos no chabat, pois nada foi feito nos próprios frutos, e não ocorrera neles mudança alguma; se intencionalmente foram levados, não podem ser comidos senão após sair o chabat.

26 Quem contratar um operário para guardar-lhe sua vaca ou sua criança, não deve dar-lhe pagamento por chabat, pelo que não recai a responsabilidade do que ocorrer no chabat sobre ele. Se, porém, o empregado for contratado para o chabat, ou por todo ciclo anual, deve dar-lhe pagamento pleno; portanto, a responsabilidade pelo que venha a ocorrer no chabat recai sobre ele. Não pode este dizer: "-Dê-me meu pagamento pelo chabat!", senão: "-Dê-me meu pagamento pelo ano!", ou: "...por dez dias!".

Capítulo 7

01 As ações pelas quais incorre-se em penalidade de seqilá ou carêt se as fizer intencionalmente, e sacrifício ĥatát [se as fizer] inintencionalmente, umas são avôt [melakhá], outras são toladôt [melakhá] (*). O número de todos os avôt, é quarenta menos um. São estes:
1) arar; 2) semear; 3) ceifar; 4) fazer feixes (de espigas de cereais, por exemplo); 5) trilhar (bater para tirar as sementes); 6) dispersar (grãos, para separar o imprestável); 7) selecionar (alimentos uns dos outros); 8) moer; 9) peneirar; 10) amassar ; 11) assar (cozinhar); 12) tosquiar; 13) embranquecer (fios de tecido); 14) cardar; 15) tingir; 16) fiar; 17) esticar o fio no vertical (no tear); 18) fazer a tela (retesar fios no vertical no tear); 19) tecer; 20) romper (os fios); 21) atar; 22) desatar; 23) costurar; 24) rasgar; 25) construir; 26) destruir; 27) bater com martelo; 28) caçar; 29) degolar; 30) pelar (animal); 31) curtir (pele); 32) pelar ( tirar o pelo da pele); 33) cortar (a pele); 34) escrever; 35) apagar (o escrito); 36) esboçar; 37) acender; 38) apagar (o fogo); 39) transportar (de um recinto particular para um recinto público, ou vice-versa). (Voltar)

02 Estes trabalhos todos, e todas as ações que lhes são correspondentes, são os chamados "avôt melakhôt". As que lhes são correspondentes, como? - tanto o que ara, como o que cava, como o que faz um sulco [na terra], pois todos eles são cava no chão, sendo todos eles um mesmo motivo.

03 Assim sendo, tanto o que que semeia, quanto o que planta árvores, ou transplanta, como o que enxerta, ou o que poda a árvore, todos estes são um mesmo "av melakhá", e com um mesmo motivo: fazer germinar algo é sua intenção.

04 Assim, todo o que ceifa cereais ou gramíneas, ou colhe uvas, ou tâmaras, ou azeitonas, ou figos - todos eles (*) são um mesmo av melakhá

05 A toladá é a ação parecida com a que é chamada "av melakhá" dentre qualquer destas ações-raízes ("avôt melakhá"). Como assim? - quem cortar uma verdura em pedacinhos diminutos para cozinhar, é ĥaiav, pois é esta ação derivada (toladá) da ação de moer, pois o moedor toma um corpo e divide-o em vários. Todo o que fizer algo semelhante, incorre em feitio do derivado da ação de moer. Assim também alguém que pegar um metal qualquer e limá-lo para obter seu pó, como fazem os ourives, estará efetuando um derivado da ação de moer.

06 De mesmo modo, se alguém depositar leite no estômago [de animal] (*) para coalhar, estará efetuando um derivado da ação de selecionar, pois achar-se-á separando o soro do leite. Se, no entanto, fê-lo solidificar para tornar-se queijo, é passível por construir, pois todo o que une partes [de algo] a outras, até fazê-los tornar-se uma só coisa, assemelha-se isto a uma construção. Assim todas as demais ações de cada uma destas raízes têm suas derivadas, segundo a forma que dissemos, e a partir da própria característica da ação saberás de qual "av melakhá" é derivada.

07 Tanto o que efetuar uma ação-raiz ( "av melakhá"), quanto o que efetuar uma derivada de uma delas, se intencional, é passível de carêt, se houve testemunhas, deve ser morto por seqilá; inintencionalmente, deve trazer sacrifício ĥatát qevu'á. Sendo assim, que distinção há entre "av melakhá" e "toladat melakhá"? - não há diferença, senão somente no que pertine ao sacrifício: se fizer sem intenção vários "avôt melakhá" de uma só vez, deve imolar por cada um deles um sacrifício ĥatát, e se fizer um "av melakhá" e seus próprios derivados de uma vez única, deve imolar por todos um único sacrifício ĥatát.

08 Como assim? - se arar, semear e ceifar no chabat a um mesmo tempo, deve imolar três sacrifícios ĥatát; e, mesmo que haja efetuado todos os trinta e nove trabalhos inintencionalmente, como por exemplo, em caso de haver esquecido (*) que estes trabalhos são os proibidos no chabat, deve oferecer um sacrifício ĥatát por cada um dos trabalhos. Mas, se moeu, cortou a verdura e limou um metal de uma vez, não é obrigado senão com apenas um sacrifício ĥatát, pois não efetuou senão uma "ação-raiz" e suas derivadas. Assim, em tudo o que a isto tenha semelhança. ĥaiav.

09 Quem fizer vários trabalhos de uma mesma classe e de uma só vez, não incorre senão na obrigação de imolar um único sacrifício ĥatát. Como assim? - Por exemplo: semeou, plantou, transplantou, enxertou e podou - tudo a uma mesma vez - não é obrigado, senão com apenas um sacrifício ĥatát, por serem um mesmo "av melakhá" todos eles, e assim, tudo o que se assemelhe.

Capítulo 8

01 Quem arar qualquer que seja é ĥaiav. O que mondar junto às raízes das àrvores, o que roçar o mato, o que recortar galhos para melhorar a terra, efetua uma "toladá" de aração. Assim que fizer qualquer quantia, é ĥaiav. O que igualar o solo do campo - como por exemplo, derrubando ou desfazendo uma colina, ou aterrando um vale, é ĥaiav por arar. A quantia de seu feito para que seja passível é qualquer quantidade. Igualmente, todo o que equalizar o chão, preenchendo os buracos, a quantia [para que seja passível] é qualquer quantidade que haja feito.

02 Quem semear qualquer quantidade é ĥaiav. O podar a árvore para que esta germine melhor, é ação oriunda do semear. Também o que deixa em água sementes de trigo, de cevada, ou semelhantes, efetua uma "toladá" de semeação.

03 Quem ceifar a quantia equivalente a uma "gerogêret", é ĥaiav. O desprendimento de algo de sua fonte é uma ação derivada de ceifa. Portanto, todo o que arranca algo de onde cresce é passível por ceifar. Assim, o feixe no qual brotar herbáceas ou a cuscuta que envolver-se na sarça, ou o mato que germinar sobre um barril, todo o que arrancar qualquer deles é passível [por ceifar], por ser este seu lugar de crescimento natural. Quanto ao que desarraiga de um vaso não perfurado, este é isento, por não ser seu lugar de crescimento natural. Quanto ao vaso perfurado cujo orifício seja suficiente para que por ele passe uma ínfima raiz, é considerado como a própria terra. O que dele extrair é passível.

04 Tudo o que ao ser cortado germina e cresce, como aspasta e espinafre, quem os cortar sem intenção deve imolar dois sacrifícios ĥatat: um por ceifar, outro por plantar. Também o podador, no caso em que necessite da lenha, é passível por ceifar e por plantar. Um torrão no qual haja germinado qualquer forma herbácea, caso levantá-la do solo e colocá-lo sobre estacas, é passível por desprender. Se estiver sobre as estacas, e depositá-lo no chão, é passível por semear. Figos que se secaram em seus galhos e árvore cujos frutos secaram-se nela, se alguém colher destes no chabat é passível, mesmo que sejam estas como desmembradas no que concerne à impureza.

05 A colheita de chicória e o mondar - se para alimento [humano], a medida [para que seja passível por colher] é o equivalente a uma "gerogêret". Se para animal, o suficiente para encher a boca de um cabrito. Se para aquecimento, o suficiente para cozinhar um ovo.

06 O fazer feixes de alimentos, a quantia [para que seja passível] é o equivalente a uma "gerogêret". Se o fez para o animal, o suficiente para encher a boca de um cabrito. Se para aquecimento, o suficiente para o cozinhamento de um ovo. O ovo dito em todo lugar refere-se ao ovo de galinha, e todo lugar onde se diz o suficiente para cozinhar um ovo, significa o suficiente para cozinhar uma "gerogêret" do ovo, e "gerogêret" é um terço de um ovo. Não há trabalho de feixes [em pertinência ao chabat] senão em alimentos vegetais. Se reunir figos secos, e fizer deles um círculo, ou perfurar figos e meter neles um barbante até tornarem-se um único conjunto, é isto uma ação derivada de fazer feixes, e é passível. Assim, tudo o que se assemelhe.

07 Se trilhar a quantidade de uma "gerogêret", é passível. Não há trilhamento [em pertinência ao chabat] senão em alimentos vegetais. Desmontamento é ação derivada de trilhar. A pessoa que ordenha o animal é passível por efetuar desmontamento. Do mesmo modo, a pessoa que golpear um animal que tenha pele, é passível por desmontar. Isto, caso precise do sangue que sai do ferimento. Mas, caso haja tido a intenção apenas de prejudicar, é patur, por estar danificando. E [o que golpeia o animal ou ordenha] não é passível, a não ser que haja no sangue ou no leite que derramar a quantia de uma "gerogêret".

08 Em que caso [é isento por golpear]? - se golpear um animal doméstico, silvestre, fera ou semelhantes a estes. Mas caso haja feito isto a seu próximo, mesmo que tenha a intenção de simplesmente prejudicar, é passível, pois alivia seu espírito, pois assim descansa sua mente, desfazendo sua ira, e neste caso acha-se consertando. Isto, mesmo que não precise do sangue que da pessoa derramar [ao golpeá-lo].

09 Os oito "cheratsim" trazidos na Torá são os que possuem pele no que concerne à proibição de golpear no chabat. Os demais "cheratsim" não dispõem de pele, pelo que o que os golpear é isento. Tanto o que golpear um animal doméstico, silvestre, fera, ou qualquer dos oito "cheratsim", ferindo-os e fazendo com que saia sangue, ou causando-lhes hematomas, mesmo que não saia o sangue, é passível.

10 O que espremer frutas é passível por desmontamento. Mas não é passível enquanto não houver no sumo extraído a quantidade de uma "gerogêret". E não há passibilidade pela Torá senão em concernência ás azeitonas e às uvas. E, é permitido espremer um cacho de uvas diretamente ao alimento, pois o líquido que vem sobre o alimento, é [considerado como o] alimento [e não como bebida]. Neste caso, estará desmontando um alimento de outro [alimento, o que é permitido]; mas se espremer a um utensílio no qual não haja alimento, estará efetuando a ação de lagaragem, e [neste caso] é passível. Quanto ao que ordenhar [diretamente] sobre algum alimento, ou diretamente á boca de uma criança, é este isento, não sendo passível senão se o fizer diretamente a um utensílio.

11 O que dispersa ou seleciona a quantia de uma "gerogêret" é passível. Quem faz [que o leite torne-se] manteiga, efetua [nisto] uma ação derivada de selecionamento. Assim também o que retira conservativos de dentro de substâncias líquidas, realiza uma ação derivada de selecionamento ou de peneiração, e é passível, pois a dispersão, o selecionamento e a peneiração são entre si casos idênticos, e por que são contados em separado, como sendo três casos distintos? - porquanto cada trabalho que era feito no Tabernáculo são levadas em conta separadamente, cada uma por si.

12 Quem selecionar o alimento do imprestável, ou quem tiver perante si dois tipos de alimentos e separar um do outro com peneira fina ou com peneira grossa, é passível; com utensílio de fibras vegetais trançadas, ou com bandeja, é isento. Se separar por sua própria mão para comer logo, é permitido.

13 Se separar o imprestável dentre o alimento, é passível. Se separar tremoços de sua própria côdea, í passível, pois tal faz com que se tornem adocicados durante seu cozinhamento, pelo que a pessoa achar-se-á separando a côdea do alimento, pelo que é passível.

14 Se separar o alimento por sua própria mão, e deixá-lo, mesmo que seja para mais tarde naquele mesmo dia, faz-se como que estivesse separando para armazenamento, pelo que é passível. Caso tenha a pessoa perante si dois tipos de alimento, pode separar um do outro e colocar de lado, mas para comer de imediato. Se separar e deixar para depois de algum tempo, mesmo naquele mesmo dia, como por exemplo quem separa de manhã para comer ao atardecer, é passível.

15 Se coar vinho, óleo ou água - bem como demais líquidos - em seu filtro próprio (*) em especial, é passível. Isto, desde que haja filtrado a quantia equivalente a uma "gerogêret". Mas pode-se coar o vinho no qual não haja conservativos ou a água limpa em lenços ou em cesto egípcio, para que se tornem lípidos em excessividade. Pode-se despejar água sobre os vinhaços para que se enbranqueçam. Pode-se despejar o ovo batido em peneira de mostarda para que se torne claro. Quanto à mostarda batida desde a véspera do chabat, pode-se amassá-la [no chabat], seja com as próprias mãos, seja por meio de utensílio. Também o vinho novo todo o tempo em que ainda esteja em fase de fermentação - pode-se revolver o barril com o mosto, e despejar sobre lenços - pois ainda não separaram-se bem os vinhaços do vinho, sendo todo o vinho uma coisa só. Assim também a mostarda, e tudo o que a isto se assemelhe.

16 Quem moer a quantidade equivalente a uma "grogêret" de temperos ou especiarias, é o que acha-se executando a ação [proibida] de moenda, e é passível. Se cortar uma verdura colhida, efetua a ação derivada de moenda. De mesmo modo, o que serrar uma madeira para usufruir da fuligem, ou o que limar um metal - são passíveis por qualquer quantidade. Quanto ao que corta madeira, não é passível enquanto não houver cortado diminutos pedaços no tempo suficiente para o cozinhamento de uma parte equivalente a aproximadamente um terço de um ovo. Quanto ao que peneirar a quantidade de um figo ressecado, é passível.

17 O que amassar a quantia equivalente a uma gerogêret, é passível. O que fizer massa de terra (*) executa uma ação derivada de amassar. Qual é a medida neste caso? - o suficiente para construir a boca de um forno para refinamento metálico. Não há trabalho de amassamento em cinza, nem em areia grossa, tampouco em cascas de cereais e semelhantes (*) que se achem boiando sobre a água, ou semelhantes. Quanto ao que introduzir sementes de linho ou similares à água, é passível, pois elas se misturam e grudam-se umas às outras.

Capítulo 9

01 Quem panificar a quantidade equivalente a uma "gerogêret", é passível. Tanto o que panificar quanto o que cozinhar o alimento ou as tinturas, ou o que esquentar água: é tudo um mesmo caso. A medida para o esquentamento da água: a quantidade suficiente para lavar com ela um membro de uma criança. Quanto à medida para o cozinhamento das tinturas, o suficiente para que estejam adequadas para a coisa para o qual são cozidas.

02 Se alguém colocar um ovo ao lado do recipiente aquecedor de água, e este for cozido, é passível, pois o cozinhar no calor gerado pelo fogo é equiparado ao cozinhar no calor do próprio fogo. De modo similar, quem derramar água quente sobre "Qôlias ha-ispanin" - que é um peixe fino e demasiadamente macio, é passível - pois sua lavagem com água quente é o término de seu cozinhamento. Assim, tudo o que se assemelhe.

