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Capítulo 14 - Esclarecimento da halakhá 8ª:

Este caso é trazido no Talmud 'Erubin, 84b, e as palavras de Rabi Mochê ben-Maimon não têm o mesmo sentido das palavras de Rach”i em sua exegese sobre o Talmud, que entendeu que os que se tornam proibidos de usá-lo são os transeuntes no recinto público. Eles não tornam-se proibidos de usar este recinto, pois ele já é proibido pela Torá, sendo "rechut ha-iaĥid". De que se trata, então, a promulgação trazida no Michnê Torá, acerca do feitio da escadaria para torná-lo permissivo?

Eu, que traduzo para pessoas de língua portuguesa, pensando na confusão que talvez venha a ser ainda maior para o leitor de língua portuguesa, esclarecerei primeiramente onde se posiciona a escada, e de que se trata o assunto, primeiramente com uma gravura, e em seguida, com palavras minhas e do grande rabino iemenita, Rabi Iossef Qafiĥ, de abençoada memória.

A lei concernente à coluna que conta com nove tefaĥim de altura no rechut ha-rabim, encontramos no trat. Chabat, pg 8a, trazido por 'Ulá. Porém, ali torna-se claro: nove, não oito; nove, não dez, e nem entre ambos. A isto tentam comparar o assunto trazido no concernente ao teto. outrossim, a pergunta: "Po que trouxe com medida de um têfaĥ a mais do que a coluna?"

Primeiramente, cabe trazer qual a real diferença entre o modo de entender o uso da coluna trazida no capítulo 14 como algo usado pelo público para consertar a carga que traz sobre os ombros: o termo hebraico para tal uso é "mekhatefin", e deriva de "katef" = ombro. Rach"i, porém, explana que trata-se de uso para coisas pequenas, como por exemplo, para depositar sobre ele por alguns instantes um chapéu ou turbante. Neste caso, o uso seria do público. Tal coluna, que por lógica seria "meqom petor", tornar-se-ia parte do recinto público pelo uso geral, e não carmelit.

Escreveu o Rachb"á:

"O teto que se encontra junto ao recinto público, no quintal e dentro de dez tefaĥim, e acima de dez em direção ao quintal, e o público faz uso dele, e são acostumados a depositar nele utensílios pequenos, chapéus e turbantes, e semelhantes, é como o recinto público, e é proibido ao dono do quintal usá-lo desde seu quintal até que lhe faça uma escadaria a partir de seu quintal. Se fizer uma escadaria permanente, ser-lhe-à designado para si próprio, e será permitido a si que transporte dele para seu quintal e para sua casa, e deles para ele, e torna-o assim separado do público. Que é escada permanente? - que seja permanente tanto para chabat como para o dia semanal. Se fizer a escadaria permanente para o chabat, mas não para os dias semanais, não pode ser tido como permanente. E, qual a diferença entre ele e o a coluna no recinto público? - me parece que por não ter a coluna a altura de dez [tefaĥim], e ter este teto a altura de dez [tefaĥim] dentro do quintal, a que se assemelha? - ao poço aberto no recinto público, cuja profundidade seja sete [tefaĥim], e uma "ĥuliá" em cuja altura hajam três [tefaĥim] o completa, tornando-o profundo dez [tefaĥim]"

Todavia, apesar de muitos rabinos haverem aplicado esta compreensão do Rachb”á ao que traz o Ramba”m, na verdade nada tem a ver a explicação com o que realmente diz o Ramba”m, pois a explicação do Ramba”m, segue o mesmo sistema de Rabênu Ĥananeel, que provém da tradição gaônica transmitida desde o selamento do Talmud geração após geração, e conforme a versão talmúdica que se achava em suas mãos, segundo a qual o uso do público nele é feito segundo o uso da coluna no recinto público, mas este é um setor particular, portanto não pode o público estar usando-o como recinto público. Exatamente por isto é que (diferentemente da coluna), não condicionaram-no nos pormenores da altura de nove [tefaĥim], senão dentro do espaço de dez, que seu uso é prático para o público, mas não enquadra-se em nenhuma das situações que tornem permissivo seu uso, sendo recinto particular. Ou seja: tanto o Rachb"á como os demais que tomaram sua posição não levaram em conta este detalhe. Mesmo que fosse a altura nove tefaĥim, e mesmo que fosse menos que dez, mas mais que nove, ou menos que isto, não poderia de modo algum ser tido como carmelit ou como "meqom petor".

Enquanto que o Rachb"á explana que o uso é feito do telhado para que se coloquem nele por alguns instantes coisas pequenas, como "cumtá" e "sudará", que são ambos objetos pequenos e leves, e diz "e coisas assim como estas...", tentando explicar o escrito neste capítulo pelo Ramba”m, o trazido aqui pelo Ramba”m refere-se não a uso simplesmente para coisas pequenas, como chapéu e outros, pois deixa claro no uso do termo "mekhatefin", que deriva de ombro e é o uso da coluna. O trazido por Rabênu Ĥananel difere totalmente do que entendera Rach”í, e também a forma das palavras que aparecem em sua versão talmúdica difere, pois em lugar de "cumtá", o termo usado por ele é "kuntá", e explica:

"Rab Papá desfavorece a opinião de que poderia ser permitido com a colocação de uma escadaria não permanente, não devido ao fato de que o uso por esta forma seja fácil, e não por serem um mesmo recinto, senão pelo fato de que costuma usá-lo (ao teto) com "cuntá" e com "sudrá", que significa: [o dono do quintal] veste sua sobre-túnica e seu chapéu fino, introduz sua carga a este teto a partir do recinto público, e assim achar-se-á utilizando-o como "kituf" (que é o mesmo uso da coluna que se acha no recinto público)." - Veja Tratado ’Erubin 84b - Leia a exegese de Rach”i e de R. Ĥananeel, e entenda.


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