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Capítulo 10

01 Quem atar um nó subsistente, que é o feitio do profissional, é passível. Por exemplo, como o nós dos cameleiros, o nó dos marinheiros, e o nó dos sapateiros e fabricadores de sandálias, que amarram os trabalhadores de peles no momento da fabricação, e tudo o que se assemelhe. Quem, porém, fizer um nó subsistente que não for feitio de artífice, é patur. Quanto ao nó que não subsiste, nem é trabalho de artífice, é permitido atar a priori.

02 Caso desprenda-se uma correia e atá-la, rebentado uma corda e amarrá-la, ou amarrar uma corda em um balde, ou as rédeas a um animal - é nestes casos todos patur - e assim em todos os nós que se assemelhem a estes, que são nós de pessoas comuns que todos fazem com subsistência. Quanto a todo nó que não for subsistente, fazê-lo como nó de artífice é proibido.

03 Pode a mulher atar as aberturas de sua túnica, ou mesmo se este dispor de duas aberturas, e os fios do lenço, mesmo que o lenço seja lasso. Tiras de sapatos ou de sandálias que se amarram aos pés ao calçá-los, cântaros de vinho ou óleo, mesmo que este disponha de duas asas, e panela de carne, mesmo podendo tirar a carne dela sem precisar desatar o nó. Pode-se amarrar um balde com um cordel ou tira de pano ou semelhantes, mas não com uma corda. Pode-se atar uma corda diante do animal, ou atar seus pés um ao outro, para que não saia, e mesmo que ate as duas amarras. Quanto à corda presa à vaca, pode ser atada à manjedoura, e a atada à manjedoura, pode-se atar à vaca. Todavia, não pode trazer uma corda de casa e amarrar com ela a vaca à manjedoura, ou a manjedoura à vaca, a não ser que seja corda de "gardê". Por serem todos estes nós comuns, e não consistentes, que pode atar ou desatar quando bem quiser, é permitido, portanto, atá-los a priori. Os pendentes de tâmaras e figos ressecados podem ser desfeitos seus nós, ou partir, ou cortá-los, afim de retirar deles para os ingerir.

04 Tudo o que for apropriado para servir de alimento animal, pode-se amarrar no chabat. Portanto, se desprender-se uma correia de sua sandália no chabat em "carmelit", pode-se pegar uma goma humente que sirva para alimento animal e envolver a sandália, amarrando a goma. Se soltarem-se correias do sapato ou sandália, ou a maior parte do pé, é permitido devolvê-las a seu lugar, contanto que não as amarre.

05 O laço é permitido, por não se confundir com o nó. Portanto, se uma corda se partir, pode-se unir suas extremidades [partidas], pegar uma tira e envolvê-la, fazendo um laço sobre as extremidades com a tira.

06 É permitido atar um nó não consistente para algo preceitual, como por exemplo, para medir uma das medidas da Torá. A corda de um "kinor" que partir-se pode ser reatada no Templo, mas não nos demais lugares. A priori, não se deve reatar uma corda destas nem mesmo no Templo.

07 Todo nó sobre o qual incorre-se em penalidade por atá-lo, assim também incorre caso o desfazer. Assim também, todo nó que quem o fizer for isento, isento é também quem o desatar. E, todo nó permitido que se ate, é permitido também o desatar.

08 Quem fiar cordas de folhas, de "ĥêlef", de fios de lã, de fios de linho, de fios de cabelo, e semelhantes, efetua uma ação derivada de atar, pelo que é passível. A medida para a incorrência em penalidade é o suficiente para que o fio seja subsistente sem precisar de nó para tanto. Todo o que desfizer um fio, é igualmente passível, desde que não esteja interessado em simples estrago. Sua medida, é equivalente à do que fia.

