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Capítulo 2 - aprofundamento e notas - "tumá deĥuiá" e "chabat deĥuiá".

Em nosso cap. temos: "Deĥuiá hi chabat etsel sacanat nefachot..." (*), e pergunta-se se o termo "deĥuiá" usado aqui tem o mesmo sentido do que é usado em concernência a tumá (impureza), onde encontramos a discussão entre os amoraím no Talmud no Trat. Iomá, os quais discutem também sobre qual a posição dos tanaím acerca do problema, como no Trat. Pessaĥim, por exemplo se é "tumá (*) deĥuiá betsibur", ou se "tumá (*) hutrá betsibur". Devido ao fato de o termo usado ser o mesmo, e o trazido com o caso pertinente à impureza ser tal, pergunta-se acerca do sentido em ambos, se é também igual.

Apesar de a questão ter suas raízes no uso do termo no próprio Talmud, a pergunta aqui é mais especificamente sobre o posicionamento de Maimônides com respeito ao uso em si, pois a partir do momento que opina segundo quem afirma no Talmud que é "tumá deĥuiá betsibur", então subentende-se que se diz "deĥuiá hi chabat etsel sacanat nefachôt", pode ser que signifique isto que pretende que o termo é usado identicamente. Mas, apesar de provável, não é certeza que possa-se afirmar isto. Mas, se tomarmos esta probalidade como real, nos perguntamos então se não seria mais correto dizer "hutrá chabat etsel sacanat nefachôt", caso não seja propriamente o que quiz dizer, se é que quiz.

Encontramos que Maimônides admite como fato que "tumá deĥuiá betsibur", e cabe-nos entender o que significa, pois ambos os termos à primeira vista parecem o mesmo para a pessoa que não é acostumado com o linguajar exato e conciso dos Sábios do Talmud.

Se dizemos "Tumá hutrá betsibur", significa que em nossos dias,quando todo o povo judeu, incluindo os cohanim responsáveis pelo trabalho no Templo (os sacrifícios, as ofertas, etc.),acham-se impuros, os sacrifícios que são públicos - e somente eles - podem ser feitos mesmo em impureza. Inclui-se neles o Pêssaĥ e ĥagigá.

O mesmo se dá com a própria reconstrução do Templo. Na verdade, é necessário que estejam os construtores aptos para a reconstrução, achando-se em estado de pureza, e que sejam de preferência cohanim os construtores. Em caso de não acharem-se pessoas em estado de pureza total, os impuros devem reconstruí-lo. Outrossim, não significa isto que não se deva fazer nenhum esforço para encontrar pessoas que se achem puras. E, aqui especialmente encontra-se a diferença, pois caso digamos que é "tumá deĥuiá betsibur", então é que somos obrigados a buscar todos os meios para que tudo seja feito da melhor forma possível, entretanto, evitar sempre que possível que o que for feito o seja em situação de impureza. Se, porém dizemos que "tumá hutrá betsibur", então não é necessário esforçar-se para evitá-la, e tudo pode ser feito a priori estando todos impuros, e mesmo que houverem alguns que estejam puros.

Contudo, com o chabat vemos que deve-se buscar meios de empeçar toda a profanação mesmo no menor caso de dúvida, e pelos maiorais de Israel. Nem mesmo esperar até o anoitecer no caso de haver sido diagnosticado o doente no próprio chabat, não se pode. Portanto, deveríamos dizer "hutrá", e não "deĥuiá".

Por outro lado, também vemos que se puder evitar uma profanação a mais, com no caso de um galho de figos com três, e outros dois galhos com dois, deve-se colher do galho que contém três para colher uma só vez, e evitar uma profanação desnecessária. Então vemos que não se pode dizer "hutrá" neste caso, senão "deĥuiá", pois equipara-se ao sermos obrigados a evitar o trabalho do Templo ou de sua construção em estado de impureza em todo caso no qual possa ser feito com pureza.

Mas quando nos deparamos com o caso de circuncisão no chabat, percebemos que "hutrá chabat etsel milá", pois esta pode e deve ser feita, caso seja no tempo certo (dia oitavo do nascimento), mesmo no chabat, e tudo é permitido para efetuar a mesma. Temos então um novo problema: a linguagem de Maimônides é ali "milá bizmanah doĥá et ha-chabat..." ou seja: é "deĥuiá".

E, assim vemos que na continuação da halakhá, diz que deve-se evitar profanações desnecessárias. Ao vermos, porém, o uso do termo com respeito à circuncisão, entendemos que não há como dizer "hutrá chabat", senão "hutar ĥilul chabat lemitsvá messuiêmet". O termo "deĥuiá" vem então para em lugar do uso de algo um tanto grosseiro, pois não há como dizer que "a profanação do chabat foi permitida", senão que é vida do que guarda e guardará o chabat mais importante. Então entendemos que para isto o chabat "foi posto de lado", para que "vivamos pelos preceitos" (Lv 18:5) e não para que sejam causa de mortandade entre os filhos de Israel. Isto, porquê a Torá é misericórdia, e não vingança ou perversidade. - (v. Morê ha-Nevokhim, terceira divisão, a partir do capítulo 31).

O termo, portanto, é o mesmo tanto com respeito à circuncisão, como com concernência às enfermidades de alta periculosidade, ou casos similares que possam levar à morte. E, não se pode dizer que é totalmente similar o uso do termo aqui ao uso do mesmo no caso de "tumá betsibur" apesar da inane semelhança.

De qualquer modo, "tumá deĥuiá hi batsibur, velô hutrá"! ("A impureza é posta de lado no que concerne ao público, e não permitida!"), e o mesmo se diz com concernência ao chabat.

R. J. de Oliveira


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