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Michnê Torá em hebraico e português
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Prefácio ao Michnê Torá
de
Rabi Mochê ben Rabi Maimon
União Sefardita Hispano-Portuguesa
de Beneficência
(Israel)
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Todos os direitos reservados.
- Sl 119:6
1. Todos os preceitos
que foram dados
a Mochê no Sinai,
foram outorgados com sua prévia
explanação, conforme está
escrito: "Eu te dei as Tábuas, a
Torá e o preceito…" -
a "Torá" [citada aqui] é a
Torá escrita; o "preceito", é o
significado dela.
Nos ordenara cumprir a Torá
segundo o preceito
O "preceito" [citado no verso]
é o que chamamos de
Torá Oral.
2. Toda a Torá foi escrita
por Mochê [pouco] antes de morrer,
havendo dado um rolo para
cada uma das tribos,
e um livro [o 13°,]
fora depositado na
Arca por testemunho,
conforme está
escrito: "Toma
este livro. Pô-lo-ás
ao lado da Arca da Aliança,
para servir de testemunho…"
3. Quanto ao "preceito", não
escrevera,
havendo ordenado sobre ele aos anciãos e a
Iehochu'a, bem como a todo o povo de Israel,
conforme está escrito: "Tudo aquilo do
qual eu sou ordenador, é o que deveis ter
cuidado em observar seu cumprimento…" -
por isto é que se
chama Torá Oral.
4. Não havendo a Torá
Oral sido escrita, ensinou-a
toda Mochê Rabênu em seu
Bet Din aos setenta anciãos.
[Assim,] Ele'azar, Pinĥas e
Iehochu'a - os três -
receberam de Mochê.
E a Iehochu'a, que foi
[o precípuo]
aluno de Mochê, entregou a
[responsabilidade de transmissão da]
Torá Oral,
ordenando-lhe acerca dela. Assim,
Iehochu'a ensinara-a oralmente por
toda sua vida.
5.Sendo que muitos anciãos
receberam-na de Iehochu'a,
recebendo 'Eli dos Anciãos e de
Pinĥas. Chemuel recebeu de 'Eli,
e de seu Bet Din. David recebeu de Chemuel,
e de seu Bet Din.
Aĥiá ha-Chiloni
era dos que saíram do Egito, e era levita,
e aprendera de Mochê; [mas,] sendo
menor de idade nos dias de Mochê,
recebera de David, e de seu Bet Din.
6. Eliahu recebera
de Aĥiá ha-Chiloni, e de seu
Bet Din. Elichá' - recebeu de Eliahu,
e de seu Bet Din. Iehoiadá' ha-Cohen,
recebera de Elichá', e de seu Bet Din.
Zekhariá
recebeu de
Iehoiadá', e de seu Bet Din.
Hochéi'a recebeu de Zekhariá, e de
seu Bet Din. 'Amós recebeu de Hochéi'a, e
de seu Bet Din.
Iechá'ia recebeu de
'Amós, e de seu Bet Din.
Mikhá
recebeu de 'Amós, e de seu Bet Din.
Yoel, recebeu de Mikhá, e de seu Bet Din.
Naĥum recebera de
Ioel, e de seu Bet Din.
Ĥabaquq recebeu de Naĥum, e de seu
Bet Din.
Tsefaniá recebera de
Ĥabaquq, e de seu Bet din.
Yirmiá recebera de Tsefaniá,
e de seu Bet Din.
Barukh ben-Neriá
recebeu de
Iirmiá e de seu Bet Din.
'Ezrá e seu Bet Din receberam de
Barukh ben-Neriá, e de seu Bet Din.
7. O Bet Din de 'Ezrá é o
conhecido como
"Kenêsset ha-Guedolá". São seus
[principais] componentes: Ĥagái,
Malakhi, Daniel, Ĥananiá, Michael,
'Azariá, Neĥemiá
ben-Hekhaliá, Mordekhay Balchan
e Zerubavel, e com eles, muitos outros
Sábios. Total: cento e vinte
anciãos. O último deles,
Chime'on ha-Tzadiq"; e ele foi o
Cohen Gadol
após 'Ezrá.
8. Antígonos Ich-Sokhô; e seu Bet Din receberam de
Chime'on ha-Tzadiq e de seu Bet Din.