09 Quem costurar duas casas de costura é passível, e isto se amarrar ambas as extremidades da linha para que a costura subsista, e a linha não escape. Mas se cozer mais que duas casas, mesmo que não fizer o nó nas extremidades da linha, é passível, pois a costura é subsistente. Quem retesar um fio de costura no chabat é ĥaiav, pois encontra-se efetuando algo do necessário para a costura.

10 Quem rasgar com a finalidade de costurar duas casas de costura, é ĥaiav. Quanto ao que rasga com intenção de desperdício, é patur, por estar causando estrago. A pessoa que rasgar algo por ira, ou por um morto sobre o qual é obrigado a rasgar sua roupa, é passível, pois com esta ação a pessoa se sente melhor, descansando sua impetuosidade. Já que se abranda sua ira nisto, a pessoa se acha consertando, pelo que é passível. A pessoa que diminuir a gola da veste no chabat é passível.

11 Quem colar papéis ou peles com cola de escribas, ou semelhantes, efetua uma ação derivada de costura, pelo que é passível. Similarmente, quem separar papéis colados, ou peles coladas, sem ter tido intenção somente de danificar, realiza uma ação derivada de rasgar.

12 Quem construir qualquer quantidade é ĥaiav. Quem equalificar o solo em casa, como por exemplo, quem derrubar uma colina ou preencher de terra um vale, constrói, pelo que é passível. Se um der a pedra, outro, a massa - este que deu a massa é o passível. Se na cobertura superior, mesmo se levantar a pedra e colocá-la sobre a massa, é passível, pois não é preciso colocar sobre ela massa. Mas quem construir sobre utensílios é patur.

13 Quem armar uma tenda permanente - que é execução de ação derivada de construção - é passível. Assim também o que fabricar utensílios de argila, como forno ou pote, antes de serem queimados, efetua uma ação derivada de construção, pelo que é passível. Assim o que faz endurecer ao queijo, realiza uma ação derivada de construção, e é passível - mas não é, enquanto não fizer a quantia equivalente a um figo seco. Quem meter um cabo na enxada efetua uma ação derivada de construção. Assim, tudo o que se assemelhe. De modo similar, todo o que mete uma madeira na cavidade de outra, seja com prego, seja a madeira mesma, efetua ação derivada de construção, e é passível.

14 Alguém que abra um orifício de qualquer tamanho em um galinheiro, para que por ele ultrapasse a luz, é passível por construir. O que repor a porta [que serve de cobertura] de um poço, ou de local subterrâneo, ou de galeria, é passível por construir.

15 Quem destruir qualquer quantidade é passível, isto desde que destrua afim de reconstruir. mas se destruir por danificação, é isento. Quem desarmar uma tenda permanente, ou retirar uma madeira de seu encaixe, é passível por efetuar destruição, e é passível. Isto, caso tenha a intenção de conserto.

16 Quem der golpe de martelo, e assim todo o que fizer algo que for o necessário para o término de um trabalho, é tal ação derivada de golpear com martelo. Como assim? - por exemplo, se fizer utensílios de vidro, ou se der a algum utensílio forma, mesmo em parte, é passível por efetuar ação derivada de golpe de martelo.

17 Quem espremer a abertura de um ferimento com a finalidade de aumentar a confluência do mesmo, conforme o costume médico, os quais fazem-no com intenção medicinal, é passível por golpear com martelo, por ser este um trabalho médico. Mas se fizer somente para extrair o pus no chabat, é permitido.

18 Quem lapidar uma pedra qualquer quantia, é passível por golpear com martelo. Se encaixar uma pedra em algum fundamento de construção, colocando-a com exatidão no local onde deve estar, é passível por golpear com martelo. Alguém que remover por sua própria mão um caroço de roupas, como os caroços que se desenvolvem [especialmente] em roupas de lã, é passível por golpear com martelo. Isto, no caso de fazer-lhe caso. Mas se o retirar ocasionalmente, é isento. Quem sacudir uma roupa preta nova com a intenção de embelezá-la, retirando dela o amarelado claro que a ela se apega, como fazem os artífices, incorre em obrigação de imolar sacrifício ĥatat. Se, porém, não lhe dá importância, é permitido que o faça.