03 Se alguém quebrar um ovo sobre um tecido quente ou sobre a areia ou pó dos caminho, que são quentes devido ao calor solar, mesmo que este se asse, é patur, pois o calor gerado pelo sol (*) não é o mesmo que o calor gerado pelo (*) fogo. Mas, decretaram proibição, devido ao calor gerado pelo fogo. Assim também o que cozinhar nas caldas de Tiberíades, e em semelhantes, é isento.

04 Se um proporcionar o fogo, outro colocar a lenha, outro colocar a panela, outro a água, outro a carne, outro o tempero, e outro revolver [o conteúdo da panela] - Todos são passíveis por cozinhamento - pois todo o que fizer algo do que for necessário para o cozinhamento, efetua a ação de cozinhar. Mas se um colocar a panela, outro despejar nela a água, outro colocar a carne, outro os temperos, e vir um e colocar lenha no fogo, e outro revolver o cozido, somente os dois últimos são passíveis por cozinhar.

05 Se alguém colocar carne sobre brasas e esta assar-se na quantidade equivalente a um figo seco - mesmo que seja em dois ou três locais (*) diferentes - este é passível. Se não assar-se a carne a quantidade de um figo seco, mas fazer-se cozida médio cozinhamento, é também passível. Se cozinhar-se a carne médio cozinhamento em apenas um dos lados, é isento, até que vire-a para o outro lado e cozinhe-se médio cozinhamento por ambos os lados. Quem esquecer e colocar pão para assar no forno no chabat, se lembrar-se que fizera algo proibido, permite-se que retire-o antes de sua panificação.

06 Quem fizer derreter um metal, ou quem aquecer o metal até que se torne uma brasa, efetua uma ação derivada de cozinhamento. Do mesmo modo o que derrete a cera, ou o sebo, ou o piche, ou o asfalto, ou o enxofre e semelhantes, efetua derivação de cozinhamento. De modo similar o que cozinhar utensílios de barro até que tornem-se louça, é passível por cozinhar. Regra geral: tanto o que queimar de algo duro no fogo, ou o tornar duro algo mole, é passível por cozinhamento.

07 Quem tosquiar a lã ou o pelo - seja de animal silvestre ou campestre, do vivo ou do morto, e mesmo simplesmente da pele deles já separada do corpo - é passível. E, qual a medida para que se torne passível quem tosquiar? - o suficiente para a fabricação de um fio cujo comprimento é equivalente à largura de um "sit" duplo. Qual a largura do "sit"? - o suficiente para retesar um fio desde o polegar ao dedo indicador, ao abrir o espaço entre eles o máximo possível. Aproxima-se esta medida a dois terços de uma "zêret". Quem depenar uma asa de ave efetua a ação de tosquia. O que trançar a lã de um animal vivo é patur pois não há nisto forma comum de tosquia, nem há nisto forma comum de embranquecimento da lã, nem tampouco de trançar para fazer fios.

08 Cortar unhas, cabelo, bigode ou barba é "toladá". Isto, se retirar [cabelo, bigode, barba ou unhas] com uso de utensílios. Mas se fizer pelas próprias mãos, seja para si ou para outrem, é patur. De modo similar, é isento o que cortar um calo de seu corpo - seja com a mão ou com uso de utensílio, seja para si ou para outrem - é isento. No Templo, é permitido cortar o calo com a própria mão, mas não com utensílio. E, se for seco, pode cortar mesmo com utensílio, e exercer sua função [sacerdotal].

09 Corte de cabelo com utensílio - qual a medida para que a pessoa seja passível? - dois fios de cabelo. Mas, se tirar cabelos brancos dentre os pretos, mesmo que seja um só, é passível.

10 Em caso de uma unha se desgarrar em sua maior parte, ou de pequenos filetes de pele desgarrados em sua maior parte - caso estejam levantados e causando angústia - pode-se tirar com a própria mão, mas não cortar com utensílio. E se tirar com uso de utensílio, é patur. Se, entretanto, não causam angústia, é proibido tirar, mesmo com a mão. E se não estiver [a carne ou a unha] desgarrada em sua maior parte, mesmo que lhe cause angústia - é proibido tirar por sua própria mão - e, caso tirar com utensílio, é passível.

11 Quem esbranquiçar a lã, o linho ou o carmesim, e tudo o que se assemelhe a estes em concernência à forma de alvejá-los, é passível. Qual a medida para a passibilidade? - o suficiente para fabricar um fio cujo comprimento seja equivalente ao dobro de "sit", que são quatro "tefaĥim". Lavagem de roupas é derivado do trabalho de embranquecer, pelo que quem o fizer é ĥaiav. Quem torcer a roupa até tirar dela a água efetua [algo do] trabalho de lavagem, pelo é passível, pois torcer faz parte dos elementos necessários para a lavagem, assim como o revolver a panela faz parte das ações necessárias para o cozinhamento. Não há trabalho de torcedura no que concerne ao cabelo, e a mesma lei é também para a pele, sobre a qual não há passibilidade por torcer.

12 Quem cardar a lã, o linho ou o carmesim, e semelhantes, é passível. Qual a medida para a passibilidade? o suficiente para que se faça um fio cujo comprimento seja quatro "tefaĥim". O que o faz com tendões para que se tornem semelhantes à lã para que se tornem apropriados para deles fazer fios, realiza ação derivada de cardar, e é passível.

13 Quem tingir um fio cujo comprimento for quatro tefaĥim, ou qualquer coisa do qual seja possível dele fazer um fio assim, é ĥaiav. O que tinge não é passível enquanto não tingir com algo que possa a tintura subsistir. Se, porém, tingir com algo no qual não há subsistência alguma, como por exemplo se alguém pincelar com "seraq" ou "chachar" sobre ferro ou cobre, e tingir, é este patur, pois por aquele momento estará tingido, mas nada da tinta subsistirá. Tudo cuja ação não se subsista no chabat, o que efetuar é isento.

14 Se alguém produzir a tinta em si, é isto ação derivada de tintura, pelo que é ĥaiav. Por exemplo: se alguém colocar "qalqanatos" em "mê-'afatsá", produzindo o negro, ou anil em sumo de açafrão, produzindo o verde, e assim tudo o que se assemelhe a estes casos. Qual a medida [para que seja passível]? - o suficiente para tingir um fio de quatro "tefaĥim".

15 Quem fiar o comprimento de quatro "tefaĥim" de qualquer coisa do qual possa-se fazer fios, é ĥaiav. Tanto faz se fiar de lã, ou do linho, ou de cabelo, ou de penas, ou de tendões, ou tudo o que se assemelhe a estes. O feitio do feltro é "toladá" de fiar, pelo que é passível quem o fizer. Isto, no caso em que fizer feltro do qual seja possível fiar dele quatro "tefaĥim" em largura mediana.

16 Quem retesar dois fios no tear é ĥaiav. Quem fizer uma peneira, uma joeira, um cesto, um enredado ou tecer uma cama de cordas, efetua uma ação derivada de tear, e a partir do momento em que fizer duas casas como uma só de todos estes é passível. De modo similar, todo o que fizer duas casas de algo do qual se faz casas conforme estes, é passível.

17 O costume dos tecelões é retesar os fios antes do tecer no comprimento da cortina e na largura. Dois seguram ambas as extremidades, e um bate com uma vara os fios, juntando-os corretamente um ao lado do outro, até que se faça o tecido todo vertical sem horizontal. Retesar os fios segundo a forma dos tecelões é o fazer a tela, e este que retesa é o chamado "mossêkh". Quando dobram a tela, e principia um deles a meter os fios entre os outros na horizontal, este chama-se tecedor.

18 Quem efetuar o trabalho do "mossêkh" é passível. Esta é a ação-raiz". O bater nos fios para que se desenrosquem e juntem-se consertadamente é derivado do trabalho de "mossêkh". Qual a medida [para a passibilidade]? - desde que conserte a largura de dois dedos. De mesmo modo, o que tecer dois fios na largura de dois dedos, é passível. Tanto se fizer a ação de tecer a princípio, e se a roupa já encontrar em parte tecida, e tecer sobre o tecido, a medida é dois dedos. E, se tecer um fio só e terminar a roupa, é passível. Se tecer na extremidade da cortina dois fios na largura de duas casas, é passível. A que isto se assemelha? - a alguém que tecer um pequeno cinto com a largura de três casas.

19 O que ordena os fios e os separa uns dos outros no momento da tecelagem, efetua uma ação derivada deste trabalho. Assim também o que trança fibras, executa uma ação derivada de tecelagem. A medida [para passibilidade]: desde que trance no comprimento de dois dedos.

20 Quem romper dois fios, é ĥaiav. O que executa a ação de ruptura é aquele que separa o tecido. Seja no caso em que retirar o fio horiontal do vertical, ou que fizer passar o vertical sobre o horizontal, este efetua ruptura, e é passível. Isto, desde que não esteja fazendo estrago, senão tenha a intenção de consertar, como fazem os que costumam cerzir as roupas das mais levianas, que rasgam para em seguida cerzir, tornando a tecer os fios partidos, até que se façam os dois panos ou os dois farrapos uma única peça. O que destrói um trançado para consertar, executa uma ação derivada de ruptura. Sua medida [para que seja passível] é a mesma do ruptor.

Capítulo 10

01 Quem atar um nó subsistente, que é o feitio do profissional, é passível. Por exemplo, como o nós dos cameleiros, o nó dos marinheiros, e o nó dos sapateiros e fabricadores de sandálias, que amarram os trabalhadores de peles no momento da fabricação, e tudo o que se assemelhe. Quem, porém, fizer um nó subsistente que não for feitio de artífice, é patur. Quanto ao nó que não subsiste, nem é trabalho de artífice, é permitido atar a priori.

02 Caso desprenda-se uma correia e atá-la, rebentado uma corda e amarrá-la, ou amarrar uma corda em um balde, ou as rédeas a um animal - é nestes casos todos patur - e assim em todos os nós que se assemelhem a estes, que são nós de pessoas comuns que todos fazem com subsistência. Quanto a todo nó que não for subsistente, fazê-lo como nó de artífice é proibido.

03 Pode a mulher atar as aberturas de sua túnica, ou mesmo se este dispor de duas aberturas, e os fios do lenço, mesmo que o lenço seja lasso. Tiras de sapatos ou de sandálias que se amarram aos pés ao calçá-los, cântaros de vinho ou óleo, mesmo que este disponha de duas asas, e panela de carne, mesmo podendo tirar a carne dela sem precisar desatar o nó. Pode-se amarrar um balde com um cordel ou tira de pano ou semelhantes, mas não com uma corda. Pode-se atar uma corda diante do animal, ou atar seus pés um ao outro, para que não saia, e mesmo que ate as duas amarras. Quanto à corda presa à vaca, pode ser atada à manjedoura, e a atada à manjedoura, pode-se atar à vaca. Todavia, não pode trazer uma corda de casa e amarrar com ela a vaca à manjedoura, ou a manjedoura à vaca, a não ser que seja corda de "gardê". Por serem todos estes nós comuns, e não consistentes, que pode atar ou desatar quando bem quiser, é permitido, portanto, atá-los a priori. Os pendentes de tâmaras e figos ressecados podem ser desfeitos seus nós, ou partir, ou cortá-los, afim de retirar deles para os ingerir.

04 Tudo o que for apropriado para servir de alimento animal, pode-se amarrar no chabat. Portanto, se desprender-se uma correia de sua sandália no chabat em "carmelit", pode-se pegar uma goma humente que sirva para alimento animal e envolver a sandália, amarrando a goma. Se soltarem-se correias do sapato ou sandália, ou a maior parte do pé, é permitido devolvê-las a seu lugar, contanto que não as amarre.

05 O laço é permitido, por não se confundir com o nó. Portanto, se uma corda se partir, pode-se unir suas extremidades [partidas], pegar uma tira e envolvê-la, fazendo um laço sobre as extremidades com a tira.

06 É permitido atar um nó não consistente para algo preceitual, como por exemplo, para medir uma das medidas da Torá. A corda de um "kinor" que partir-se pode ser reatada no Templo, mas não nos demais lugares. A priori, não se deve reatar uma corda destas nem mesmo no Templo.

07 Todo nó sobre o qual incorre-se em penalidade por atá-lo, assim também incorre caso o desfazer. Assim também, todo nó que quem o fizer for isento, isento é também quem o desatar. E, todo nó permitido que se ate, é permitido também o desatar.

08 Quem fiar cordas de folhas, de "ĥêlef", de fios de lã, de fios de linho, de fios de cabelo, e semelhantes, efetua uma ação derivada de atar, pelo que é passível. A medida para a incorrência em penalidade é o suficiente para que o fio seja subsistente sem precisar de nó para tanto. Todo o que desfizer um fio, é igualmente passível, desde que não esteja interessado em simples estrago. Sua medida, é equivalente à do que fia.

09 Quem costurar duas casas de costura é passível, e isto se amarrar ambas as extremidades da linha para que a costura subsista, e a linha não escape. Mas se cozer mais que duas casas, mesmo que não fizer o nó nas extremidades da linha, é passível, pois a costura é subsistente. Quem retesar um fio de costura no chabat é ĥaiav, pois encontra-se efetuando algo do necessário para a costura.

10 Quem rasgar com a finalidade de costurar duas casas de costura, é ĥaiav. Quanto ao que rasga com intenção de desperdício, é patur, por estar causando estrago. A pessoa que rasgar algo por ira, ou por um morto sobre o qual é obrigado a rasgar sua roupa, é passível, pois com esta ação a pessoa se sente melhor, descansando sua impetuosidade. Já que se abranda sua ira nisto, a pessoa se acha consertando, pelo que é passível. A pessoa que diminuir a gola da veste no chabat é passível.

11 Quem colar papéis ou peles com cola de escribas, ou semelhantes, efetua uma ação derivada de costura, pelo que é passível. Similarmente, quem separar papéis colados, ou peles coladas, sem ter tido intenção somente de danificar, realiza uma ação derivada de rasgar.

12 Quem construir qualquer quantidade é ĥaiav. Quem equalificar o solo em casa, como por exemplo, quem derrubar uma colina ou preencher de terra um vale, constrói, pelo que é passível. Se um der a pedra, outro, a massa - este que deu a massa é o passível. Se na cobertura superior, mesmo se levantar a pedra e colocá-la sobre a massa, é passível, pois não é preciso colocar sobre ela massa. Mas quem construir sobre utensílios é patur.

13 Quem armar uma tenda permanente - que é execução de ação derivada de construção - é passível. Assim também o que fabricar utensílios de argila, como forno ou pote, antes de serem queimados, efetua uma ação derivada de construção, pelo que é passível. Assim o que faz endurecer ao queijo, realiza uma ação derivada de construção, e é passível - mas não é, enquanto não fizer a quantia equivalente a um figo seco. Quem meter um cabo na enxada efetua uma ação derivada de construção. Assim, tudo o que se assemelhe. De modo similar, todo o que mete uma madeira na cavidade de outra, seja com prego, seja a madeira mesma, efetua ação derivada de construção, e é passível.

14 Alguém que abra um orifício de qualquer tamanho em um galinheiro, para que por ele ultrapasse a luz, é passível por construir. O que repor a porta [que serve de cobertura] de um poço, ou de local subterrâneo, ou de galeria, é passível por construir.

15 Quem destruir qualquer quantidade é passível, isto desde que destrua afim de reconstruir. mas se destruir por danificação, é isento. Quem desarmar uma tenda permanente, ou retirar uma madeira de seu encaixe, é passível por efetuar destruição, e é passível. Isto, caso tenha a intenção de conserto.

16 Quem der golpe de martelo, e assim todo o que fizer algo que for o necessário para o término de um trabalho, é tal ação derivada de golpear com martelo. Como assim? - por exemplo, se fizer utensílios de vidro, ou se der a algum utensílio forma, mesmo em parte, é passível por efetuar ação derivada de golpe de martelo.

