Todo o Michnê Torá | Voltar | Glossário
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Capítulo 6

01 É proibido dizer a um gentio que faça-nos alguma ação proibitiva no chabat, apesar de ele não ser ordenado em concernência ao chabat, e mesmo que haja-lhe dito antes do chabat, e mesmo que não precise de tal senão após sair o chabat. Esta proibição é por "divrê soferim", que decretaram tal proibição para que o chabat não aparente ser algo leviano, e que por fim venham tais pessoas a fazerem por si mesmas.

02 O gentio que haja feito uma das ações proibidas para o judeu no chabat, deliberadamente - se fez para o judeu especificamente, é proibido o usufruto de seu feito até a saída de chabat, e deve o judeu esperar o tempo que levaria para realizar tal coisa; e isto, se não foi algo público, no qual todos e tornam sabedores que tal coisa que foi feita para fulano, foi realizado seu feitio no chabat - e, se para si mesmo o fez, é permitido [para o judeu] tirar proveito disto no chabat.

03 Como assim? - se o gentio acender uma lâmpada, o judeu pode utilizar-se de sua claridade; se, porém, acendeu-a para o judeu, é proibido [ao judeu usufruir de sua luz]. Se fez uma rampa para aportar [ele mesmo] do navio, pode descer por ela o judeu; se para o judeu a fez, é proibido [que desça por ela o judeu]. Se encher o bebedouro para que beba seu [próprio] animal; se colher mato para que coma seu [próprio] animal pode o judeu colocar seu animal a comer dele. Isto, se o gentio não for conhecido do judeu, que não se ache aumentando no que fez também por ele, estando assim efetuando algo proibitivo para um judeu. Assim, tudo o que for possível o aumento, não pode o judeu dele usufruir no chabat, a não ser em caso de não ser conhecido [pelo gentio].

04 Quanto a coisas nos quais não há aumento ou diminuição - como a lâmpada ou a rampa - havendo sido feito para si próprio, pode usufruir disto o judeu. Se encontrar casualmente na vizinhança uma lâmpada acesa - se no local a maioria for judaica, é proibido usar sua luz, pois quem acendeu-a fê-lo em prol da maioria [das pessoas do lugar]; se a maioria for gentílica - é permitido. Se forem ambas as populações equivalentes, é proibido. Se ocorrer um incêndio em chabat, e vir um gentio a apagar - não pode-se dizer-lhe "apague!", nem tampouco "não apague!", pois sua interrupção de trabalho não recai sobre nós; e assim, tudo o que se assemelhe.

05 Se não judeus fizerem um ataúde ou cavarem uma sepultura para seu próprio falecido, ou trouxerem flautas para o " hêsped" - em caso de modéstia - pode-se esperar até a saída de chabat, e pode ser sepultado ali após esperarem o tempo que poderia levar para cavar a sepultura. Se porém o túmulo encontrar-se em uma grande "srátia", e o caixão nela, e todos os que passam dizem que "isto que os não judeus fazem agora no chabat, é para fulano!", tal judeu não pode ser enterrado neste túmulo jamais, por ser algo reconhecidamente público. Mas é permitido sepultar nele outro judeu, desde que se espere o tempo que levaria para abrir a sepultura. Assim, tudo o que se assemelhe a isto.

06 Se um gentio trouxer flautas para um morto - mesmo havendo trazido de fora da muralha - deve-se esperar na saída de chabat o tempo que levaria para trazer de um local próximo, e então poderão ser usadas tais flautas, pois pode ser que trouxeram durante a noite de outro lugar até a muralha, e somente pela manhã adentraram-na. Se souberem com certeza de que lugar foram trazidas no chabat, deve esperar o tempo que levaria para trazer do tal lugar - e isto se não for o caso exacerbadamente público, conforme dissemos.

07 Uma cidade na qual moram judeus e gentios - caso houver nela uma casa de banhos (*) que funcione também no chabat - Caso seja a maioria dos habitantes do lugar gentios, pode-se banhar nela na saída do chabat imediatamente. Se a maioria for judaica, deve-se esperar o tempo que levaria para o aquecimento da água, que para a maioria foi aquecida. Metade judaica, metade gentílica, deve esperar o tempo que levaria para esquentar-se a água suficiente para uma das metades, e assim tudo o que for a isto semelhante.