19 Quem caçar algo que é o costume que seja caçado, como por exemplo animais, aves ou peixes - e isto caso haja caçado fazendo com que entrem em determinado lugar no qual é desnecessário preparar armadilha - como no caso em que perseguir um cervo até que este entre em uma casa, jardim caseiro ou quintal, fechando a porta após ele - ou se fizer voar certo pássaro até que este entre em um grande armário, fechando após ele - ou se retirar um peixe do mar usando um copo d'água - é passível. Mas caso haja feito voar o pássaro para uma casa, fechando-a, ou lançar um peixe diretamente do mar - tirando-o do mar - diretamente para uma piscina, ou se perseguir um cervo até que entre em um espaçoso triclínio, fechando-o após - é isento, pois não trata-se de caçada completa, pois ao tentar segurá-lo, é preciso perseguir [novamente], caçando-o ali. Portanto, quem caçar um leão não é passível, enquanto não obrigá-lo a entrar numa jaula, onde possa estar preso.

20 Todo local no qual correr pode alcançar o animal em um movimento, ou que as paredes forem tão próximas uma da outra que suas sombras possam estar no centro a um tempo, é considerado um local pequeno. Se fizer afugentar o cervo ou semelhantes para seu interior, é ĥaiav. Local maior que este - quem afugentar o animal para seu interior é patur.

21 Tanto qualquer um dos oito "cheratsim" citados na Torá, quanto os demais "cheqatsim" e "remassim" os quais possam ser caçados - quem caçar um deles, por necessidade ou não, como para uso em diversão - é passível, pois teve a intenção de caçar. Isto, porquanto o trabalho no qual não haja necessidade na efetuação do trabalho em si, é passível por ele. Se caçar o adormecido ou o cego, é passível.

22 O que atiça cachorros para que cacem cervos ou lebres, ou semelhantes, e fugir o cervo do cachorro, e perseguir o cervo, ou colocar-se perante ele e assustá-lo, até chegar o cachorro e pegar, é passível, pois isto é uma "toladá" de caça. Assim também quem o fizer em concernência a aves.

23 Se entrar um cervo em uma casa, e alguém fechar a porta após, é este passível. Se duas pessoas fecharem, são "peturim" ambos. Se, porém, qualquer um deles sozinho não tem capacidade de fechar a porta, e fecharam-na em conjunto, são "ĥaiavim". Se assentar-se uma pessoa à porta, e não preencher toda a área vazia da porta, e vir um segundo e preencher o restante, é o segundo passível. Se assentar-se o primeiro e preencher, e vir o segundo e sentar-se a seu lado, mesmo que o primeiro levantar-se e ir-se, é o primeiro o passível. O segundo nada fez, e é-lhe permitido ficar sentado até o anoitecer e pegar o cervo. A que se assemelha isto? - a alguém que fecha sua casa para guardia da casa, e um cervo já achava-se dentro dela, que este não fez nada. Se vier um pássaro e colocar-se sob sua proteção, pode sentar-se e conservá-la guardada até o escurecer, e é permitido.

24 Quem caçar um cervo envelhecido, ou coxo, ou doente, é isento. Se alguém soltar animal doméstico ou campestre de uma armadilha, é isento. Se caçar animal ou ave que já se achar em sua propriedade, como por exemplo cisnes, frangos ou pombos domésticos, é isento. Se caçar espécimes nos quais a caça não é algo comum, como gafanhotos, grilos ou mosquitos, pulgas e semelhantes a estes, é patur.

25 Rastejantes perniciosos como serpentes, escorpiões e semelhantes, mesmo quando não são mortíferos, por picarem, é permitido sua caça, e isto por ser sua intenção unicamente o fugir à picada. Como deve fazer? - debruçar sobre eles um utensílio, ou contorná-los com algo, ou amarrá-los, com a intenção de que não causem dano.


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