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Capítulo 5

01 O acender da lâmpada para o chabat não é permissividade, [como se pudéssemos dizer:] "-Se quiser acender, acenda; se não, não acenda!". Nem tampouco é um preceito pelo qual deva-se lutar até cumprir, como 'eruvê ĥatserôt ou o lavar das mãos para o comer, senão [simplesmente] obrigatoriedade. Tanto os homens quanto as mulheres são obrigados a ter em suas casas uma vela acesa em chabat. Mesmo que não tenham o que comer, devem mendigar, comprar óleo e acender a vela.Isto faz parte do prazer do chabat. E há obrigação de bendizer pelo acender da vela antes de fazê-lo "...que nos santificaste por teus preceitos, e nos ordenaste a acender a vela de chabat!", assim como se faz por todo preceito que nos vem por "divrê soferim".

02 É permitido utilizar-se da [luz da] vela de chabat, desde que não seja algo que necessite verificação meticulosa; quanto a algo que necessite exacerbada atenção das vistas, é proibido por decreto, para que não venha a entornar a vela.

03 O que acende a vela de chabat, precisa fazê-lo ainda de dia, antes do crepúsculo. As mulheres são ordenadas para com isto mais que os homens, por estarem em casa, e ocupadas com os trabalhos domésticos. Mesmo assim, o homem precisa apressá-las, e verificá-las acerca disto, dizendo aos de sua casa na véspera de chabat antes do escurecer: "...Acendam a vela!". Se há dúvida se entrou o chabat ou não, não se acende.

04 Desde o pôr-do-sol até que sejam vistas três estrelas, médias, é o tempo chamado "ben ha-chemachôt", no qual há dúvida se é dia ou se é noite. Este [tempo] é julgado com gravidade em todo lugar. Portanto, não se pode acender a este tempo, e quem fizer nele qualquer ação proibida inintencionalmente no tempo chamado "ben ha-chemachôt" - seja no intróito do chabat, ou em seu término - incorre de todo modo obrigação de imolar um sacrifício ĥatat. Quanto às estrelas a serem vistas, devem ser estrelas não grandes, que são vistas ainda de dia, nem tampouco pequenas, que somente são vistas à noite. Ao momento em que ver três estrelas medianas é obviamente noite.

05 O pavio a ser usado para o chabat, não pode ser feito de algo contra o qual a chama lute, como por exemplo a lã, o cabelo, a seda, o musgo do cedro, o linho que não foi batido, a fibra do dátil, tipos de árvores fofas, ou similares, senão de algo no qual o fogo se faz fixo, como o linho batido, roupas de linho fino, algodão e similares. Quanto ao que acende, precisa fazê-lo na maior parte do lado exterior do pavio.

06 Se enrolar algo com o qual acende-se em algo o qual é proibido para o acender da vela - se o fizer para que se torne o pavio mais grosso, aumentando sua lucipotência, é proibido; se para que esteja firme, e não se escorregue, é permitido.

07 Pode-se colocar um grão de sal ou um grão de "pol" no bocal da vela na véspera de chabat para que acendam-se na noite de chabat. Quanto aos pavios com os quais é proibido acender a vela, pode-se usá-los para fogueira, seja para aquecer-se perante ela, seja para usufruto de sua luz, seja sobre um castiçal, ou no chão. Não proibira-se seu uso senão unicamente como pavio da lâpada de chabat.

08 O óleo a ser usado para acender a lâmpada para o chabat, é preciso que seja apropriado para que se sugue [facilmente] pelo pavio. As substâncias oleosas que não sugam-se facilmente pelo pavio - por exemplo, o piche, a cera, o óleo de ricínio, a gordura da cauda das ovelhas, e o sebo - não podem ser usados. E, por que não pode-se usar pavios nos quais não se prende bem a chama, e nem em substâncias oleosas que não podem ser bem sugadas pelo pavio? - por decreto, pois pode ser que a luz seja obscura, e venha a pessoa a entornar a lâmpada, ao usar sua luz.

09 Sebo e entranhas de peixe que se derreteram, pode-se a eles acrescentar qualquer quantidade de óleo, e acender. Quanto a óleos com os quais é proibido acender, mesmo que haja mesclado com um dos outros tipos de óleo que podem ser usados, não se usa para acender, pois o óleo não suga-se.

10 Não pode-se acender com alcatrão devido a seu mau odor, pois pode ser que deixe-a e saia, sendo sua obrigação manter-se à luz da vela. Não acenda-se tampouco com "tzori", por ser odorífero, e pode ser que venha [alguém] a retirar dele da lâmpada, e também por que expele-se, e pode ser perigoso. Tampouco pode acender com petróleo, e nem mesmo [lâmpada comum a ser usada] em dias semanais, pois ele se expele, pelo que é periculoso.

11 Todos os demais óleos podem a priori serem usados, como por exemplo o óleo de nabo ou de gergelim, ou de rábano, semelhantes. Não há proibição senão naqueles óleos que os Sábios proibiram.