17 Quem espremer a abertura de um ferimento com a finalidade de aumentar a confluência do mesmo, conforme o costume médico, os quais fazem-no com intenção medicinal, é passível por golpear com martelo, por ser este um trabalho médico. Mas se fizer somente para extrair o pus no chabat, é permitido.

18 Quem lapidar uma pedra qualquer quantia, é passível por golpear com martelo. Se encaixar uma pedra em algum fundamento de construção, colocando-a com exatidão no local onde deve estar, é passível por golpear com martelo. Alguém que remover por sua própria mão um caroço de roupas, como os caroços que se desenvolvem [especialmente] em roupas de lã, é passível por golpear com martelo. Isto, no caso de fazer-lhe caso. Mas se o retirar ocasionalmente, é isento. Quem sacudir uma roupa preta nova com a intenção de embelezá-la, retirando dela o amarelado claro que a ela se apega, como fazem os artífices, incorre em obrigação de imolar sacrifício ĥatat. Se, porém, não lhe dá importância, é permitido que o faça.

19 Quem caçar algo que é o costume que seja caçado, como por exemplo animais, aves ou peixes - e isto caso haja caçado fazendo com que entrem em determinado lugar no qual é desnecessário preparar armadilha - como no caso em que perseguir um cervo até que este entre em uma casa, jardim caseiro ou quintal, fechando a porta após ele - ou se fizer voar certo pássaro até que este entre em um grande armário, fechando após ele - ou se retirar um peixe do mar usando um copo d'água - é passível. Mas caso haja feito voar o pássaro para uma casa, fechando-a, ou lançar um peixe diretamente do mar - tirando-o do mar - diretamente para uma piscina, ou se perseguir um cervo até que entre em um espaçoso triclínio, fechando-o após - é isento, pois não trata-se de caçada completa, pois ao tentar segurá-lo, é preciso perseguir [novamente], caçando-o ali. Portanto, quem caçar um leão não é passível, enquanto não obrigá-lo a entrar numa jaula, onde possa estar preso.

20 Todo local no qual correr pode alcançar o animal em um movimento, ou que as paredes forem tão próximas uma da outra que suas sombras possam estar no centro a um tempo, é considerado um local pequeno. Se fizer afugentar o cervo ou semelhantes para seu interior, é ĥaiav. Local maior que este - quem afugentar o animal para seu interior é patur.

21 Tanto qualquer um dos oito "cheratsim" citados na Torá, quanto os demais "cheqatsim" e "remassim" os quais possam ser caçados - quem caçar um deles, por necessidade ou não, como para uso em diversão - é passível, pois teve a intenção de caçar. Isto, porquanto o trabalho no qual não haja necessidade na efetuação do trabalho em si, é passível por ele. Se caçar o adormecido ou o cego, é passível.

22 O que atiça cachorros para que cacem cervos ou lebres, ou semelhantes, e fugir o cervo do cachorro, e perseguir o cervo, ou colocar-se perante ele e assustá-lo, até chegar o cachorro e pegar, é passível, pois isto é uma "toladá" de caça. Assim também quem o fizer em concernência a aves.

23 Se entrar um cervo em uma casa, e alguém fechar a porta após, é este passível. Se duas pessoas fecharem, são "peturim" ambos. Se, porém, qualquer um deles sozinho não tem capacidade de fechar a porta, e fecharam-na em conjunto, são "ĥaiavim". Se assentar-se uma pessoa à porta, e não preencher toda a área vazia da porta, e vir um segundo e preencher o restante, é o segundo passível. Se assentar-se o primeiro e preencher, e vir o segundo e sentar-se a seu lado, mesmo que o primeiro levantar-se e ir-se, é o primeiro o passível. O segundo nada fez, e é-lhe permitido ficar sentado até o anoitecer e pegar o cervo. A que se assemelha isto? - a alguém que fecha sua casa para guardia da casa, e um cervo já achava-se dentro dela, que este não fez nada. Se vier um pássaro e colocar-se sob sua proteção, pode sentar-se e conservá-la guardada até o escurecer, e é permitido.

24 Quem caçar um cervo envelhecido, ou coxo, ou doente, é isento. Se alguém soltar animal doméstico ou campestre de uma armadilha, é isento. Se caçar animal ou ave que já se achar em sua propriedade, como por exemplo cisnes, frangos ou pombos domésticos, é isento. Se caçar espécimes nos quais a caça não é algo comum, como gafanhotos, grilos ou mosquitos, pulgas e semelhantes a estes, é patur.

25 Rastejantes perniciosos como serpentes, escorpiões e semelhantes, mesmo quando não são mortíferos, por picarem, é permitido sua caça, e isto por ser sua intenção unicamente o fugir à picada. Como deve fazer? - debruçar sobre eles um utensílio, ou contorná-los com algo, ou amarrá-los, com a intenção de que não causem dano.

Capítulo 11

01 Quem degolar [no chabat] é ĥaiav. E não somente o que degola, senão todo o que ceifar a vida de qualquer tipo de animal, ave, peixe ou inseto. Tanto faz por degola, como por axfixiamento, como por golpes, ĥaiav. O que enforca um ser vivo até que este morra, efetua uma toladá de cheĥitá. Portanto, se tirar um peixe de um utensílio cheio de água e depositá-lo fora dele até que morra, é ĥaiav por asfixiamento. Isto, não somente até que morra, senão se chegou a secar-lhe as nadadeiras como uma rocha, ĥaiav, pois já não poderá sobreviver. [Semelhantemente causando a morte,] se introduzir a mão no ventre de um animal e mover-lhe o feto em seu interior, ĥaiav.

02 Insetos que se procriam por acasalamento entre macho e fêmea de sua espécie, ou cuja existência [vital] deriva do pó como as pulgas, se matar um deles, ĥaiav. Quanto aos insetos cuja existência deriva dos excrementos e dos frutos apodrecidos, e similares, como os vermes da carne [em estado de putrefação] e os vermes que acham-se no interior dos grãos, quem os mata é patur.

03 A pessoa que separa seus utensílios [indumentários] durante o chabat, recolhe os piolhos e lança-os. É permitido matar os piolhos no chabat, por serem originários do suor.

04 Animais e répteis que mordem e causam a morte com certeza, como a mosca do Egito, a vespa de Nínive, o escorpião de Ĥadiv, a serpente da Terra de Israel, e o cachorro raivoso em todo lugar, é permitido matá-los no chabat, no mesmo instante em que forem vistos. Quanto a todos os demais seres perniciosos, caso achem-se perseguindo a pessoa, é permitido matá-los; mas, em caso de se acharem em seu próprio lugar, ou fugindo da pessoa, é proibido matá-los. Se, porém, pisou neles ao andar normalmente, matando-os, é isto permitido.

05 O que pela o animal para preparar um qamêi'a, ĥaiav. O que trabalha a pele para preparar um qamêi'a, ĥaiav. Tanto o que trabalha a pele, quanto o que a salga, pois o salgar é uma forma de trabalhar a pele. Não há "trabalho" [relativo ao trabalhar a pele, ou em semelhança a isto] em [designados para] alimento. Semelhantemente, o que faz raspagem de pele para preparar um qamêi'a, ĥaiav. Quem é o que faz "raspagem"? - aquele que tira o pelo ou a lã da pele após a morte [do animal] até tornar lisa a parte superior da pele.

06 O que separa o dokhsostos de sobre o qelaf realiza uma toladá de pelar o animal, e é ĥaiav. O que pisa sobre a pele até que se endureça, como fazem os curtidores de peles fazem, ou que repuxa a pele, ou o que a faz macia por suas mãos e puxa, igualando-a, conforme fazem os curtidores, efetua uma toladá de curtimento, e é ĥaiav. O que extrai uma pena de um membro avícola, efetua a toladá de raspagem, e é toladá. Similarmente, o que untar [a pele animal] com qualquer tipo de pomada, ou com cera, ou com piche, ou com semelhantes em coisas que servem para engraxar até que a pele esteja lisa, efetua a toladá de raspagem, e é ĥaiav por fazer raspagem. O mesmo concernente ao que lixar a pele esticada entre as colunas com as próprias mãos, é ĥaiav por efetuar raspagem.

07 O que cortar a pele de um animal para o feitio de um qamê'ia é ĥaiav, e isto, desde que tenha em sua intenção a medida de comprimento e largura [da pele cortada], havendo cortado com intenção, pois é esta a ação proibida. Se porém, cortar estragando, ou sem que tenha em sua mente determinada medida, ou por ocupar-se, ou como quem está brincando, é patur. Quem recortar a ponta [da pena] realiza uma toladá de ação de cortar, pelo que é ĥaiav (*). O que lixar a extremidade de uma haste de cedro é ĥaiav por efetuar a ação de cortar. De igual modo, o lenhador que cortar uma lasca de qualquer espécie de madeira, ou o ferreiro que cortar um pedaço de qualquer metal, é ĥaiav por efetuar a ação de cortar. Quem pegar uma lasca de madeira e a partir para palitar os dentes, ou para abrir usando-a a porta, é ĥaiav.

08 Tudo o que for apropriado para ser alimento animal, como a palha, ervas verdes, ou "hutsin", ou semelhantes a estes, Pode-se cortá-las no chabat, por não haver nisto conserto de utensílios. Mas, pode-se partir madeira de especiarias para sentir seu olor, mesmo que sejam endurecidas e secas. E pode tirar delas o quanto quiser, seja uma lasca grande, ou pequena.

09 O que escrever [no chabat] duas letras, é ĥaiav. Quem apagar algo escrito com a intenção de escrever no lugar apagado duas letras, é ĥaiav. Se escrever uma letra grande cuja extensão equivale a duas letras normais, é ĥaiav. Se escrever apenas uma letra e com ela terminar um livro, é ĥaiav. O que escrever com intenção de estragar o pergaminho, é ĥaiav, pois não leva-se em conta o lugar [estragado] da escrita, senão a escrita em si. Mas, o que apaga para estragar, é patur. Se derramar tinta sobre o livro, e apagar a tinta, ou se derramar cera sobre o caderno, e a apagar, se houver em seu lugar o suficiente para escrever duas letras, é ĥaiav.

10 Quem escrever uma letra duplicada, que é sua duplicação por si mesma um nome, como "rar", "tat", "gag" é ĥaiav. Se escrever em qualquer tipo de escrita e em qualquer idioma (*), é ĥaiav. E, mesmo duas letras para servirem de sinais de elo em junção. Quem escrever uma letra demasiado junto à escrita, ou sobre ela, ou quem teve a intenção de escrever uma letra "ĥet", e escrevera duas letras "záin" (*), e assim nas demais letras, ou a pessoa que escrever uma letra no chão, e outra na viga, que não se lêem juntas, ou quem escrever duas letras em diferentes páginas do caderno, que não possam ser lidas em conjunto, em todos estes casos é patur. Se escrever em duas esquinas ou em duas páginas do caderno, e possam ser lidas em conjunto, é ĥaiav.

11 Se tomar alguém um "gevil" e escrever nele uma letra numa cidade, e for no mesmo dia para outra cidade e em outro rolo escrever outra letra, é ĥaiav, pois ao juntá-los poderão ser lidos em conjunto, e não há algo que possa impedir que sejam juntados [futuramente].

12 Se alguém escrever uma só letra, mesmo que dela possa ser lida uma palavra inteira, é , como no caso de alguém escrever "Mem", e todos lêm "ma'asser", ou que escrevera para indicar quantidade numérica, pois ela é equivalente ao número 40, que é como se houvesse escrito "quarenta", é patur. O que corrige uma letra, transformando-a em duas, como por exemplo no caso de haver dividido a parte superior da letra "ĥet" (*) transformando-a em duas letras "záin", é ĥaiav. Assim, tudo o que a isto se assemelhar.

13 Quem escrever usando-se de sua esquerda, ou por forma inusual, [como] usando o pé, a boca ou o cotovelo, é patur. Se um canhoto escrever com sua mão direita, que é para si a esquerda, é patur. Se, porém, escrever com sua esquerda, é ĥaiav. O ambidestro sem distinção entre a capacidade da destra e da sestra, se escrever - tanto faz com a direita como com a esquerda - é ĥaiav. Um menor que segurar uma pena enquanto o maior escreve segurando sua mão, é ĥaiav; o maior que segurar uma pena e o menor, segurando sua mão, é patur.

14 O que escrever não é ĥaiav enquanto não escrever utilizando-se de material permanente, no qual a escrita se mantenha, como tinta, carvão, "siqrá", "qômus", "qalqanátos" e similares a estes, se escrever usando-se de algo no qual a escrita subsista, como pele, pergaminho, papiro e madeira, ou semelhantes. Mas, se escrever com algo cuja escrita não subsiste, como bebidas ou líquidos frutíferos, ou se escrever com tinta sobre folhas de verduras, ou sobre tudo o que não tem subsistência, é patur. Não será ĥaiav, enquanto não escrever com algo subsistente, em algo subsistente. Assim também, o que apagar não é ĥaiav até que apague algo subsistente de um lugar subsistente.

15 Se escrever sobre sua própria carne, é ĥaiav, por estar escrevendo sobre pele. Mesmo que o calor de sua carne apague a escrita após algum tempo, isto é comparado a algo escrito que se apagara por si mesmo [devido ao tempo e envelhecimento]. Mas o que arranha a própria carne com o formato de escrita, é patur. O que rasgar a superfície da pele pelo formato de escrita, é ĥaiav por escrever, e o que rabisca sobre a pele semelhante a forma escrita, é patur.

16 Quem põe tinta sobre o [escrito de] "siqrá" é ĥaiav por duas ações proibitivas: uma, por apagar; outra, por escrever. Se colocar tinta sobre tinta [da mesma espécie e cor] ou "siqrá" sobre "siqrá", ou "siqrá" sobre tinta, é patur.

17 Rabiscar é toladá de escrever. Como assim? a pessoa que fizer rabiscos ou formas com antimônio ou com "chachar" segundo o método dos pintores ao rabiscar, é este ĥaiav por escrever, e o mesmo com quem apagar o rabisco com a intenção de conserto: é isto toladá de apagar, e é ĥaiav.

18 O que esboçar uma linha para escrever duas letras abaixo, é ĥaiav. Os madeireiros que fizerem uma linha de "siqrá" sobre a viga para que possam serrar com equivalência, é toladá de esboçar. Assim também os cantareiros que fizerem o mesmo para com as pedras para dividi-las por igual. Tanto o que esboça com tinta, quanto o que esboça sem tinta, ĥaiav.

Capítulo 12

01 Quem acender fogo qualquer que seja, é passível. Isto, desde que necessite da cinza. Mas caso haja acendido para simples estrago, é isento, por estar danificando. Se incendiar um conjunto de feixes de cereais de seu próximo, ou sua habitação, é passível, e mesmo danificando, porquê nisto tem o interesse de vingança de seu inimigo, e acalma-se, aliviando nisto sua ira. Assemelha-se nisto ao que rasga sua roupa por um falecido, ou por ira, que é passível, ou ao que golpear a seu próximo em luta. Todos estes encontram-se consertando no que pertine a seu mal ímpeto. Assim o que acender uma lâmpada, ou madeira, seja para esquentar-se ou para iluminação, também este é passível. Se esquentar um ferro para temperá-lo na água, é esta ação derivada de acendimento, pelo que é passível.