Iossef ben-Io'ézer Ich-Tzeredá e
Iossef ben-Ioĥanan Ich-Ieruchaláim
e seu bet Din receberam de Antígonos
Ich-Sokhó, e de seu Bet Din.
Iehochu'a ben-Peraĥiá " e Nitái
ha-Arbeli e seu Bet Din receberam de Iossef
Ich-Tzeredá e Iossef ben-oĥanan, e
de seu Bet Din. Iehudá ben-Tabái e
Chime'on ben-Chataĥ e seu Bet Din
receberam de Iehochu'a ben-Peraĥiá
e de Nitái ha-Arbeli, e de seu Bet Din.
Chemá'ia e Avtalion, gerê-tzêdeq,
e seu Bet Din receberam de Iehudá e Chime'on,
e de seu Bet Din. Hilel e Chamái e seu
Bet Din, receberam de Chemá'ia e Avtalion
e de seu Bet Din. Raban Ioĥanan
ben-Zacái
e Raban Chime'on ben Gamliel receberam de Hilel,
o Ancião, e de seu Bet Din.
9. Cinco alunos [principais]
teve
Raban Ioĥanan ben-Zacái," os maiores dentre
os Sábios que dele receberam. São eles:
1) Rabi Eli'ézer ha-Gadol;
2) Rabi Iehochu'a; 3) Rabi Iossê ha-Cohen;
4) Rabi Chime'on e 5) Rabi El'azar ben-'Arakh.
Rabi 'Aqiva ben Iossef recebeu de Rabi
Eli'ézer ha-Gadol, e Iossef, seu pai,
era "guer-tsêdeq". Rabi Ichma'el e
Rabi Meir, filho do
"guer tzêdeq","
receberam de Rabi 'Aqiva, sendo que receberam
também Rabi Meir e seus colegas de Rabi Ichma'el.
10. São os colegas de
Rabi Meir: 1) Rabi Iehudá; 2) Rabi Yossê
3) Rabi Chime'on; 4) Rabi Neĥemiá;
4) Rabi El'azar ben-Chamô'a;
5) Rabi Ioĥanan ha- Sandlar;
6) Chime'on ben-'Azái e
7) Rabi Ĥananiá ben-Turdion.
Similarmente, receberam os colegas de
Rabi 'Aqiva de Rabi Eli'ezer ha-Gadol.
São colegas Rabi 'Aqiva:
1)
Rabi Tarfon "
o mestre de Rabi Iossê ha-Guelili;
2) Rabi Chime'on ben-El'azar;
3) Rabi Ioĥanan ben-Nuri.
11. Raban Gamliel ha-Zaqen recebeu de
Raban Chime'on, seu pai, filho de Hilel
ha-Zaqen. E de Raban Gamliel recebera seu
[próprio] filho, Raban Chime'on;
e Rabi Iehudá, filho de Raban Chime'on,
é o [que fora] chamado "Rabênu
ha-Qadôch". Ele recebera de seu
[próprio] pai, e de Rabi El'azar
ben Chamô'a, e de Rabi Chime'on,
seus colegas.
12. Rabênu
ha-Qadôch compilou a Michná.
Desde os dias de Mochê Rabênu
até Rabênu ha-Qadôch não
fora compilado nenhum escrito que dele se
ensinasse a Torá Oral ao público.
Em cada geração, o maioral de
Cada Bet Din, ou o profeta, escrevia para
si mesmo a lembrança das
"chemu'ôt"
que ouvira de
seus mestres, ensinando-as ao público
oralmente.
13.Similarmente, cada um escrevia
para si próprio o que ouvia, de acordo
com sua capacidade, do esclarecimento da Torá
e dos pormenores de cada preceito, de acordo com
o que ouvira, bem como das cousas que
foram renovadas em cada geração
em leis que não foram aprendidas pela
"chemu'á", senão por uma das treze
regras, pela aprovação do Bet Din
ha-Gadol. Assim se procedera até
Rabênu ha-Qadôch.
14. [Entretanto,] ele
reunira todas as "chemu'ôt", todas as leis,
todos os esclarecimentos e explanações
que foram ouvidas de Mochê Rabênu,
bem como as que foram [resoluções por]
estudo do Bet Din de cada geração em
todos os setores da Torá, compilando de
tudo a Michná. Ensinou-a aos Sábios
publicamente, tornando-se ela revelada a todo
o [povo de] Israel, e escreveram-na todos.
