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Capítulo 23

01 Todo o que fizer um orifício para introduzir e retirar por seu intermédio, como por exemplo o orifício do galinheiro, que é feito para entrada do ar e saída do calor, é passível por “golpear com martelo”. Por isto, decretaram sobre todo tipo de orifício, mesmo que seja somente para retirada, ou somente para introdução, para evitar que venha a fazer um orifício sobre o qual haja passibilidade. Por isto mesmo, não pode-se abrir em um barril um novo orifício, ou mesmo aumentar o existente. Mas, pode-se abrir um orifício antigo, desde que não esteja sob os conservantes, pois se for, isto serve para com que se fortaleça, e fica proibida sua abertura.

02 Pode-se perfurar um orifício no barril para retirar dele vinho, contanto que abra-o em sua parte superior. Ao lado, porém, é proibido, pois é como conserto de utensílio. Pode-se quebrar um barril para comer dele figos secos, desde que não haja intenção de fazer um utensílio. Pode-se portar um barril de vinho, e romper sua parte superior com uma espada diante das visitas, sem temor, pois sua intenção é demonstrar a generosidade de seu coração.

03 Assim como é proibido abrir qualquer orifício, é proibido lacrar um orifício. Por isto, é proibido lacrar o barril, e mesmo que seja com algo que não se umedece, e não chegue a torcer, como por exemplo se lacrar com um palito, ou com um pequeno atado de coisas. Mas se colocar algum alimento por sobre, para guardar o alimento, e com isto cobrir o orifício, é permitido, e é permissível a trama neste tipo de coisa.

04 Toda sorte de coisa que for o término de uma ação proibitiva, torna-se o que o realiza passível por “golpear com martelo”. Por isto, todo o que raspar qualquer quantia de algo, ou que consertar algo com o que o útil para tal finalidade, é passível. Por esta razão é proibido fazer soar melodia no chabat, seja com utensílio, como violinos ou harpas, ou com outras coisas. Até mesmo bater com o dedo no chão, ou sobre uma tábua, uma após a outra como fazem os músicos, ou ainda chacoalhar uma noz para uma criança, ou brincar com uma tesoura para que se aquiete, tudo isto e tudo o que se assemelhe, é proibido: assim é o decreto, para evitar que alguém venha a consertar um instrumento musical.

05 Não se pode bater palmas, dançar, nem tampouco bater em utensílios no chabat. Decreto: evitando que venha alguém a consertar um instrumento musical. Bater as costas das mãos, é permitido. Não se flutua sobre a água. Na piscina do quintal de casa é permitido, flutuar nela, pois não fará nela barril de flutuadores. E, isto, desde que não tenha borda circular em seu contorno, que é feita para evitar que saia dele a água, havendo difenciamento entre o barril e o mar.

06 Não pode-se cortar um canudo de junco, por estar consertando um utensílio. Se já estava cortado, apesar de não aprimorado, é permitido introduzir ao orifício do barril no chabat, e retirar vinho por seu intermédio, e não teme-se que venha a consertar. Mas, é proibido colocar uma folha de mirta ou semelhantes no orifício do barril, para despejar o vinho através dela, pois é como fazer canaleta no chabat. Nem tampouco pode-se romper argila, ou rasgar papel, por estar consertando utensílio.

07 Um ramo de videira que estiver atado a um balde, pode-se encher através dela no chabat; mas, caso não esteja atado, não se pode encher com ela, por decreto: pode vir a truncá-lo afim de o consertar.

08 É proibido polir utensílios de prata com “garticon”, por estar lustrando-os como fazem os profissionais, achando-se como quem conserta utensílio, completando um trabalho no chabat. Mas, pode-se polir com areia, ou com sódio. De mesmo modo, todos os utensílios pode-se polir com tudo, mas é proibido lavar tijelas e “ilpassin”, e semelhantes, por ser como conserto, a não ser que os lave para uso em outra refeição no mesmo chabat. Quanto a utensílios de bebidas, como copos e jarros, pode-se lavar sempre, pois não há tempo marcado para bebida. Não pode-se preparar a cama no chabat para dormir nela após a saída do chabat, mas pode-se preparar na noite do chabat para o próprio chabat.

09 No se pode fazer a imersão de utensílios impuros no chabat, pois estará consertando um utensílio. Mas, uma pessoa impura pode imergir no chabat, pois aparenta estar esfriando-se. Mas, não se efetua a aspersão sobre ele no chabat. Pode-se imergir água impura no chabat. Como deve fazer? - despejando-a em um utensílio que não absorva impureza, como por exemplo utensílio feito de pedras, e introduz o utensílio na miqvê até que suba a água da miqvê sobre ela, e será purificada. Mas, não se efetua a separaçaão de terumôt e ma’asserôt no chabat, por parecer estar consertando algo que não estava aprimorado.