02 Quem apagar qualquer quantia que seja, é passível. Tanto o que apagar uma vela quanto o que apagar uma brasa de madeira. Quanto ao que apagar uma brasa de metal, é este isento. Se, porém tiver a intenção de dar têmpera, pois assim fazem os ferreiros, que aquecem o ferro até que se faça brasa incandescente, e apagam-na em água, afim de endurecê-lo, é neste caso passível, pois trata-se de ação derivada de apagar. É permitido apagar uma brasa de metal que se ache no recinto público, afim de evitar que cause dano ao público. Quem colocar óleo em uma lâmpada já acesa, é passível por acender. Quem retirar do óleo da lâmpada para seu uso, é passível por apagar.

03 Incêndio que se der no chabat, quem apagar por causa de prejuízo monetário é passível, pois o prejuízo pecuniário não é desfaz o chabat, senão unicamente perigo vital. Portanto, retira-se pessoas, para que não morram, e quanto ao fogo, deixa-se que continue flamejante, mesmo que queime toda a cidade.

04 Mas pode-se fazer uma murada de toda sorte de utensílios para que o fogo não ultrapasse. Mesmo utensílios novos de argila cheios de água podem ser colocados como parede, apesar de que eles se rompem com certeza e apagam o fogo. Pois causar que se apague é permitido. E, pode-se colocar uma tigela por sobre a lâmpada para evitar que o fogo atinja uma viga.

05 Caixa, creado-mudo ou um grande armário, atingidos por fogo, traz-se uma pele de cabrito, ou semelhante a isto de coisas que sejam anti-ígneas, e estende sobre o local onde ainda não se queimou, para que o fogo não possa transferir-se a ele.

06 Roupa na qual se apegara o fogo pode aberta e cobrir-se com ela, e se o fogo apagar-se, não há nada de mal nisto. Um sêfer Torá atingido pelo fogo pode-se despejar água pelo lado onde ainda não chegou o fogo, e se apagar-se, nada de mal há. Em caso de esquecimento de uma lâmpada acesa sobre alguma tábua, pode-se balançar a tábua, ocasionando sua queda; se apagar, nada há nisto. Mas se foi colocada ali desde a véspera, mesmo que apagar-se, está proibido transferí-la de seu lugar.

07 Se vier um gentio com a intenção de apagar, não pode-se dizer-lhe: "- Apague!", ou: "-Não apague!", pois não somos ordenados com respeito a tudo o que concerne a seu feitio ou não feitio de qualquer ação no chabat. Se, porém, um menor de idade [judeu] quiser apagar, não pode-se ouví-lo no que concerne a seu intento no caso em que esteja fazendo isto por consentimento de seu pai. Se, porém, fizer isto por si mesmo, o bet din não pode ordenar que impeçam-no. Em caso de incêndio, permitira-se que se lhe diga assim: "- Todo o que apagar, não será prejudicado em perda alguma!"

08 Transportar de um recinto a outro é um dos "trabalhos-raízes". Apesar de este pormenor, assim como todas as demais coisas essenciais da Torá, hajam sido ditas a nós pela boca do próprio Moisés, no escrito da Torá ele diz [simplesmente]: "Nenhum homem, e nenhuma mulher faça mais algum trabalho para oferenda de santidade. O povo, então, cessou de trazer." - Ex 36:6 Eis que disto aprendes: o transporte é no escrito chamado trabalho. Assim, aprendemos através da "chemu'á" que o que transfere algo em recinto público desde o princípio de quatro côvados até sua extremidade, é comparado a quem retira de um recinto a outro, pelo que é passível.

09 O que transporta de um recinto a outro não incorre em passibilidade enquanto não transportar a quantia útil respectiva, seja do recinto particular ao recinto público, ou do público ao particular, erguendo de um e depositando no outro. Se, porém, erguer e não depositar, ou depositar sem haver levantado de seu lugar, ou efetuar tal transporte sem a quantia estipulada, é isento. De modo similar, se transportar desde o princípio de quatro côvados até sua extremidade, no recinto público, não é passível enquanto não retirar a quantia estipulada de uma extremidade a outra.

10 Quem atirar, ou estender, de um recinto a outro, efetua a ação derivada de transporte, pelo que é passível. Se atirar por forma incomum, é isento.

11 Alguém que retirar algo de um destes dois recintos parcialmente para o segundo recinto, é isento, até que retire todo o objeto de um recinto para outro. Um recipiente cheio de objetos, mesmo que seja cheio de mostarda, se retirar sua maior parte de um recinto a outro é isento, e assim tudo o que for similar, pois o recipiente faz com que todo seu conteúdo seja tido como um único objeto. O que retirar - seja por sua destra ou esquerda, entre sua roupa e seu corpo, ou se retirar dinheiro envolto em seu manto, é passível - pois retira segundo a forma usual. De igual modo se retirar em seu ombro, é passível, mesmo estando sua carga mais alta que dez [tefaĥim], do recinto público, por ser esta a forma pela qual os filhos de Qehat transportavam as cargas do Tabernáculo, acima de dez tefaĥim, como está escrito: "...Em seus ombros levavam..." - Nm 7:9. E, todos os trabalhos [proibidos no chabat] são aprendidos do [que foi feito no] Tabernáculo.

12 Quanto ao que retirar algo [de determinado recinto ou lugar 4X4] por uso incomum de sua mão, usando a boca, o cotovelo, a orelha, o cabelo, algum bolso costurado em sua roupa cuja boca esteja direcionada para baixo, entre uma roupa e outra, na gola da roupa, no sapato, na sandália, é isento, por não haver retirado conforme a forma costumeira geral de quem pretende retirar algo.

13 Quem retirar algo sobre sua cabeça - caso seja algo pesado, como um saco cheio ou uma caixa, ou um grande armário, ou semelhantes, que são coisas que costuma-se colocar sobre a cabeça, segurando com sua mão, será este passível - pois esta é a forma comum dos que fazem tal ação, e acha-se tal pessoa equiparada a quem retira algo sobre seu ombro, ou por sua própria mão. Mas se pegar um objeto leviano, como por exemplo no caso em que colocar sobre sua cabeça uma roupa, uma faca ou um livro, e retirar [do recinto], sem segurar com sua mão, este será isento, pois não realizou a ação conforme o modo de quem pretende retirar algo normalmente - isto é - a maioria das pessoas do mundo inteiro não tem por costume retirar de um lugar a outro coisas sobre suas cabeças. Se transportar um objeto no recinto público do princípio de quatro côvados à outra extremidade, mesmo que seja acima da altura de sua cabeça, é passível.

14 É permitido o transporte no recinto público dentro de um âmbito de quatro côvados, ao lado dos quais acha-se, podendo portar dentro deste espaço. Mede-se este espaço segundo seus próprios cúbitos. Se, porém, tratar-se de uma pessoa cujos membros são curtos, dá-se-lhe quatro côvados medianos de toda pessoa. Através da "qabalá", disseram [os Sábios] que o escrito na Torá que "...fique cada um em seu lugar..." - Ex 16:29 - significa que não pode transportar além deste âmbito quadrado, senão somente neste espaço, que é a medida de uma pessoa ao por-se em decúbito estendendo suas mãos e seus braços, pode portar [no recinto público].

15 Estando dois transferindo de parte dos quatro côvados de um para parte dos quatro côvados do outro [no recinto público], podem trazer [um do outro] e comer no meio, desde que não retire um deles para o setor de seu próximo. Se forem três, estando um deles no meio, entre um e outro, está este permitido em relação a ambos, e eles em relação a ele. Quanto aos dois que se acham nos extremos, estão proibidos entre si [de passar um diretamente ao outro].

16 Portanto, permite-se que alguém erga algo do recinto público, transfira-o a seu próximo que esteja consigo dentro de seus quatro côvados, e este a outro que encontre-se a seu lado, mesmo que sejam cem pessoas. E isto, mesmo que o objeto seja transferido [de mão em mão] por várias "milin" no chabat, pois cada um não encontra-se transportando senão dentro de seus [próprios] quatro côvados.

17 Já que é permitido para a pessoa que transfira dentro do âmbito no qual se acha, que é 4X4 côvados, encontra-se transportando pelo espaço de cinco côvados e e três quintos de um côvado. portanto, o que transportar ou lançar algo no recinto público não é passível, até que transfira para fora de cinco côvados e três quintos. Quanto a todo lugar onde dissermos "desde o começo de quatro côvados até sua extremidade", ou "quem transportar algo por quatro côvados é passível", refere-se ao princípio de quatro côvados em ângulo perpendicular, de um ângulo a outro. Se transferir algo menos que isto, é isento.

18 Portanto, são as medidas três. Como assim? - quem erguer um objeto do recinto público de determinado lugar e colocar tal objeto em outro lugar no recinto público, caso houver entre os dois lugares até quatro côvados, é permitido que o faça. Se, porém, houver mais que quatro côvados, mas ainda acharem-se dentro dos cinco côvados e três quintos, é isento. Se houver entre ambos cinco côvados e três quintos de um côvado exatos, é passível, pois transferiu um objeto além da perpendicular do quadrado [de quatro côvados].

Capítulo 13

01 A pessoa que retirar de um recinto para outro, ou transportar no recinto público para fora dos quatro côvados não se torna passível enquanto não retirar de um local cujas medidas sejam quatro tefaĥim por quatro tefaĥim, ou mais que isto, e depositar em um local cuja extensão seja quatro por quatro.

02 A mão humana é [considerada] como um lugar cuja expansão é de 4X4 [tefaĥim]. Portanto, caso retire-se um objeto da mão de uma pessoa que encontre-se em determinado recinto e deposite na mão de outro que se ache em outro recinto, é passível [este que efetuou ambas as ações]. Assim, se uma pessoa estiver em um dos dois recintos, e estender sua mão ao outro recinto, e retirar dali um objeto, ou da mão de quem estiver lá, ao tornar sua mão a si, é passível. Isto, mesmo se não depositar o objeto em lugar algum onde se encontra, pois estando em sua mão, é como se houvesse sido depositado no chão.

03 Caso [alguém] estiver comendo e [quiser] sair de um recinto para outro, e tiver a intenção de transferir o alimento que se acha em sua boca de um recinto a outro, este será passível, pois sua intenção faz de sua boca um lugar, mesmo que não esteja fazendo conforme o costume geral de quem pretende portar algo. De modo similar, alguém que se ache em determinado recinto, e urinar ou cuspir a outro recinto, é passível, pois acha-se retirando de um recinto e colocando em outro, e seu próprio pensamento faz com que seja si próprio um lugar, como retirando deste lugar. Caso se ache [seu corpo] em um recinto, e a extremidade de seu membro em um segundo recinto, e urinar neste [segundo] recinto, é isento.

04 Caso encontrar-se alguém em determinado recinto de um destes dois e estender sua mão ao segundo recinto, e retirar dali água de um orifício cheio de água, será passível, pois a água toda é vista como estando sobre o solo. Mas caso haja um utensílio boiando sobre a superfície da água e frutos no utensílio, e estender a mão e tomar dos frutos, retirando dali, será isento, pois não encontram-se os frutos sobre a superfície da terra, e sendo assim não retira de um local cujas medidas sejam 4x4 [tefaĥim]. É desnecessário dizer que se os frutos estiverem eles mesmos boiando na água que se retirar dali será isento. Similarmente, se houver óleo pairando sobre a superfície aquática, caso absorver [somente] do óleo, retirando-o da água, será isento.

05 Já dissemos que não incorre-se em passibilidade ao retirar de um recinto para outro senão no caso em que levantar algo de um recinto e depositá-lo em outro. Se, porém, levantar algo e não depositá-lo, ou depositá-lo sem havê-lo erguido, é isento. Portanto, se alguém estiver em um dos dois recintos, e estender sua mão ao segundo recinto com algo em sua mão, e outro retirar dela, ou nela depositar, e este volver a si sua mão, serão ambos isentos, pois um ergue, e o outro deposita.

06 Em que caso [há isenção]? - estando suas mãos numa altura acima de três [tefaĥim]. Dentro desta altura, em proximidade ao chão, considera-se como que depositando no solo, pelo que será passível.

07 Caso ache-se alguém achar-se de pé em determinado recinto destes dois, e estender outra pessoa sua mão desde o segundo recinto, e tomar este da mão do que está de pé no outro, introduzindo-o a si, ou retirar de si e depositar na mão deste que se acha de pé no outro, este que se acha de pé será isento, pois nada fez, e a outra pessoa é passível, pois levantou [de um recinto] e depositou [em outro].

08 Se encontrar-se alguém em determinado recinto dentre ambos, e outra pessoa colocar em sua mão ou sobre seu corpo algo, e sair este com aquele objeto para o outro recinto, ao parar ali, será passível. A retirada de seu corpo com o objeto em si é o mesmo que o levantar do objeto de tal recinto, e o parar com o objeto, como o depositar do mesmo no solo de onde parar.

09 Portanto, se sair com o objeto em sua mão, ou sobre si, sem parar em outro recinto, senão tornando e entrando, mesmo que saia e entre durante todo o dia até seu fim, será este isento. Isto porquanto ergueu o objeto, mas não depositou-o. Mesmo que haja parado afim de consertar a posição da carga que se acha sobre si, ainda será isento, até que venha a parar com o intuito de descansar. (*)

10 Similarmente, alguém que ache-se com um feixe sobre seu ombro, pode correr com ela durante o dia todo, e não é passível enquanto não parar. Isto, se correr; se, porém, andar de pouco em pouco, será como quem ergue e deposita, pelo que é proibido. Alguém que se ache no caminho e entre o chabat, tendo em seu ombro um feixe de coisas, pode correr com ela até chegar em casa, e jogá-la ali por forma não costumeira.

11 Caso levantar algo do recinto público e andar portando-o, andando e parando por menos de quatro côvados - mesmo que faça isto durante o dia todo - é permitido. Em que caso? - em que parar para descanso. Se, porém, parar com intenção de consertar sua carga, ainda é como se estivesse andando. Mas não é passível enquanto não parar fora de quatro côvados com a finalidade de descanso.

12 Caso alguém erga um cano ou uma lança ou similares a estes que achem-se deitados no solo, levantando uma das extremidades, e deixando a outra no chão, jogando-o para diante, e tornar e levantar a segunda extremidade que ficara sobre o solo, atirando-o por esta forma, até transportá-lo por algumas "milin", é isento, pois não ergueu todo o objeto de sobre a terra. Se puxar, porém, o objeto, arrastando-o pela terra desde o começo ao fim de quatro côvados, é passível, pois o que rolar algo é feitor da mesma ação de levantar algo de seu lugar [por analogia].

13 Se alguém levantar algo de um canto determinado com a finalidade de depositá-lo em outro, cujo levantamento do objeto é permissivo, e no caminho mudar de idéia e depositá-lo em lugar proibitivo, será este isento, pois [a primeira ação, ou seja,] o levantamento do objeto de seu lugar não é realizado com esta finalidade, pelo que então encontrar-se-á efetuando levantamento de um objeto sem depositar. (*) Neste caso, temos levantamento sem ato de depósito. Semelhantemente: se alguém colocar algo sobre outro quando achar-se este caminhando, e no momento em que este quiser parar, retirar de sobre ele, é [o que estava caminhando] isento, pois executou levantamento sem depositar.

14 Quem lançar um objeto desde o recinto público, ou desde o fim de quatro côvados para o fim de quatro côvados no recinto público, e antes de cair este alguém o recebera [no ar], ou um cachorro pegou-o [antes que caísse ao chão], ou queimou-se [ainda no ar], é isento. Isto, porquanto não é o ação de depositar intencionada. Portanto, se pensou nisto ao atirar, é passível.

15 Quem lançar algo de um recinto a outro, estando este preso a um barbante, e o barbante em sua mão, se puder puxar o objeto a si, é isento. Isto, por não haver neste caso ação de depósito em plenitude, e acha-se a pessoa como quem levanta algo e não deposita.