12 Não pode-se colocar um utensílio perfurado cheio de óleo sobre o bocal da lâmpada (*) para que esteja gotejando, nem encha um prato de óleo afim de introduzir a extremidade do pavio (*) dentro dela, para que sugue dali - [é proibido] por decreto - pois pode ser que venha a retirar do óleo que encontra-se no vasilhame, já que não se enoja da vela. E é proibido usufruir no chabat do óleo que usa para acender, mesmo que a lâmpada haja-se apagado, e mesmo que haja gotejado da lâmpada por ser ela "muqtê meĥamat issur". Se, porém, ligar o utensílio no qual haja óleo à lâmpada com cal, com barro ou semelhantes, é permitido.

13 Não pode-se colocar um utensílio abaixo da lâpada para servir de receptáculo de óleo no chabat, por estar invalidando o utensílio de seu objetivo. Se, porém, fê-lo desde a véspera, é permitido. E pode-se colocar um utensílio sob a lâmpada para receber as fagulhas, pois estas não se consideram algo consistente; mas é proibido colocar no utensílio água, e mesmo desde a véspera, por estar adiantando assim o apagar das fagulhas.

14 Não verifica-se roupas, nem pode-se ler à luz da lâmpada, mesmo estando esta na altura de dois andares, e mesmo na altura de dez cômodos um sobre outro, estando a lâmpada sobre o superior, não pode ler ou verificar estando no mais inferior, pois pode ser que venha a esquecer e entorná-la. Se, porém, são dois a lerem um mesmo assunto, podem ler estes à luz da lâmpada, pois cada um faz lembrar ao companheiro, caso esqueça. Mas não em assuntos diferentes, pois cada um estará ocupado com o seu próprio.

15 Crianças podem ler na presença de seu instrutor, pois este os mantém em guarda. Mas ele mesmo não pode ler, pois não estará seu temor sobre eles. Ele, porém, pode olhar no livro à luz da lámpada, até saber onde se acha o princípio do trecho onde deve fazê-los ler. Em seguida, dá-lhes o livro em mãos, e eles lêem perante si.

16 Utensílios que sejam demasiadamente parecidos, sem que possam ser reconhecidos senão com muitíssima atenção, é proibido aproximar à luz da lâmpada afim de diferenciá-los, pois pode ser que esqueça e entorne a lâmpada. Portanto, o criado que não for permanente é proibido que verifique taças e pratos à luz da lâmpada, por não os conhecer, seja a lâmpada de óleo ou de petróleo, cuja luz é muita. Mas o "chamach" permanente pode verificar taças e pratos, por não precisar de muita atenção para os diferenciar. Caso seja a lâmpada de azeite de oliva, não se diz a ele que verifique, apesar de ele poder fazê-lo, por decreto, pois pode ser que venha a usar do óleo.

17 Se encontrar-se uma lâmpada atrás da porta, é proibido abrir a porta como de costume, porquanto achar-se-á apagando a lâmpada; deve ser cuidadoso ao abrir e ao fechar. É proibido abrir a porta diante de uma fogueira no chabat para que o vento venha sobre ela, e mesmo que ali haja somente vento normal. E pode-se colocar a lâmpada do chabat sobre uma árvore ligada á terra, sem preocupação [com estas coisas citadas].

18 Em todas as cidades e vilas judaicas tocavam-se seis toques de chofar em véspera de chabat, e em lugar alto costumava-se executar os toques, para fazer ouvir todos os habitantes da cidade e de suas redondezas [acerca da proximidade da entrada do chabat].

19 Ao primeiro toque, os que se achavam nos campos tornavam-se proibidos de continuar arando a terra e trabalho campestre. Quanto aos que achavam-se em lugares próximos, não eram permitidos de adentrar a cidade até que chegassem os mais distantes, e entrassem todos de uma vez. Ainda então as casas comerciais permaneciam abertas, e suas trancas colocadas ao lado. Ao segundo toque, tomavam-se as trancas e as casas de comércio eram fechadas. Ainda [nas casas] a água quente e as panelas permaneciam sobre o fogão. Ao principiar o terceiro toque, o encarregado [para retirar os alimentos de sobre o fogão] retirava-os, e o encarregado para os cobrir, cobria-os, e [a este mesmo tempo] acendiam-se as velas. Esperava-se então o tempo suficiente para assar um peixe, ou para que um pão pudesse prender-se à parede do forno, e tocava-se um toque chamado "teqi'á", e um chamado "teru'á", e outro toque teqi'á", e interrompia-se todo trabalho.

20 O primeiro toque era feito ao tempo de minĥá, e a terceira, pouco antes do crepúsculo. Assim também tocava-se na saída de chabat, após o sair das estrelas, para que o povo estivesse permitido de tornar a seus afazeres.

21 No iom kipur que caía em chabat, não se tocava; e, se caísse em saída de chabat, nem se tocava antes, e nem se fazia [o toque da] havdalá. No iom tov que caía em véspera de chabat, tocavam [à entrada], mas não [o toque de] havdalá. Se caía o iom tov após o chabat, tocavam o toque da havdalá, mas não o da entrada [de iom tov].


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