10 Curtir, é um dos trabalhos-raízes, e a pessoa que amolece a pele como os curtidores fazem, acha-se curtindo, e é passível. Portanto, não unte a pessoa seus pés com óleo, estando calçado com seu sapatos novos, ou com sua sandálias novas. Mas, pode untar seus pés com óleo, e calçar seus sapatos ou sandálias, mesmo sendo eles novos. E, pode-se untar todo o corpo com óleo, e rolar sobre uma esteira de pele nova, sem temor. Em que caso é assim? - em que o óleo for pouco, suficiente para apenas engraxar a pele; mas, se for muito óleo sobre si, para que a pele se amacie, é proibido - pois é como curtir a pele. Tudo isto, porém, nos objetos novos; nos velhos, é permitido.

11 Quem untar com pomada no chabat, é passível por apagar a pele. Portanto, não se lacra um orifício com cera, ou semelhantes, para que não se transforme em unção. Mesmo com banha não lacra-se orifícios, por decreto, por causa da cera.

12 Escrever é um dos trabalhos-raízes. Portanto, não se pode tingir as pálpebras com “pukh”, ou semelhantes, pois é como escrever. E, é proibido emprestar ou tomar emprestado por decreto, para evitar que alguém venha a escrever. De mesmo modo, é proibido comprar e vender, alugar e tomar em aluguel, pois pode ser que acave por escrever. Não contrate uma pessoa funcionários no chabat, nem peça a um amigo que o faça por si. Mas, tomar emprestado ou emprestar objetos, é permitido. “Toma emprestado uma pessoa de seu amigo um odre de vinho, ou recipiente de óleo, com apenas a condição que não diga: ‘-halvêni!’...

13 Tanto vender por palavras, como vender por entrega, é proibido, seja com ou sem balança. E, pelo mesmo modo como é proibido pesar, é proibido fazer conta e medir, seja com utensílio de medição, com a própria mão ou com corda.

14 Não se faz julgamento no chabat, nem faz-se “yibum”, nem tampouco “ĥalitsá”, nem “qiduchin”: por decreto, pois pode alguém chegar a escrever. Não consagra-se, não avalia-se, nem confisca-se, por assemelhar-se com compra e venda. Não separa-se terumôt e ma'asserôt, por parecer com consagração de frutos que separar, além de assemelhar-se com quem conserta algo no chabat. Não se faz a dízima de animais, por decreto: pode ser que venha a assinalar com siqrá no chabat. Mas, pode consagar seu cordeiro destinado a ser qorban pêssaĥ no chabat, e seu animal destinado a ser qorban ĥagigá, por ser o mandamento do dia. Assim como não se consagra, não se designa “mê ĥatat” para sua finalidade purificadora.

15 Se alguém separar terumôt e ma'asserôt no chabat sem intenção, pode comer do que consertou. Intencionalmente, não coma até sair o chabat. Seja de um ou de outro modo, o que fez está feito, e "consertou" os frutos. Igualmente, se consagrar algo, avaliar ou confiscar: o que fizer, está feito. E, torna-se desnecessário dizer que é a mesma regra para o yom tob. Se alguém efetuar a aquisição de algo para outrem no chabat, pelo que fez está aquirido.

16 Pode-se separar os ma'asserôt de "demai", no crepúsculo, mas não o "vadai". Quem houver denominado a terumat ma'asser do demai, ou ma'asser 'ani do vadai, não os separe no chabat, mesmo que haja preparado um local para eles antes do chabat, e sabe exatamente qual é cada um, estando já colocados ao lado dos [demais] frutos. Havendo um cohen ou um pobre que está costumeiramente ceiando consigo, podem eles vir e comer, com a condição que os faça saber que "isto que te estou dando a comer, é terumat ma'asser!" ou no caso do pobre, "isto que te estou dando a comer, é ma'asser 'ani!.

17 É proibido apostar e jogar dados no chabat, pois é como compra e venda. Mas, pode apostar uma pessoa com seus filhos e demais de sua família sobre uma porção alimentícia maior contra uma menor, que sobre isto não se dá importância.

18 É proibido fazer cáculos dos quais necessita no chabat, seja de coisas transatas, ou futuras, por decreto, pois pode ser que venha a escrever. Por isto, cáculos dos quais não necessita, é permitido fazer. Como assim? - -Quantas sein nos vieram no ano fulano?" "-Quantos dinarim foram gastos no casamento de seu filho?" - e, assim por diante, por fazerem parte de uma conversa infrutífera, na qual não há proveito algum, sendo o que efetua cálculos sobre elas no chabat, é como quem o faz em dia semanal comum.