16 Se alguém atirar algo, e este algo pousar sobre a mão de outra pessoa - caso o receptor estiver parado no momento em que receber, é passível - pois neste caso o atirador retirou de determinado lugar e depositou em outro. Se, porém, o receptor sair de seu lugar ao receber, é isento [o atirador]. Se atirar o objeto e o próprio atirador correr e receber o ojeto [no ar] em outro recinto, ou no exterior de seus quatro côvados é isento. É como se fosse outro que houvesse saído de seu lugar para fazer receptor, em cujo caso não há depósito pleno, que é somente se o objeto cair onde deveria repousar naturalmente, do momento em que foi retirado [ao ser lançado].

17 Quem atirar de um recinto particular a outro, tendo entre ambos o recinto público, apesar de passar o objeto [lançado] pelo ar do recinto público, é [o atirador] isento; isto, se houver passado acima de três [tefaĥim]. Mas se o objeto passar por altura menos que três tefaĥim, próximo ao solo, e parar sobre algo, mesmo que se desloque ou role, saindo dali para o outro recinto particular, é considerado como que houvesse parado no recinto público, pelo que [neste caso] é passível.

18 De modo similar, se alguém atirar algo do recinto público para outro, estando entre ambos um recinto particular: caso haja passado pela altura menos que três tefaĥim e pousado sobre algo, mesmo que haja rolado e saído para o outro recinto público, é passível, pois é como se houvesse ficado parado no recinto particular. Por causa disto é passível.

19 Quem transportar algo por quatro côvados em um recinto público que se ache em junção com outro recinto público, é passível, porquanto quatro côvados de dois recintos públicos conjuntos se unem [como um só local], posto que não para o objeto em nenhum recinto intermediário.

20 Se alguém estender algo de um recinto particular para outro por sobre o recinto público, será este passível, mesmo que o faça acima do ar que faz parte do recinto público, pois é o mesmo trabalho executado pelos levitas no tabernáculo, que estendiam as tábuas entre duas carruagens, tendo o recinto púclico entre ambas. Cada carruagem era um recinto particular.

21 Em que caso [há passibilidade]? - se ambos os recintos particulares estiverem ao longo do recinto público, como as carruagens, uma atrás da outra. Mas caso ambos os recintos estiverem aos lados do recinto público, também o que estender de um recinto particular ao outro que se ache a seu lado será isento.

22 Se alguém por esquecimento estender sua mão cheia de frutos, retirando-a de um recinto e introduzindo-a a outro, e lembrar-se [da proibição e da transgressão que poderá vir a praticar], permite-se devolvê-la a si, a seu próprio quintal. Mas introduzi-la àquele mesmo quintal, é proibido, para que não seja executada sua ação que pensara realizar inintencionalmente. Se retirar propositalmente sua mão, está proibido devolvê-la a si mesmo até o escurecer, pois decretara-se que fique estendida até o escurecer.

23 Se alguém intencionar em atirar [um objeto qualquer] por oito côvados no recinto público, e este parar no final de quatro côvados, é passível, pois completa-se a medida suficiente para a passibilidade, sendo que sua intenção se cumpre nisto, pois é sabido que nenhum ojeto chega ao fim de oito côvados sem que passe por cada espaço destes oito côvados. Mas se intencionou lançar por quatro côvados, e o objeto parar no final de oito, é isento, por não haver parado no local onde pensou que por ele passará, e quanto mais que pare ali. Portanto, se pensar no momento em que atira que pare o objeto onde quer que seja, será passível.

24 Se lançar para que caia dentro do espaço de quatro côvados, e rolar até sair do espaço de quatro côvados, é isento. Se lançar para que caia fora do espaço de quatro côvados, e rolar para dentro dos quatro côvados [após chegar fora deles], se pousar sobre algo fora dos quatro côvados, rolando depois e adentrando [o espaço de quatro côvados] será passível. Se, porém, não houver repouso algum do objeto sobre algo, será isento.

Capítulo 14

01 Que é "rechut ha-rabim"? - desertos, florestas e campos, e os caminhos que são abertos a eles, desde que tenham tais caminhos a largura de 16 côvados por 16 côvados.
Que é "rechut ha-iaĥid"? - um monte cuja altura seja de 10 tefaĥim e cuja largura seja de quatro tefaĥim, ou mais que isto. Assim, também uma vala cuja profundidade seja 10 tefaĥim, e cuja largura seja 4X4 tefaĥim, ou mais que isto. Também todo local que tenha quatro paredes, em cuja altura haja dez tefaĥim e entre elas haja a distância de 4X4 tefaĥim, ou mais que isto, mesmo que seja algumas "milin", se for cervado para habitação, como por exemplo as cidades muradas cujos portais são fechados à noite. Também becos que tenham em seu contorno três paredes, em cujo quarto lado haja uma ripa, ou viga. Também quintais, currais e cadeias, se forem cercados para habitação. Todos estes casos são "rechut ha-iaĥid" perfeitos.

02 Até mesmo utensílios, como por exemplo, um barco ou um grande armário de madeira, colméia, ou como estes, caso tenham expansão de 4X4, na altura de 10 [tefaĥim] (*), são [igualmente] "rechut ha-iaĥid" perfeitos.

03 A largura dos muros do recinto particular é tido como o próprio recinto, pois se para outrem pode a pessoa criar um murado, para si mesmo, quanto mais? O espaço aéreo do recinto particular do recinto particular é considerado como recinto particular até o firmamento, mas o do recinto público não é considerado como recinto público, senão até a altura de 10 tefaĥim. Acima de dez tefaĥim no recinto público é considerado "meqom petor".

04 (*) Quatro são os recintos de chabat: "rechut ha-iaĥid", "rechut ha-rabim", "carmelit" e "meqom petor". Que é "carmelit"? - um monte no qual hajam as medidas 4X4, ou mais que isto, e cuja altura seja até 10 [tefaĥim], pois a "carmelit" não chega senão à altura de dez ["tefaĥim"]. Quanto à largura, jamais pode ser menos que 4x4, ou mais que isto. De mesmo modo, uma vala 4X4, profundo entre três e dez [tefaĥim], bem como um local cercado por quatro cercas cuja altura seja de três [tefaĥim] até dez, e entre elas 4X4 ou mais que isto. Também uma esquina angular ao lado do recinto público, que é o local cercado por três lados, estando seu quarto lado conectado com o setor público, sem que haja sobre o quarto lado uma tábua ou viga. Similarmente, também os mares e a planície, seja no verão ou no inverno, são todos estes "carmelit".

05 O espaço vazio da "carmelit" é como a "carmelit", até dez tefaĥim. Acima de dez, é "meqom petor". Porém toda planície repleta de água é tida como solo grosso. Um poço que se ache no setor "carmelit", é considerado "carmelit", mesmo que tenha em sua profundidade cem côvados e em sua largura cem côvados.

06 "Rechut ha-rabim" sobre o qual haja um teto, ou que não tenha ao largo dezesseis côvados, considera-se como sendo "carmelit". bancos entre colunas no recinto público são considerados "carmelit". As laterais do recinto público são "carmelit", mas quanto ao espaço entre as colunas, posto que a multidão é ali transeunte, são recinto público.

07 Que é "meqom petor"? - o lugar no qual haja menos que 4X4 [tefaĥim] e cuja altura seja mais que três [tefaĥim], e desde aí até o céu, pois todo o que for menos que três [tefaĥim] em sua altura, é equiparado ao próprio solo, mesmo espinhos, "barconim", ou esterco que se achem no recinto público, sua altura é três tefaĥim, e não têm a largura de 4X4 tefaĥim, pelo que são "meqom petor". De mesmo modo, uma vala na qual não haja 4X4, seja sua profundidade desde três [tefaĥim] até o abismo. Assim também um lugar cercado no qual não haja a medida de 4X4, mesmo que seu comprimento seja mil "milin" e sua largura quatro tefaĥim menos o espaço de uma semente de cevada, sendo sua altura de três acima, é "local de isenção". De mesmo modo: o espaço livre do recinto público ou da "carmelit", acima de 10 tefaĥim, é "local de isenção".

08 Lugar no qual haja em sua altura nove tefaĥim exatas - nem mais, nem menos - no recinto público, é considerado como sendo recinto público. Não se dá atenção à medida de comprimento ou de largura, seja largo ou curto, pois a multidão se utiliza dele para posicionar melhor sobre si sua carga. Mas, caso seja a altura mais que nove tefaĥim, ou menos, em caso de ter 4X4 [tefaĥim] em sua extensão, ou mais que isto, é equiparado à carmelit. Se não tiver esta medida de 4X4, é "meqom petor". O teto que for conjunto ao recinto público dentro do espaço da altura de dez tefaĥim, já que muitos são os que utilizam-no para o posicionamento de que portam, é proibido o transporte de objetos em tal teto, até que se faça nele uma escadaria permanente que o torne permissível.

09 Uma coluna que se ache no recinto público, alta mais que 10 [tefaĥim] e cuja largura seja quatro, é recinto particular. Se for colocado nela uma estaca qualquer, mesmo que não seja alta três tefaĥim, por ser possível pendurar na estaca algo ou usá-la, ela diminui as medidas [da coluna], tornando-a "carmelit", sendo que não se mede a coluna, a não ser da estaca para cima. Mesmo que seja toda ela repleta de estacas, é dimunuído de sua altura, pois pode-se pendurar nas estacas, ou usá-las.

10 Buracos do recinto particular são considerados [parte do] recinto, mas buracos que estejam no recinto público, não são tidos como recinto público, senão são classificados segundo suas medidas. Como assim? - se houver um buraco no recinto público, e nele as medidas de 4X4 [tefaĥim] de largo, e altura de dez [tefaĥim], é recinto particular. Se não tiver dez [tefaĥim] completos, é "carmelit". Caso não haja nele 4X4 [tefaĥim], é "meqom petor". Isto, se for mais alto que três [tefaĥim], pois todo o que for menos que três equipara-se ao próprio chão.

11 No recinto particular e no "meqom petor" é permitido transportar, mesmo que o comprimento de cada deles seja algumas "milin". Porém, quanto ao recinto público e à "carmelit" - não pode-se transportar neles a não ser de quatro em quatro côvados. Caso arraste, estenda ou lance no "rechut ha-rabim", é passível. Na "carmelit", é isento, pois sua proibição é por decreto, devido à semelhança que tem com o "rechut ha-rabim", para que não seja confundido o "rechut ha-rabim" com a "carmelit". Portanto, caso não haja necessidade no porte em si, como por exemplo no caso de uma pessoa que retirar um espinho de determinado lugar para que não seja prejudicado alguém do público, é isto permissivo, e mesmo que o transporte seja por alguns tantos côvados. Assim, todo caso semelhante.

12 Assim como é permitido transportar em todo lugar no "meqom petor", é permitido introduzir dele ao recinto particular, e dele ao recinto público, e dele à "carmelit" nem é preciso dizer. Pode-se retirar a ele do recinto particular e do recinto público, sem que seja necessário dizer que retira-se a ele da carmelit.

13 Assim como é proibido transportar na "carmelit", similarmente é proibido retirar dela para o recinto particular, ou para o recinto público, ou introduzir na "carmelit" a partir do recinto particular, ou do recinto público. Se, porém, retirar dela [a estes] ou a ela introduzir, é "patur".

14 Quem retirar do recinto particular para o recinto particular, ou do recinto público para outro recinto público, tendo entre ambos uma "carmelit", é "patur". O mesmo em concernência a quem estender ou lançar de um a outro, tendo entre ambos "carmelit", também será isento. Se retirar algum objeto do recinto público, depositá-lo na "carmelit", deixando-o ali, voltar e reerguer da "carmelit" e retirar para o recinto público, é isento.

15 Quem retirar do recinto particular para o recinto público, atravessando um setor de isenção que se ache entre ambos, andando entrementes, é passível, pois o que anda não é como quem se acha parado. Não é necessário dizer que se lançar ou passar o objeto por um local de isenção, que não ß tido como se houvesse parado ali. Se estiver algém em um local de isenção, retirar um objeto de um recinto particular, ou de alguém que ali se encontre, e colocar no recinto particular, ou na mão de quem esteja nele, é isento [pela Torá], e assim se introduzir do recinto público ao recinto particular estando no setor de isenção, é [igualmente] isento.

16 Uma coluna que esteja no recinto público, cuja altura seja de dez tefaĥim e cuja largura seja 4X4 tefaĥim, sem que haja em sua base 4 tefaĥim, nem em sua curta altura 4 tefaĥim, é recinto particular. Se atirar algo desde o recinto público e pousar sobre ela, é o atirador passível. Uma colina escarpada que seja alta dez tefaĥim ao longo do comprimento térreo de quatro côvados, é recinto particular. Se lançar algo desde o recinto público e pousar sobre ele, é o atirador passível.

17 Se fincar um cano no recinto particular, mesmo que tenha a altura de cem côvados, e atirar algo do recinto público, e pousar sobre ele, é passível, pois o recinto particular [no que concerne à sua altura] vai até o firmamento. Uma árvore que se ache no recinto particular, mas que cujas ramas estendem-se sobre o recinto público, caso lançar algo e pousar sobre sua fronde, é isento, pois não se vê a fronde como fazendo parte de sua raíz.

18 Se alguém fincar um cano no recinto público e sobre ele uma meseta, e atirar algo, e pousar sobre ela, é este isento, pois não há recinto público senão até a altura de dez tefaĥim. Se alguém lançar algo no recinto público e este algo pousar sobre um muro - como por exemplo, se jogar leite ou massa, que se colam ao muro - se colaram-se acima de dez tefaïim, é como se houvesse lançado ao espaço, pois acima de dez tefaĥim no recinto público é "meqom petor" Se colar-se abaixo de dez tefaĥim, é como se houvesse lançado ao chão, pelo que é passível

19 Se atirar um cano ou uma lança desde o recinto particular ao recinto público, e fincar-se no recinto público, é isento, pois parte dela estará em "meqom petor". Se atirar algum objeto desde o recinto particular ao recinto público, e este objeto for proporcional, tendo as medidas de 4X4 tefaĥim e a altura de dez, é isento, pois tal utensílio em si é um recinto particular por excelência, sendo que achar-se-á como que retirando de um recinto particular a outro.

20 Havendo um poço no recinto público contando com a profundidade de nove tefaĥim, se retirar uma "ĥuliá" de seu solo dentro dele, fazendo com que este tenha a profundidade de dez tefaĥim, mesmo que a retirada da do objeto e o feitio de um cercado em seu contorno vêm a um tempo, é isento, pois não tinha o cercado dez tefaĥim desde seu princípio. Se o poço tiver dez tefaĥim, e retirar dele uma "ĥuliá", fazendo com que diminua-se em suas medidas de dez tefaĥim para nove, é isento, pois a colocação do objeto e retirada do cercado vêm a um só tempo.

21 Se atirar uma tábua e esta farir sobre estacas que achem-se no recinto público, tornando-se isto um recinto particular - mesmo que houver um utensílio sobre a tábua - é isento, pois o feitio do cercado e o depósito do utensílio vêm a um mesmo tempo.

22 Um poço profundo dez tefaĥim e largo oito, se lançar uma esteira desde o recinto público e esta dividir o poço em dois em sua largura, é isento, pois com o depósito do utensílio anulam-se os cercados [do poço], e torna-se cada um de seus lados menor que 4X4 [em sua largura].

23 Um poço que ache-se no recinto público, em cuja profundidade hajam dez tefaĥim e em cujo largo hajam 4X4 - cheio de água - caso lançar nele algum objeto e este parar sobre a superfície da água, é passível, pois a água não invalida o cercado do poço. Se, porém, for ele cheio de frutas, e lançar dentro dele, será isento, pois as frutas diminuem suas medidas.