08 Se um judeu disser a um gentio que faça para si alguma ação proibida no chabat - apesar de haver transgredido, e apesar de receber os golpes de "macat mardut" - está permitido usufruir do que foi feito na saída de chabat, após esperar o tempo que levaria para ser feito. Não proibiram em todos os casos até que espere o tempo que levaria para ser feito, senão por esta razão: se for permitido imediatamente, dirá ao gentio que faça, e encontrará ao sair o chabat tudo pronto imediatamente. Já que proibiram até o tempo que levaria para fazer, não dirá ao gentio que faça para si, pois não lucra nada com isto, estando impedido à noite até o tempo que levaria para que tal coisa que foi feita no chabat fosse feita.

09 Tudo o que não for ação proibida [pela Torá], senão por "chevut", é permitido ao judeu dizer a um gentio que faça no chabat, isto com a condição de que haja um pouco de enfermidade, ou grande necessidade, ou por algum motivo preceitual.

10 Como assim? - pode dizer a um gentio que suba numa árvore, ou que atravesse a barco a água, para trazer um "chofar" ou uma faca para efetuar circuncisão, ou para transportar de um quintal a outro onde não haja 'eruv, ou água quente para banhar a criança ou alguém que sofre. Assim, tudo o que a isto se pareça.

11 Quem comprar uma casa na Terra de Israel pode dizer ao não judeu que escreva a apólice de compra no chabat, pois o dizer ao gentio [que faça algo proibido para o judeu no chabat] é proibido por decreto dos Sábios, e no que pertine à habitação na Terra de Israel, não decretaram. O mesmo concerne a quem comprar uma casa na Síria, pois a Síria é como a Terra de Israel neste assunto.

12 O israelita pode contratar um gentio para determinado serviço estipulando o estipêndio por todo o tempo que levar o serviço, e o gentio o que faz, para si mesmo faz. Mesmo se fizer seu trabalho no chabat, é permitido. O mesmo em relação a quem contratar um gentio para muitos dias, é permitido, mesmo que este trabalhe no chabat. Como assim? - por exemplo, se o contratar para um ano ou dois para que escreva para si um livro, ou para que teça-lhe roupas, coisas que faz o gentio quando quiser. Isto, porém, somente no caso de não fazer-lhe as contas a cada dia.

13 Em que caso? - em situação circunspecta, na qual ninguém sabe que tal trabalho é do judeu. Mas se for conhecido, revelado, algo de conhecimento público, é proibido, pois quem ver o gentio não sabe do contrato adiantado, e pensará que tal pessoa contratara o gentio para trabalhar para si no chabat.

14 Portanto, quem contratar um gentio para construir seu quintal, seu mural ou para efetuar sua ceifa, ou para plantar um vinhedo, ou se houver alugado seus serviços pelo espaço de um ano ou dois - se o trabalho a ser efetuado for na cidade, ou se estiver dentro do setor regional de chabat, é-lhe proibido deixar que trabalhe no chabat, devido aos que o vêem; mas, se for fora da região, é permitido - pois não há ali presença de israelitas que vejam o operário durante seu trabalho no chabat

15 De igual modo, é permitido ao judeu arrendar seu vinhedo ou seu campo para um não judeu - apesar de ele semeá-lo ou plantá-lo no chabat - pois o que vê é cônscio do negócio da arrenda, ou de que por colonização se compactuaram [na propriedade do judeu]. Mas quanto ao caso de que o negócio é cogominado (*) judaicamente, e não é o costume da maioria as pessoas [judias] do lugar alugar algo assim ou admitir colonos, é proibido alugar ao não judeu (*), pois o gentio fará seu trabalho no lugar que se chama pelo nome de seu proprietário [judeu].

16 É permitido tomar emprestado utensílios de não judeus, bem como emprestar a eles, mesmo que os utilizem para o trabalho no chabat, pois não somos ordenados acerca dos utensílios que não executem ações no chabat. Porém é proibido emprestar um escravo ou um animal, pois fomos ordenados acerca de seu descanso no chabat.

17 O [judeu] associado ao gentio em trabalho, em comécio ou em loja, se desde o princípio da sociedade colocaram como condição que o que fizer o gentio no chabat será para si o lucro, e que um dos dias semanais será o lucro total do dia para o judeu, é permitido. Se, porém, não fizeram esta condição desde o princípio, ao fazerem os cálculos finais o gentio deve levar todo o lucro do trabalho efetuado no chabat, e os demais dias dividos igualmente entre ambos. Nada pode ser exigido pelo lucro do trabalho realizado no chabat, a não ser no caso de condição prévia. Assim também se receberem um campo associado, a lei é a mesma.

18 Em caso que não hajam levantado a condição previamente, e venham a dividir os lucros, parece-me que o gentio toma para si a sétima parte do lucro [semanal], e dividem por igual o restante. Se alguém, entretanto, der dinheiro a um gentio para que este negocie [sozinho], apesar de este comercializar no chabat, divide com ele por partes iguais. Assim ensinaram todos os geonim.