19 É proibido ler no chabat em contratos de simplórios, para que não seja como dia semanal comum, e acabe por apagar. Pode-se calcular o número de hóspedes, e a quantidade de alimentos, por suas próprias palavras, mas não do escrito, para que não se ache lendo contrato de gente simplória. Portanto, se os nomes estiverem escritos sobre uma tabela, ou na parede, é permitido ler, pois não é o mesmo que ler em um contrato. O escrito [para ser visto pelo] que anda sob a gravura, ou sob a imagem, é proibido ler no chabat. Também ler as Escrituras no chabat, na hora do Bet ha-Midrach, é proibido, por decreto, para evitar a anulação do [estudo no] bet ha-midrach, para que não esteja cada um assentado em sua casa estudando, deixando do [estudo em conjunto no] bet ha-midrach.

20 Se ocorrer um incêndio no quintal, não pode salvar tudo o que tem ali transferindo para outro quintal que se ache no mesmo beco, mesmo que haja sido feito um ’eruv, por decreto que evita que venha a apagar o fogo para salvar, pois toda pessoa se preocupa por seu dinheiro. Portanto, decretaram que não salve senão o alimento que necessita para o mesmo chabat, e utensílios dos quais necessitará naquele chabat, e roupas que possa vestir. Assim, perde a esperança por tudo, e não chegará a apagar. E, se não fez ’eruv, nem mesmo seu alimento e utensílios pode salvar.

21 Que pode salvar para alimento? - se o incêndio for na noite de chabat, pode salvar alimento suficiente para três refeições;: o que for alimento humano, segundo a quantidade e tipo para humanos; se para animais, segundo a quantidade e o tipo para animais. Se for pela manhã, para duas. Se pela tarde, para uma refeição.

22 Em que caso é assim? - no caso em que salvar muitos utensílios, ou em que enchia um vasilhame, esvaziando-o fora, e voltando a encher outra vez, não pode salvar senão o que precisa. Mas, se retirar uma única vez, mesmo que for a quantidade para muitas refeições, é permitido.

23 Como assim? - pode salvar um cesto repleto de pães, mesmo que haja nele para diversas refeições, e um cículo inteiro de tâmaras, e um barril cheio de vinho. De modo similar, se estender um tecido, e pegar com ele tudo o que possa retirar, e retirar de uma só vez, é permitido.

24 Se disser a outros: "-Vinde, salvai para vós mesmos!" Cada um pode salvar o alimento que necessitar, ou utensílio que suportar até mesmo algo grande, e pertencerá ao que salvar. Mas, se o que o salvar não o quiser, e der para o dono amterior, é-lhe permitido que receba dele após o chabat o galardão de seu trabalho. E, isto não é pagamento de trabalho feito em chabat, que não houve nem trabalho, nem proibição, pois não estava a retirar senão em um lugar onde havia ’ruv.

25 Se retirar um pão limpo, não pode voltar e retirar outro pão limpo. Mas, se retirar no princípio pão não limpo, pode voltar e retirar um limpo. E, pode salvar no yom kipur o que necessitar para chabat, se o dia de kipur cair na véspera de chabat. Mas, não pode salvar em chabat para yom kipur, e é desnecessário dizer que não pode salvar do chabat para o yom tob, ou de um chabat para o outro.

26 Que pode salvar de indumentos? - de tudo o que puder vestir, vista-se, e envolva-se em tudo o que puder envolver-se, e retira. E diz a outros: "-Vinde, salvai para vós mesmos!, e cada um veste-se e envolve-se como puder, e é tudo dele, como o alimento, pois quem pegou do desapropriado, tem o direito da aquisição.

27 É permitido salvar todo escrito sagrado de um quintal para outro, dentro do mesmo beco, mesmo que não haja feito ’eruv, com a condição de que hajam três paredes, e uma tábua. Isto, desde que estejam escritos com "escrita hebraica assíria" e em “lachon ha-qôdech”. Estando escritos em outro idioma, ou mesmo em hebraico, mas com outro tipo de escrita, não pode-se salvar, e mesmo que houver ’eruv. Nos dias semanais, é proibido ler neles, senão deve-se deixar que fiquem na genizá, e acabem-se por si mesmos.

28 Se estiverem escritos com tinta ou "siqrá", mesmo que não seja escrita duradoura, por estarem escritos em escrita assíria e em “lachon ha-qôdech”, deve-se salvá-los. Os pergaminhos de rolos da Torá não escritos, sejam superiores ou inferiores, ou entre uma porção e outra, entre uma página e outra, no começo ou no final do livro, não salva-se. Bênçãos e "qeme’in" - apesar de haver neles letras do Nome e muitos assuntos pertinentes à Torá - não salva-se a estes de um incêndio.

29 Um rolo da Torá no qual hajam em conjunto oitenta e cinco letras de palavras completas, mesmo que entre elas esteja a expressão “Yeghar Sahaduthâ”, e também que que não tenha oitenta e cinco letras, mas haja nelas nomes de Deus, como por exemplo: “Wayehi bin’sô’a ha-aron...”, devem ser salvos do incêndio. E, deve-se salvar uma bolsa na qual se guarda um rolo da Torá em conjunto com ele, e uma bolsa de tefilin, com os tefilin, mesmo que haja dinheiro em seu interior.


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