24 Uma corrente de água que passe pelo recinto público e a multidão passe sobre ela, se não houver em sua profundidade dez tefaĥim, é ela [parte do] recinto público, tenha esta a largura de 4X4 tefaĥim ou não: pois todo o povo salta sobre ela [ao passar, evitando pisar nela], não andando em seu interior, por não ter dez tefaĥim de profundidade, é [parte do] recinto público. Caso seja profunda dez tefaĥim, ou mais que isto, é "carmelit", como todos os mares, desde que tenha a largura de 4X4 tefaĥim, ou mais que isto, pois não pode haver "carmelit" com menos que a medida de 4X4 em seu largo.

Capítulo 15

01 Pode estar alguém no "rechut ha-rabim" e transportar [algo] em todo o "rechut ha-iaĥid". [De modo similar] pode estar alguém no "rechut ha-iaĥid" e transportar no "rechut ha-rabim", com a condição de não retirar dos quatro côvados. Se retirar, porém, é "patur", por estar em outro recinto. Assim, pode estar uma pessoa no "rechut ha-iaĥid" e abrir no "rechut ha-rabim", e estar no "rechut ha-rabim", e abrir no "rechut ha-iaĥid". O animal cujo corpo se acha fora e sua cabeça dentro, pode-se colocar perante ele seu alimento. (Mais explanação)

02 Não pode-se estar no "rechut ha-iaĥid" e beber no "rechut ha-rabim", ou no "rechut ha-rabim", e beber do "rechut ha-iaĥid", senão no caso haja introduzido sua cabeça e a maior parte de seu corpo no local onde bebe. Em que caso? - Em que esteja usando utensílios belos, dos quais necessita, por decreto: pois pode ser que venha a retirá-los [de um recinto para o outro]. Mas em tratando-se de untensílios que não são bonitos, dos quais não necessita - ou caso o poço se situe na "carmelit" - mesmo sendo os utensílios bonitos, pode introduzir somente sua cabeça e beber em seu lugar, e mesmo que não introduza sua cabeça e maior parte do corpo.

03 Pode-se, estando no "rechut ha-rabim", tomar da água que se lança de um cano ou de um muro, e beber, com a condição de que não toque no cano, ou no muro, tomando [diretamente] de sobre um deles. Se tocar neles, se for o lugar mais elevado que dez tefaĥim, e mais baixo que três na cercania do topo [em relação a este], é proibido, pois estará como que retirando de sobre o teto, que é "rechut ha-iaĥid". De modo similar, caso for o cano em sua largura 4x4 tefaĥim, esteja ele situado dentro do espaço de dez tefaĥim [em altura], ou mais elevado que isto, receber dele água é proibido. Por que, então, não é passível de penalidade? - por não estar a áua parada, senão em deslize, em movimento.

04 Uma saliência feita diante da janela sobre o espaço vazio do recinto público, - se estiver mais alta que dez tefaĥim - pode-se usar sua parte superior, pois o "rechut ha-rabim" não não ocupa espaço, senão até dez tefaĥim. Portanto, permite-se a utilização de todo o muro, até [o limite de] seus dez tefaĥim inferiores.

05 Em que caso [permite-se]? em que haja apenas uma proeminência. Se, porém, forem duas as preminências que saem da parede, uma estando abaixo da outra - mesmo que ambas estejam acima de dez tefaĥim - caso na superior haja o espaço de 4X4 tefaĥim em seu largo, está proibido utilizar-se de sua superfície. Porquê trata-se de um recinto à parte, e a inferior a ela, outro recinto, e proibira-se um recinto em relatividade ao outro, pois não podem haver dois recintos em um único recinto.

06 Se na saliência superior não houver quatro tefaĥim em sua expansão, e tampouco na inferior, pode-se usar a ambas. Assim, com respeito a toda a parede, até os dez tefaĥim inferiores. Se, porém, a inferior tiver o espaço de 4x4 tefaĥim, mas não a superior, não se pode usar a superior, senão nos limites da janela, unicamente. Quanto a outros setores dela, em relação aos dois lados da janela, o uso é proibido, devido à saliência inferior, que é um recinto à parte.

07 Toda saliência que sair por sobre o recinto público, nas quais seja permissivo o uso, caso venha alguém a usá-las, não poderá colocar sobre ela senão utensílios de argila ou vidro, que se caírem no recinto público, se quebrarão. Demais utensílios e alimentos está proibido que seja colocado ali, pois se caírem no recinto público, quererá trazê-los de volta.

08 Duas casas que se achem à beira do recinto público - pode-se arremeter de uma para a outra acima do espaço de 10 tefaĥim - no caso de ambas serem suas, ou entre elas houver um 'eruv. Até mesmo utensílios metálicos ou indumentários pode arremeter. Se, contudo, se acharem uma acima da outra, e não em mesma altura, por equivaléncia, é proibido lançar roupa, ou semelhantes, pois pode ser que venha a cair no recinto público, e venha a portar. Quanto a utensílios de argila, e semelhantes, pode lançar.

09 Um poço que ache-se no recinto público, e sobre ele houver janela, o poço com suas lajes completam em conjunto 10 tefaĥim para que se possa retirar dele água no chabat. Em que caso (é isto permitido)? - em que se ache bem junto à parede, dentro de quatro tefaĥim, onde uma pessoa não pode passar. Mas, se for bem afastado, não se pode encher dele no chabat, a não ser no caso em que fosse alta sua ĥuliá dez terfaĥim: neste caso, achar-se-á o balde saindo da ĥuliá para "meqom petor".

10 Lixeira que se ache no recinto público, que tenha a altura de dez tefaĥim e sobre ela uma janela, pode-se despejar nela água no chabat. Em que caso dizemos isto? - em que seja pública - porquê não costuma ser esvaziada. Mas da pessoa particular, não se despeja nelas, porquê será esvaziada, e neste caso, achar-se-á despejando comumente ao recinto público.

11 Um canal d'água que passar pelo quintal - se nele houver a altura de dez tefaĥim e em seu largo quatro - é proibido retirar dele água no chabat, senão no caso de haver feito uma parede de separação em sua entrada e em sua saída. Se, porém, não houver em sua profundidade dez tefaĥim, ou não houver em seu largo quatro tefaĥim, pode-se retirar água sem necessidade de parede de separação.

12 Caso haja em seu largo mais que dez "amôt", mesmo não tendo em sua altura dez "tefaĥim", até que faça para ela uma "meĥitsá", pois [a regra em leis de chabat é que] tudo o que for mais que dez côvados em sua largura, é [considerado] lacuna territorial, e invalida as paredes de separação. E, quanto a portar coisas em todo o quintal? - se restar do cercado um "pass" em um lado e um no outro, seja que quantia for, ou [mesmo se restar] um apenas em um dos lados, que tenha a largura de quatro tefaĥim, é permitido o porte em todo o quintal, e não fica proibido senão encher [vasilhames de água] do canal, somente. Mas, se não restar nenhum "pass" [do cercado], fica proibido o porte em todo o quintal, pois o quintal ficou aberto para um "mar", que é [o setor chamado] "carmelit".

13 Como se faz a parede de separação na água? - Caso esteja por sobre a água, precisa estar um "têfaĥ" da parede de separação metida dentro da água. Se, porém, estiver toda ela dentro da água, é mister que saia acima da água um "têfaĥ", para que esteja a água do quintal separada, e mesmo que não chegue a barreira até o solo [do canal]. Já que tem dez "tefaĥim", e permitida. E, não permitiram [os Sábios do Talmud] uso de uma parede de separação suspensa, senão na água: por ser a proibição de portar na água decreto rabínico, facilitaram em concernência à separação, que não é senão por reconhecimento.

14 Um canal d'água que passe entre os quintais, ao qual estejam abertas janelas, se não tiver as medidas, pode-se introduzir a ele um balde janela abaixo, e encher dele no chabat. Em que caso? - em caso no qual não esteja distante da parede três "tefaĥim"; se, porém, estiver distanciado mais que isto, não se pode encher dele, senão no caso de haverem "passim" saindo da parede de um lado e outro, fazendo com que esteja o canal como passante dentro do quintal.

15 Um balcão construído por sobre a água, e nele uma abertura por sobre a água, não se pode encher através dela no chabat, senão se fizer paredes de separação altas dez "tefaĥim", posicionadas em relação ao balcão, ou que esteja descendo a parede desde o balcão por sobre a água, e neste caso é vista como se estivesse descendo até tocar a água. Assim como se retira dela no caso de haver feito as paredes, de mesmo modo pode-se despejar dela ao mar, pois estão suas águas em despejamento na "carmelit".

16 Um quintal menor que 4X4 côvados, não se pode despejar nele água no chabat, devido à razão de ela sair rapidamente [dali] para o recinto público. Por isto, é preciso que faça um buraco que suporte a quantia de duas "sein" no interior do quintal, ou no recinto público ao lado do quintal, para que a água se junte ali, e construir sobre ela uma abóbada externa, para que não seja visto a cavidade ali feita como sendo parte do recinto público. E, tanto o quintal quanto a êxadra se juntam para completar o espaço de quatro côvados. Quanto precisa medir o local para que suporte a quantia de duas "sein"? - meio côvado quadrado na profundidade de 3/5 de um côvado.

17 Caso seja a cavidade menor que [o suficiente para receber] duas "sein", pode-se despejar nela até enchê-la. Se exatamente [o suficiente para receber] duas "sein", pode-se despejar nela até mesmo sessenta "sein" de água, apesar dela dominar [o setor por sua quantidade] e espalhar-se para fora da cavidade. Em que caso [pode-se fazer isto]? - no período pluvial, pois os quintais se estragam, e comumente os canos estão molhando [tudo], pelo que não virá alguém a dizer que este está fazendo uso, e a água sai por sua intervenção para o recinto público. Mas, no verão, caso conter mais que duas "sein", não pode despejar senão a quantia de duas "sein". Se menor que isto, não se pode despejar nela de modo nenhum.

18 O esgoto no qual despeja-se água, e nele escorre e vão sob o solo saindo ao fim para o recinto público, bem como um cano no qual se despeja água, e ela vai pela parede até despejar-se no recinto público, é proibido despejar ali, seja na boca do esgoto, ou do cano, porquê estará a água saindo por força da pessoa para o recinto público. Pode-se, porém, despejar ao lado da abertura do esgoto, e ela desce por si mesma para ele.

19 Em que caso? - no verão; mas, no inverno, pode despejar e voltar a despejar, sem que precise evitar fazê-lo, pois comumente acham-se os canos a enxarcar, e as pessoas desejam que toda água seja absorvida em seu próprio lugar. Se ao despejar a água no esgoto, esta sair para a "carmelit", é permitido, mesmo no verão. Não decretara-se proibição esta em caso de "carmelit". Por isto, permite-se despejar por sobre a parede de um navio, e a água desce daí ao mar.

20 Não encha-se [utensílios de água] diretamente do navio, senão caso houver feito um local 4X4 côvados saindo do navio para o mar. Em que caso? - se estiver dentro da altura de dez "tefaĥim" acima do nível do mar. Mas, caso estiver acima de dez "tefaĥim" desde o nível do mar, deve criar uma protuberância qualquer, e encher, e não necessita desta protuberância senão por reconhecimento.

21 Alguém que ache-se lendo um livro sobre a carmelit, e desenrolar-se o livro um pouco dele sobre o recinto público, e parte dele ficar em sua mão, se desenrolar-se para fora de quatro côvados, deve-se revirar o livro sobre seu lado escrito, e deixá-lo ali. É decreto, para evitar que em caso que se desenrole todo ele, caindo de sua mão, venha a transportá-lo por quatro côvados. Se desenrolar-se dentro do espaço de quatro côvados, pode enrolar de volta a si, e assim se desenrolar-se em direção ao recinto particular, pode enrolar de volta. Se ler nele no recinto particular, e desenrolar-se para o recinto público, caso pare nele, deve virar o livro sobre seu lado escrito e deixar, e se não parou em lugar algum, ficando pendurado no espaço por sobre o recinto público, sem haver chegado ao chão, pode enrolar de volta a si.

22 Uma pessoa que portar um espinho para que não cause prejuízo às pessoas, caso se encontre no recinto público, deve levá-lo pouco a pouco, por menos de quatro côvados. Na "carmelit", pode transportá-lo normalmente, mesmo que seja por cem côvados. De mesmo modo, um morto que se tornar exacerbadamente fétido, e se desonrara demasiadamente, e não conseguem os vizinhos estar com ele, podes-se retirá-lo do recinto particular para a "carmelit". Quem descer a banhar-se no mar, deve enxugar-se, para que não ache-se transportando a água que se acha sobre si pela "carmelit", em um espaço de quatro côvados.

Capítulo 16

01 Um lugar que não for cercado para uso de moradia, senão para que seja o uso aberto ao ar, como os jardins e os pomares, ou como o caso de alguém que cerca um local de um determinado terreno para que esteja guardado, e semelhantes a estes - se houver em seu cercado a altura de 10 tefaĥim ou mais - é este como o "rechut ha-iaĥid", no que concerne a causar a passibilidade de quem retirar dele, atirar dele ou estender dele para o "rechut ha-rabim", ou do "rechut ha-rabim" para seu interior. Tampouco pode-se transportar em todo seu setor, senão no caso de ser em seu território "bet seatáim" ou menor que isto. Se, porém, for maior que "bet seatáim", é proibido transferir nele, senão dentro do espaço de quatro côvados, como na "carmelit".

02 Assim também uma coluna cuja altura seja 10 "tefaĥim", e cujo diâmetro seja "bet seatáim", pode-se transportar sobre toda ela. Mais extenso que isto, não se pode transportar, senão dentro do espaço de quatro côvados. Quanto a uma rocha no mar, se se a altura for menos que 10 "tefaĥim", pode-se transportar dela para o mar, e do mar a ela, pois tudo é "carmelit". Se for mais alta que isto, e sua largura de 4X4 côvados até "bet seatáim", devido ao fato de ser permitido o transporte sobre ela, não se transporta dela para o mar, nem do mar a ela. Se for mais extensa que isto, mesmo sendo "recinto particular", por ser proibido transportar nela a não ser dentro do espaço de quatro côvados, como na "carmelit", é permitido o transporte dela para o mar, e do mar a ela. Por não ser algo comum, não decretara-se proibição.

03 Quanto é um "bet seá"? - cinquenta côvados por cinquenta côvados. Temos então que um "bet seatáim" equivale a um local em cujo fracionamento há cinco mil côvados. Todo lugar no qual haja esta medida, seja quadrado perfeito, no qual haja setenta e restos, por setenta e seus restos, seja arredondado ou de qualquer outra forma, é o que se chama "bet seatáim".

04 Um local que não foi cercado para servir de moradia, no qual haja a extensão territorial de "bet seatáim" - se for seu comprimento duas vezes sua largura, que faça com que seja 100 x 50 amôt, como o território do Michcan, é permitido portar em todo ele. Mas, caso seu comprimento seja duas vezes mais que seu largo, mesmo uma amá, somente, não se permite o porte nele, senão dentro dos quatro côados: isto porquanto não declararam [os Sábios] ser o local de "bet seatáim", aberto, como os demais recintos, senão conforme o Michcan.

05 Um lugar que foi cercado, mas não para servir de moradia, se for aberto no cercado um vão de dez amôt de extensão por dez tefaĥim de altura, se for novamente fechado para fim habitacional é permitido portar em todo seu setor. Mesmo que apenas uma "amá" haja sido aberta, e fechou-a com finalidade habitacional, e depois outra mais, e novamente fechou-a com finalidade habitacional - até completar os dez côvados - é permitido o transporte em todo o setor, mesmo que seja sua extensão alguns "milin".