19 Não pode o judeu dar a um artesão gentio na véspera de chabat utensílios para que faça-os para si, a não ser que este saia de sua casa antes do escurecer. Similarmente, não pode o israelita vender um objeto seu a um gentio, nem emprestar-lhe objetos ou dinheiro, ou afiançá-lo, ou dar-lhe algo por presente, a não ser que este saia de sua casa com o utensílio ainda antes de entrar o chabat - pois enquanto achar-se em sua casa, ninguém sabe quando lhe deu - portanto, ao sair de sua casa o gentio portando algo do judeu, ver-se-á o caso como se houvesse emprestado ou afiançado, ou que o contratara, chegando ambos a acordo monetário, ou que vendeu-lhe algo no chabat.

20 Se algum judeu der uma carta a um gentio para que a leve a outra cidade - caso haja marcado com ele o preço do porte, é permitido - mesmo que haja-lhe dado a carta na véspera de chabat com o escurecer. Isto, se sair de sua casa ainda antes do chabat. Se não marcou - se houver no lugar determinada pessoa para receber e enviar as cartas para todo lugar com seus [próprios] enviados - é permitido dar ao gentio a carta, desde que haja tempo suficiente para que este chegue à casa mais próxima da muralha da cidade, pois pode ser que a moradia deste que é o receptor das cartas para enviá-las a outras cidades seja próxima à muralha. Se não houver ali pessoa determinada para tal, senão o próprio gentio a quem entregara a carta é o mesmo que a leva a outra cidade, é proibido terminantemente, a não ser no caso em que haja previamente combinado seu preço pelo serviço.

21 Se o gentio trouxer coisas suas no chabat e introduzi-las à casa de um judeu no chabat, é permitido que o faça, e mesmo que diga-lhe: "-Coloque neste local!", é permitido, É permitido convidar um gentio no chabat, e servir-lhe alimentos para que coma; e, caso haja levado consigo saindo [de sua casa no chabat], não há por que importar-se com isto, pois não fomos ordenados sobre seu descanso. Do mesmo modo, pode-se dar ao cachorro (*) seu alimento no quintal, e se ele pegar e sair com ele, não há por que importar-se.

22 O israelita que, durante sua vinda pelo caminho, entrou o chabat, tendo consigo dinheiro, pode dar sua carteira para um gentio que a porte por si, e receber dele na saída do chabat. E isto, mesmo que não lhe pague por fazê-lo, e mesmo que lhe entregue após o escurecer, é permitido, pois a pessoa é preocupada com seu dinheiro, e não pode lançá-lo, pelo que se não lhe for permitido isto, que não seria proibido senão por decreto rabínico, acabará por portá-lo por suas próprias mãos, transgredindo pela realização de uma ação proibida pela própria Torá.

23 Em que caso? - no que concerne à própria carteira; no que concerne a algum achado, porém, leve-o por menos que cada quatro côvados em interrupções em seus passos.

24 O israelita que haja efetuado qualquer trabalho proibido no chabat, está proibido de deleitar-se de seu fruto eternamente. Quanto a outros judeus, são permitidos do deleite disto no sair do chabat, e imediatamente. Isto, porquanto está escrito: "Observareis o chabat, porquanto é santo..." - significa: o chabat é santo, e não o que nele foi feito. Como assim? - por exemplo, se um judeu cozinhar no chabat intencionalmente, outras pessoas podem comer o que fez na saída de chabat; ele mesmo, porém, está proibido de comer disto eternamente. Se, porém, cozinhar por engano no chabat, pode comer na saída de chabat imediatamente, tanto ele como outras pessoas. Assim, tudo o que se assemelhe a isto.

25 Frutos que forem transportados além do território do chabat e trazidas de volta - se foi caso inintencional - podem ser ingeridos no chabat, pois nada foi feito nos próprios frutos, e não ocorrera neles mudança alguma; se intencionalmente foram levados, não podem ser comidos senão após sair o chabat.

26 Quem contratar um operário para guardar-lhe sua vaca ou sua criança, não deve dar-lhe pagamento por chabat, pelo que não recai a responsabilidade do que ocorrer no chabat sobre ele. Se, porém, o empregado for contratado para o chabat, ou por todo ciclo anual, deve dar-lhe pagamento pleno; portanto, a responsabilidade pelo que venha a ocorrer no chabat recai sobre ele. Não pode este dizer: "-Dê-me meu pagamento pelo chabat!", senão: "-Dê-me meu pagamento pelo ano!", ou: "...por dez dias!".


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