06 Um lugar [cujo território seja] mais extenso que "bet seatáim", que haja sido cercado com finalidade habitacional - se sua maior parte houver sido semeada - é comparado a uma plantação, pelo que é proibido o porte nele. Se a menor parte dele for semeada - caso o setor semeado for "bet seatáim" - é permitido transportar em todo ele. Se, porém, o setor semeado for maior que "bet seatáim", é proibido o porte em todo ele. Se em sua maior parte foi feita plantação arbórea, é comparado a um quintal, e é portanto permitido transportar em todo ele. Se encher-se de água o local, mesmo sendo muito profundas, se for a água útil, é como se fosse um campo arbóreo, e é permitido o porte nele. Se não, não se pode transportar nele, senão de quatro em quatro côvados.

07 Um local cercado, mas não com finalidade de uso habitacional, no qual hajam "bet cheloch sein", sobre o qual construira-se um teto por um espaço de um um "bet seá" , sua cobertura [por um terço de seu território] torna-o permissível para o porte, pois [dizemos que] "pi tiqrá iored vessotem".

08 Se este setor se abrir completamente para o quintal [cercado], e abrir-se o quintal, e assim se o cercado do quintal se abrir em relação a ele, o quintal permanece permissivo para o porte, conforme achava-se anteriormente, e o setor torna-se proibido, pois o espaço do quintal não o torna permitido.

09 Se for o setor maior que "bet seatáim", e pretender diminuir sua medida [diminuindo seu espaço] com árvores, não é [considerado] diminuição. Se construir uma coluna ao lado de um muro, na altura de dez ["tefaĥim"], e na largura de três ["tefaĥim"] ou mais, isto sim, [considera-se] diminuição do [espaço do] setor. Menos que três ["tefaĥim"], considera-se "lavud", e a diminuição é ineficaz. Assim, se afastar da parede três tefaĥim, e fizer uma parede de separação, diminui. Menos que três tefaĥim, não fez nada.

10 Caso reboque [a pessoa] a parede com massa, apesar de não subsistir por si só, considera-se como diminuição. se distanciar-se da parede três [tefaïim] e fizer uma parede de separação, é, é eficaz. Se fizer a parede de separação à margem da parede, não tem eficácia, pois uma parede de separação sobre outra, não tem utilidade alguma. Se a parede de separação inferior se desfizer, e sobrar somente a superior - já que a superior ali está para servir de habitação, e nada se vê ali senão ela - o que fez considera-se eficaz, e pode-se portar em toda ela.

11 Setor territorial aberto atrás das casas, caso seja maior que "bet seatáim", não se pode portar nele senão dentro de quatro côados, e mesmo que haja uma abertura da casa para dentro dela. Se, porém, abrir a abertura para lá e depois cercar, considera-se como que cercado para habitação, pelo que torna-se permitido o porte em todo seu setor.

12 Setor territorial aberto para a cidade de um lado, e no outro para um trilheiro que leva a um rio, coloca-se uma viga no lado que entra na cidade, e fica permitido o porte nela, dela para a cidade, e da cidade para ela.

13 Alguém que passar solitário o chabat em um vale, se levantar uma parede de separação em torno de si - caso seja o vale em sua extensão até "bet seatáim", fica permitido o porte nele. Se mais que isto, não pode portar, senão de quatro em quatro côvados. Assim, similarmente, se forem duas pessoas. Mas, três israelitas, ou mais, que ficarem no vale em chabat, são uma caravana, e podem portar segundo suas nececissidades, mesmo algumas "milin". Isto é: se não sobrar do setor cercado pela parede de separação um "bet seatáim" totalmente vazio, sem que esteja ocupado por utensílios. Mas, se ficar de todo o setor que cercaram por parede de separação um "bet seatáim" sem que haja neles utensílios, sem que precisassem dele, é proibido o transporte em todo o cercado, a não ser de quatro em quatro côvados. O menor de idade não preenche o que se chama "caravana".

14 Três pessoas que cercaram [um setor no vale] segundo suas necessidades, e receberam o chabat, e depois um deles morreu - estão permitidos portar em todo ele. Se, porém, dois receberam ali o chabat, e depois veio um terceiro - estarão proibidos de portar senão de quatro em quatro côvados, [pois continuarão] como eram anteriormente, antes de este [terceiro] vir: a recepção do chabat é o que causa, não o habitar.

15 Três ambientes cercados, que foram cercados não com finalidade habitacional, um ao lado do outro, abertos um para o outro, sendo os dois das extremidades espaçosos e central curto, tendo os dois exteriores "passin" de um lado e do outro, e houver uma pessoa sozinha em cada um dos recintos, tornam-se uma "caravana", e concede-se-lhes tudo o que necessitarem. Se, porém, o recinto do meio for o espaçoso, e os das extremidades curtos, tendo o do meio "passin" em ambas as direções, este é separado dos outros dois, e portanto, se uma pessoa começar o chabat em um, e outro em outro, e outro em outro, não se concede a eles suas necessidades, senão cada um tem seu setor de "bet seatáim" em seu próprio lugar. Havendo uma pessoa em cada extremidade, e duas no central, ou duas pessoas nas extremidades, e uma no central, concede-se-lhes suas necessidades.

16 Toda parede de separação que não pode suster-se diante de um vento comum no lugar, não pode ser considerada como tal. E, toda parede de separação que não seja feita para repouso, não é considerada parede de separação. Toda parede de separação cujo levantamento não for feito senão por motivos de "tseni'ut", não é considerada parede de separação. E, toda parede de separação em cuja altura não houverem dez "tefaĥim" ou mais, não é uma parede de separação completa. Um cercado de cinco "tefaĥim" e parede de separação, de cinco "tefaĥim", únem-se.

17 Toda parede separadora cujo espaço vazio seja superior ao espaço preenchido, não é [considerada] parede separadora. E, toda parede separadora feita com espaço vazio equivalente ao espaço preenchido, é permitida, desde que não haja nos intervalos vazios um que tenha a medida maior que dez côvados. Todavia, uma que tenha dez côvados, é considerada "espaço aberto" para parede de separação. Se, porém, tiver nesse "espaço aberto" uma "tsurat pêtaĥ", mesmo que essa meça mais que dez côvados, não invalida a parede separadora, desde que não haja na parede separadora espaço vazio maior que espaço preenchido.

18 Em que caso (aplica-se a regra acima)? - em que as os espaços abertos forem igual ou maiores a 3 "tefaĥim". Mas se cada um for menor que o espaço de 3, é a parede separadora permitida, e mesmo que o aberto seja mais espaçoso que o cercado. Isto, porquê tudo o que é menos que 3 tefaĥim, é comparado a "lavud".

19 Como assim? - se cercar com juncos, sem que haja entre um e outro três "tefaĥim" - ou que haja cercado com cordas, e entre elas não hajam três "tefaĥim", considera-se como um cercado de separação perfeito, mesmo que seja de verticais sem horizontais, ou horizontais sem verticais.

20 "Tsurat ha-pêtaĥ" citada em todo lugar: mesmo que seja um junco, ou algo parecido, de um lado, um junco, ou algo parecido, do outro lado, e um outro sobre eles: altura das duas colunas, dez, ou mais, "tefaĥim". Quanto ao "junco" que se achar por sobre elas - mesmo que não toque a ambas - havendo entre uma coluna e o que vir sobre alguns côvados - por ser a altura das colunas dez, é forma de abertura. Quanto a "tsurat ha-pêtaĥ" - precisa se capaz de suportar uma porta: mesmo que seja porta de juncos.

21 O vão da porta em forma de abóboda, se houver no comprimento das colunas da abóboda dez "tefaĥim", é [a abóboda considerada] "tsurat pêtaĥ". Quanto a abertura que for feita "de lado", é nula, pois não é comum que sejam as aberturas pelos cantos afastados, senão nos meios.

22 Com tudo pode se fazer "meĥitsá": com utensílios, com alimentos, com pessoas, e mesmo com animais domésticos, e mesmo com animais campestres, e demais tipos de animais e aves. Isto. desde que estejam amarrados, para que não se movam.

23 Uma "meĥitsá" que existe per si, é apta, E, "meĥitsá" feita no chabat, é [considerada] "meĥitsá". Se, porém, for feita no chabat sem intenção, pode-se portar coisas no setor cercado por ela no chabat, desde que a pessoa que a fez não tome conhecimento. Se, todavia, a pessoa que a levantou no chabat, fê-la com a intenção de que fosse para utilidade do porte no chabat, mesmo havendo feito sem intenção, e assim se a fez com intenção, e mesmo que não houvesse o interesse de portar coisas dentro de seu cercado, fica proibido transportar ali.

24 É permitido que se faça uma "meĥitsá" de pessoas no chabat, colocando-se cada um ao lado do outro. Mas unicamente com a condição de que não se inteirem os que se põem de pé [para tal finalidade] que para servirem de "meĥitsá" estão colocados de pé. E não os coloque a pessoa que pretende usar tal meĥitsá, senão outra pessoa, sem que o saiba.

25 A árvore cuja frondagem se espalha sobre o chão, caso suas ramagem não esteja mais alta que o chão três "tefaĥim", pode-se preencher entre suas folhas e galhos mais grossos com feno e juncos, e coisas similares, e prendê-lo ao solo, para que possa estar firme diante de ventos comuns na região sem que se balance, e pode portar sob todo ele. Isto, com a condição de que haja sob ele até bet seatáim. se, porém, o terreno for maior que bet seatáim, não se porta sob ele, senão dentro de quatro côvados, devido ao fato de que sob ele o lugar é um que não foi cercado com destino a ser habitação.

Capítulo 17

01 O beco que tem três paredes, é o chamado "mabôi satum"; quanto ao beco que tem apenas duas paredes, um frente ao outro, e o povo entra por um lado e sai pelo outro, é o que chamamos "mabôi mefulach".

02 Como se faz permitido o "mabôi satum"? - Prendendo-se ao quarto lado uma ripa, ou uma tábua, e é o suficiente. A tábua, ou ripa, será vista como se houvesse fechado o quarto lado, transformando-o em "rechut ha-iaĥid", tornando-se permitido o porte em todo seu setor. Por "din Torá" é permitido o porte entre apenas três paredes, mas por decreto dos Soferim [necessita-se que se feche] o quarto lado. Portanto, é suficiente com uma ripa ou tábua. (Comentário)

03 Como se faz permitido um "mabôi mefulach"? - faz-se "tsurat pêtaĥ" de um lado, tábua ou ripa do outro. Quanto ao "mabôi 'aqom", sua lei é como o "mabôi mefulach". - (Comentário)

04 O beco que for equânime por dentro, e inclinado para o recinto público, não precisa nem nem ripa, e nem viga, pois está separado do recinto público.

05 O beco que tiver um dos lados direcionado ao mar, e outro para o depósito de lixo público, não precisa nada, pois o lixo público não é esvaziado comumente, e tampouco se teme que venha o mar a fazer um banco de areia.

06 O beco que todo ele for aberto para um pátio público, se não estiver direcionado à entrada do pátio, é considerado um "mabôi satum", pelo que nada precisa do lado do pátio. Se, porém, for aberto para os lados do pátio, é proibido; e, se for de pessoas particulares, mesmo [direcionado] para seu seu meio, É proibido. Às vezes constrói-se algo em um lado, e acl a um dos lados [interiores] do pátio.

07 O beco não se faz permitido por ripa ou viga senão no caso em que hajam casas ou quintais abertos a ele, e seja seu comprimento de quatro côvados ou mais. Quanto ao beco cujo comprimento for equável à largura - não se torna permitido a não ser com duas ripas de ambos os lados, cada ripa tendo que medida for, ou por um "pas" cuja largura seja 4 [côvados] em um dos lados [da entrada].

08 O quintal cujo comprimento seja maior que sua largura, é como um beco, podendo ser permitido tanto com ripa como com viga. Quanto ao beco que nem casas nem quintais se abrem para seu interior, como por exemplo - se houver nele apenas uma casa ou um quintal - e também o beco que não tenha em seu interior 4 côvados, não pode ser permitido senão por duas ripas, ou por um "pass" de 4 [côvados].

09 O beco que não possui em sua largura três tefaĥim, não precisa nem ripa e nem viga, sendo permitido o porte nele, como se fosse "rechut ha-iaĥid", pois todo o menor que três tefaĥim, é considerado "labud". O beco que fora adaptado para uso com uma viga, apesar de ser permitido portar nele como no recinto particular, quem atirar dele para o recinto público, ou do recinto público a ele, é "patur" pois a viga é feita para reconhecimento. Mas, se for adaptado com uma ripa, o que lançar dele ao recinto público, ou do recinto público a ele, é “ĥaiav” - pois a ripa está como uma parede separatória na quarta direção.

10 Duas paredes que se acharem no recinto público, entre as quais passa o povo, como pode tornar apta [a passagem entre elas]? - construindo portas em ambas as extremidades [do corredor entre as paredes]. Então, o espaço entre elas será "rechut ha-iaĥid". Não é preciso trancar as portas, mas precisa que seja aptas para que sejam trancadas. Caso se achem metidas na terra, deve erguê-las e consertá-las para que possam ser cerradas. Quanto ao "Tsurat ha-pêtaĥ", ou ripa e viga, não servem estes para tornar apto o "rechut ha-rabim".

11 É permitido o porte em um beco sob a viga, ou sob as ripas. Em que caso? - em que estiver próximo ao "rechut ha-rabim"; se, porém, estiver próximo à "carmelit", é proibido o porte sob a viga ou ripas, até que faça uma outra ripa para tornar permitido o interior da abertura. "Um de uma espécie encontra a outro de sua própria, e com isto se fortalece!"

12 Com qualquer coisa pode-se fazer a ripa: mesmo com algo que tenha vitalidade, e mesmo com coisas proibidas em usufruto. Um peça idolátrica em sua essência ou uma "acherá" que for feita ripa, é seu uso permitido, pois a espessura dela pode ser de qualquer medida. A altura dela, não pode ser menor que 10 "tefaĥim", mas sua espessura e sua largura, qualquer que seja.

13 Com tudo pode-se fazer a viga, mas não com a "acherá", pois a largura da viga tem medida declarada, e tudo o que tem medida é proibido para eles o uso da "acherá". Assim, a largura da viga não pode ser menor que um têfaĥ, e a espessura pode ter qualquer medida, desde que seja forte o suficiente para suportar o peso de um "aríaĥ", que é metade de um tijolo de 3x3 "tefaĥim". Quando aos suportes da viga, precisa que sejam fortes o suficiente para suportar uma viga e meio tijolo.

14 Que altura deve ter a entrada do beco, para que seja suficiente torná-lo permissivo para uso através de uma ripa ou uma viga? - sua altura não pode ser menos que 10 "tefaĥim", nem mais que que vinte "amôt" (*). Em que caso? - em que não disponha de "tsurat ha-pêtaĥ". Mas, caso tenha "tsurat ha-pêtaĥ", mesmo que seja a altura [das paredes do beco] de 50 côvados, ou mais baixa que 10 ["tefaĥim"], ou a largura de de cem côvados, é permitido.

15 Também no caso em que haja na viga sobre o beco forma em relevo ou gravura que cause que todos olhem-na, mesmo sendo a viga mais elevada que vinte côvados, é apta; isto, porquanto a viga é colocada para reconhecimento, mas estando acima de 20 côvados, não é reconhecida. Mas, se houver lá gravura ou forma em relevo, as pessoas a olharão, e haverá reconhecimento.

16 Um beco cuja altura seja desde o chão até o lado inferior da viga vinte côvados, e a espessura da viga esteja acima dos vinte, é "cacher". Se for sua altura mais que vinte côvados, e quiser diminuir sua altura com um viga que colocar abaixo, precisa a viga ter em sua largura um têfaĥ. Se a altura do beco for menos que dez, escava-se um espaço de 4X4 côvados, aprofundando-o para completar os dez.

17 Caso se faça uma "pirtsá" de seu lado em direção a seu topo, se sobrar de pé um "pass" cuja largura for de 4 tefaĥim, é permitido seu uso, desde que não seja a "pirtsá" mais que dez tefaĥim. Se não sobrar um "pass" de quatro tefaĥim, é proibido, a não ser que seja a "pirtsá" menor que três, pois tudo o que for menos que três, considera-se "lavud".

18 Havendo uma "pirtsá" completa do beco para o quintal, e outra "pirtsá" defronte a ela, do quintal para o "rechut ha-rabim" - é proibido, pois tornou-se em "mabôi mefulach". Quanto ao quintal em si, é permitido, pois o quintal onde a multidão passa é "rechut ha-iaĥid" em plenitude.

19 O beco que tiver [diversos] caminhos [a ele] de ambos os lados, sendo abertos para o recinto público, apesar de não serem direcionados um ao outro [diretamente], cada um deles é em si um "maboi mefulach". Somo se faz para torná-los aptos? - faz-se "tsurat petaĥ" para cada uma das entradas, e uma ripa ou viga para o outro lado.

20 Em um beco longo por um lado e curto por outro, deve-se colocar a viga posicionada em relação ao lado curto. Caso posicione a viga no ponto médio do beco, no lado interior do beco, que é interior em relação à é permitido o portar [coisas]. Quanto ao lado externo, que se acha exterior à viga, é proibido o porte nele.

21 Um beco cuja expansão ao largo seja de vinte côvados - deve-se fazer nele um "pass" alto 10 "tefaĥim", com a profundidade de quatro côvados, que é a medida da profundidade do beco, posicionando-o no meio [da entrada do beco], fazendo como se fossem dois becos, cuja entrada de cada um deles tem dez côvados. Ou, distancia dois côvados de um dos lados, e levanta um "pass" de três côvados, tornando-se a entrada do beco de dez côvados, com os lados como se fossem preenchidos, pois estará o [espaço] preenchido maior que o vazio.

22 A ripa que for protuberante da própria lateral do beco, é apta; mas, quanto a uma ripa que se mantenha por si mesma, caso haja sido previamente determinada desde antes do chabat, é apta. A ripa que por seu lado interior que é ripa, e pelo lado externo não, ou vice-versa, como se não houvesse ali nenhuma ripa, é julgada como sendo ripa. Se a ripa for colocada acima do solo 3 "tefaĥim", ou afastada da parede 3 "tefaĥim", nada foi feito. Outrossim, menos que 3 "tefaĥim", é apta, pois considera-se como "lavud" tudo o que tiver medida inferior a isto.

23 Uma viga sobre a qual se estenda uma esteira, a esteira anula-a, pois não pode ser reconhecida. Portanto, caso esteja a esteira elevada do solo 3 tefaĥim ou mais, não é [considerada] "meĥitsá". Caso finque [alguém] duas estacas na parede exterior do beco, e pousar sobre ela uma viga, será um ato nulo, pois é mister que esteja a viga sobre o beco, não preso a ele.

24 Se a viga sai de uma das paredes e não chega à segunda parede - e assim também duas vigas que uma delas sai de uma parede e a outra da outra, sem que alcancem uma à outra - [se a distância entre elas, ou entre ela e a parede for] menos que 3 [tefaĥim], não é mister trazer outra viga. Se, no entanto, for [o espaço entre elas] 3 [tefaĥim ou mais], é preciso trazer outra viga.

25 Similarmente: duas vigas idênticas, cada uma delas insuficiente para suportar uma porta, se houver na união de ambas a capacidade para suportar o peso de uma, não é necessário trazer outra viga. Se estiverem uma acima e outra abaixo, vê-se a superior como se estivesse abaixo, e a inferior como se estivesse acima. Só não pode estar a superior acima de vinte [côvados], nem a inferior abaixo de dez. Tampouco pode haver entre elas espaço livre de três tefaĥim, ao ver por indução que se abaixara a de cima, e se elevara a de baixo, até estarem uma junta à outra.

26 Se for a viga torta, deve ser vista como se fosse reta. Se arredondada, como se fosse quadrada - assim, se tiver em seu diâmetro três tefaĥim, terá ao largo um têfaĥ. Estando a viga dentro do beco, e sua parte torta fora dele, elevada acima da altura de vinte [côvados], ou abaixo de dez [tefaĥim], deve ser vista assim: toda cuja parte torta for-lhe eximida, e ficarem suas extremidades não havendo entre ambas três [tefaĥim], não é mister trazer outra viga. Se não, deve-se trazer outra [em seu lugar].

27 Um poço natural para o qual se fizera oito "passin" em seus quatro cantos,com dois "passin" pregados um ao outro em cada canto, são eles tidos como "meĥitsá", mesmo estando o "paruts" maior que o 'omed em qualquer das direções. Estando seus quatro cantos de pé permite-se retirar do poço e dar a beber aos animais. Que altura deve ter o "pass" em cada canto? - dez "tefaĥim". Quanto à largura - seis "tefaĥim". Entre um "pass" e outro - o espaço de duas juntas de quatro bois - entrando uma e saindo outra. Essa medida de largura não pode ser maior que treze amôt e um terço de amá.

28 Caso haja em algum lugar de um dos cantos, ou em todos os cantos dentre os quatro, uma grande pedra, ou uma árvore, ou uma colina abrupta que ergue-se 10 "tefaĥim" dentre quatro côvados, ou [ainda] um feixe de juncos, vê-se assim: todo o que se for dividido haverá nele uma amá para um lado e outra para o outro lado, e a altura seja de dez ["tefaĥim"], julga-se como sendo um canto no qual há dois "passin". Cinco juncos - não havendo entre eles três e havendo neles seis "tefaĥim" para um lado e seis para o outro - julga-se como como canto que tem dois "passin".

29 É permitido aproximar estes quatro cantos do poço, desde que possa estar uma vaca com a cabeça e o corpo dentro, e mesmo que não segure a cabeça do animal com o utensílio no qual se acha a água. Estando sua cabeça e a maior parte de seu corpo no lado interior, é permitido mesmo para um camelo. Se estiverem mais perto que isto, é proibido dar água dali, mesmo para um cabrito, que todo ele entra no local. E é permitido distanciar qualquer distância, desde que aumente o número de "passin pechutim" que são colocados em cada um dos lados, para que não haja entre um "pass" e outro mais que treze "amôt" e um terço de "amá".

30 Não se permitira o uso destes "passin" senão na Terra de Israel, e somente para os animais dos peregrinos das festas chamadas "reghalim". e isto - desde que haja um poço de fonte natural público. Mas qualquer pessoa pode descer a um poço e beber dele. Ou pode erigir uma cerca em contorno ao poço na altura de dez "tefaĥim", posicionar-se em seu interior, e tirar a água com um balde, e beber. E, se o poço for largo o demais, e a pessoa não consegue descer e beber, este pode retirar com utensílio e beber entre os "passin".

31 De modo similar, um poço comum público ou um poço natural particular, mesmo na Terra de Israel, não pode-se encher deles, a não ser se fizer-se em seu contorno uma parede separatória com a altura mínima de dez "tefaĥim".

32 Para alimentar o animal entre os "passin", deve-se encher e depositar em utensílio perante ele. Se porém o cocho estiver parcialmente no interior, entre os "passin", tendo a altura de dez "tefaĥim" e a largura de quatro, não se pode colocar diante dele, pois pode estragar-se o cocho, e terminará por retirar o balde para o cocho, e do cocho para o chão do recinto público; portanto, deve encher despejando, e o animal sorve por si mesmo.

33 Se alguém arremessar algo desde o "rechut ha-rabim" para o interior dos "passin", é passível, pois tendo em cada um de seus cantos uma "meĥitsá" completa, tendo a mesma a altura de 10 "tefaĥim" e mais que quatro de largura, e o setor quadrado é reconhecível e pode ser visto, torna-se tudo o que estiver entre eles "recinto particular"; e mesmo achando-se na planície, e não tendo em seu interior um poço, pois há em cada um dos quatro pontos extremos um "pass" de um lado e de outro. Mesmo que o público o atravesse, passando entre eles, as "meĥitsôt" não se tornam nulas, sendo como um quintal onde atravessa o público, pelo que quem arremessa para dentro deles, é "ĥaiav". E é permitido dar de beber ao animal entre eles, havendo ali um poço em seu interior.

34 O quintal que tiver uma extremidade entre "passin", é permitido portar dele para dentro deles, e vice-versa. Mas, se forem dois quintais, o porte fica proibido até que faça-se um "’eruv". Se a água secar no chabat, fica proibido transporte entre os "passin", pois não são considerados "meĥitsá" para permitir entre eles o porte a não ser por causa da água. Se veio água para o poço no chabat, é permitido o porte entre eles, pois toda "meĥitsá" feita no chabat é considerada como tal. Quanto ao beco do qual foi retirada a viga, ou a ripa, durante o chabat, é proibido o porte nele, e mesmo que esteja aberto para a "carmelit".

35 Uma êxadra localizada numa planície - é permitido o porte em toda ela, apesar de ela ter três "meĥitsôt" e teto - pois vemos isto como se o teto descesse até o solo, cobrindo o quarto lado. Quanto ao que arremessar desde o recinto público a ela - é isento, como o que arremessa a um beco sem saída no qual haja uma viga. Casa ou quintal onde se desmoronara uma de suas esquinas por dez côvados, é proibido transportar em toda ele, apesar de que todo o espaço aberto seja como uma abertura, pois não se costuma fazer abertura em esquinas.

36 A medida chamada "etsba'" (*) usada em todo lugar, é a largura do dedo polegar, e o "têfaĥ" é o equivalente a quatro "etsba’ôt". Quanto à "amá" citada em todo lugar, tanto para as leis da "sucá" como para as leis de "kiláim", é a "amá" de seis "tefaĥim". Em certos casos, é a medida do côvado feita com seis tefaĥim apertadas uma à outra, e em outros, com seis tefaĥim distanciados um do outro; tanto em um caso como no outro, é por meticulosidade. Como assim? - a profundidade do beco mede-se com quatro côvados alargados, e sua altura com vinte côvados ajuntados. O espaço da largura da "pirtsá", dez côvados apertados. Assim também conforme estes casos, é a aplicação do modo de medir em "sucá" e "kiláim".

Capítulo 18

01 Quem retirar algo do "rechut ha-iaĥid" para o "rechut ha-rabim", não é passível enquanto não portar algo cuja medida sirva para algo. E, estas são as medidas para a retirada: alimentos humanos, o equivalente ao volume de um “Kagerogêret”, e unem-se um a outro.Isto, desde que retire da essência do alimento, não da casca, semente, ramos, "subin", e "mursan".

02 Vinho - a quantia é um quarto de uma "revi'it", e se estiver coagulado, uma "kezáit". O leite de um animal puro, o suficiente para um gole; e de animal impuro (*), o suficiente para colorar de azul uma das pálpebras. Leite humano e clara de ovo, o suficiente para fazer remédio ocular. Óleo, o suficiente para untar o menor dedo do pé de uma criança no dia de seu nascimento. Orvalho - o suficiente para umedecer a pomada para os olhos, e "qilor", o suficiente para misturar em água. Água, o suficiente para lavar o interior de uma "medokhá". Mel, a quantidade suficente para que possa ser colocada sobre "roch ha-katit". Sangue, e todos os demais líquidos, o equivalente a uma "revi'it".

03 Feno de cereais, o suficiente para encher a boca de uma vaca. Palha de sementes encapadas, o suficiente para encher a boca de um camelo; mas, se retirar para dar a uma vaca o suficiente para preencher a boca de uma vaca, é "ĥaiav", pois o comer obrigado leva-se em conta. "amir", o suficiente para encher a boca de um cabrito recém-nascido. Ervas, o suficiente para encher a boca de um cabrito; folhas de alho e folhas de cebola - caso sejam frescas - o equivalente a um figo, pois considera-se alimento humano; se, porém, estiverem secas, o suficiente para encher a boca de um cabrito. E, não se únem [para julgamento] segundo o leve dentre eles, senão como o grave. Como assim? - se trouxer palha de cereais e palha de "qitniôt" - se houver em ambos o suficiente para encher a boca de uma vaca, é "patur"; se a boca de um camelo, é "ĥaiav". Assim todo caso semelhante, para o concernente ao chabat.

04 Quem retirar lenha - o suficiente para cozinhar a quantia equivalente a um figo seco segundo medido a partir de um ovo de galinha, embevecido em óleo e colocado no "ilpas". Se retirar um junco, o suficiente para que se faça dele um "qolmos" cuja altura chegue às extremidades de seus dedos. Se, porém, for grosso ou amassado, sua medida é como a da lenha.

05 Quem retirar tempero, o suficiente para temperar um ovo, e cada tempero se une a outro para completar a medida. "Pilpêlet", qualquer quantidade. Alcatrão, qualquer quantidade. Bom cheiro, qualquer quantidade; mau cheiro, qualquer quantidade (*). Especiarias, qualquer quantidade. Púrpura boa, qualquer quantidade. Botão de rosa, um. Tipos de metais duros, como o cobre e o ferro, qualquer quantidade. Da terra do altar, das pedras do altar, de restos de pergaminhos, de restos de seus lenços, porquanto costuma-se guardá-los respeitosamente. Brasa, qualquer quantidade. Quanto ao que retirar uma chama, é patur.

06 Quem retirar sementilhas domésticas que não forem alimento humano, a medida é menos que o volume de um figo seco. Sementes de abobrinha, duas. Sementes de abóbora, duas. Grãos de fava egípcia, dois. Quem retirar "subin", o suficiente para fechar a boca de um forno de ouriversaria. Quem retirar "mursan", a quantidade equivalente a um figo seco - caso seja com a finalidade de alimento humano, a quantidade equivalente a um figo seco - e, com a finalidade de alimento animal, o suficiente para encher a boca de um filhote de caprino em idade tenra. Com a finalidade de tingir, o suficiente para tingir uma roupa pequena "Lulavê zeradim" e de algarroba, enquanto não se adocicarem, o equivalente a um figo seco; desde então, o suficiente para encher a boca de um filhote caprino em tenra idade. Quanto ao "lof", a mostarda, os tremoços e todos os demais que são designados para conserva, o equivalente a um figo seco, sejam amadurecidos ou não.

07 Quem retirar sementes, se para alimento humano, cinco sementes; se para alimentar o fogo, são como lenha, se forem para uso aritmético, duas. Se para plantar, duas. Hissopo, para alimentos humanos, o equivalente a um figo seco. Para animais, o suficiente para encher a boca de um tenro filhote caprino. Para servir de lenha, como a quantidade estipulada para lenha; para espargir, o suficiente para isto.

08 Se alguém retirar cascas de de nozes, cascas de romãs, anil ou puá e todos os demais elementos usados para tingir, o suficiente para tingir a roupa pequena, como o véu usado pelas meninas. Similarmente, se alguém retirar urina guardada por quarenta dias, ou "nêter Aleksandria", ou "borit", "qimônia", "achlag", e todos os demais elementos de uso para limpeza, o suficiente para lavar uma roupa pequena, como um véu. Se retirar especiarias deixadas em molho, osuficiente para tingir um molde para o tecedor.

09 Se retirar tinta em uma pena, o suficiente para que se escreva com ela duas letras. Mas caso retire a tinta à parte, ou em seu invólucro, é necessário que haja nele mais que isto, para que possa elevar-se pela pena e possa escrever com ela duas letras. Havendo no invólucro o suficiente para escrever uma letra, e na pena o suficiente para uma letra, ou na tinta somente, por si, para apenas uma letra, e na pena uma letra, é caso duvidoso. Se retirar duas letras escrevendo-as enquanto anda, é passível - pois sua escrita é considerada