Ensinaram-na por toda parte, para que não
fosse esquecida a Torá Oral
de Israel.
15.
Por que fizera assim
Rabênu ha-Qadôch?
Por que não deixou que
permanecesse como havia
sido até então?
Por perceber que a quantia
de estudantes diminuía-se
cada vez mais, e angústias
renovavam-se e aumentavam mais e mais,
e o Reino da Perfídia
(o Império romano)
se estendia pelo mundo todo, fortalecendo-se
sempre, sendo o povo de Israel espalhado, chegando
aos confins [da terra], compilou um livro especial
que estivesse ao alcance de todos, para que pudessem
estudá-lo rapidamente sem esquecer
[seu conteúdo]"
Sentaram-se ele e seu Bet Din durante todos seus
dias ensinando a Michná ao público.
16. Estes são os maiores dentre os Sábios
que pertenceram a seu Bet Din, e que dele receberam:
1) Chime'on e 2) Gamliel, seus filhos; 3) Rabi Apás;
4) Rabi Ĥaniná bar-Ĥamá;
5) Rabi Ĥiiá; 6) Rav:
7) Rabi Ianái;
8) Bar-Qufrá
(9) Chemuel;
10) Rabi Ioĥanan;
11) Rabi Hoché'ia.
Sáo estes os
maiores dentre os
Sábios que dele
receberam, e com eles, centenas de centenas de
outros Sábios.
17. Apesar de estes onze [citados acima] haverem
recebido de Rabênu ha-Qadôch, e
pertencido a sua escola, era Rabi Ioĥanan;
ainda pequeno, tornando-se mais tarde aluno de
Rabi Ianái, recebendo dele Torá, e
também Rav recebeu de Rabi Ianái.
E, recebeu Chemuel [também] de
Rabi Ĥaniná bar-Ĥamá.
18. Rav compilara o
Sifrê e o
Sifrá, para esclarecer os princípios da Michná;
Rabi Ĥyiá, escrevera a Tosseftá,
esclarecendo os assuntos da Michná. Similarmente,
Rabi Hoché'ia e bar-Qufrá compilaram beraitôt,
para aclarar as palavras da Michná.
E, Rabi Ioĥanan escrevera o
Talmud de Jerusalém na Terra de Israel,
após a destruição do
Templo trezentos anos, aproximadamente.
19. Os maiores dentre os Sábios que
receberam de Rav e de Chemuel, são:
1) Rav Huná 2) Rav Naĥman;
3) Rav Cahaná.
E os maiores dentre os Sábios que
receberam de Rabi Ioĥanan:
1) Rába bar-bar-Ĥaná;
2) Rabi Amê; 3) Rabi Assê; 4) Rav Dimê;
5) Rabi Abon.
20. Dentre os Sábios que receberam de
Rav Huná: Rába e Rav Iossef:
Dentre os Sábios que receberam de
Rába e de Rav Iossef:
Abaiê e Rabá.
Ambos receberam também de Rav Naĥman.
Dentre os que receberam de Rabá:
Rav Achê e Raviná. E Mor bar-Rav Achê,
recebera de Rav Achê e de Raviná.
21.
Portanto,
temos desde Rav Achê até Mochê Rabênu,
quarenta gerações, e são:
1) Rav Achê,
2) de Rabá;
3) de Rába;
4) de Rav Huná;
5) de Rabi Ioĥanan, de Rav e de Chemuel;
6) de Rabênu ha-Qadôch;
7) de Raban Chime'on, seu pai;
8) de Raban Gamliel, seu pai;
9) de Raban Chime'on, seu pai;
10) de Raban Gamliel ha-Zaqen, seu pai;
11) de Raban Chime'on, seu pai;
12) de Hilel, seu pai, e de Chamái;
13) de Chemá'ia e Avtalion;
14) de Iehudá e Chime'on;
15) de Iehochu'a ben Peraĥiá e Nitái ha-Arbeli;
16) de iossef ben-Io'ézer e Iossef ben-Ioĥanan;
17) de Antígonos;
18) de Chime'on ha-tzadiq;
19) de 'Ezrá;
20) de Barukh;
21) de Irmiá,
22) de Tzefaniá;
23) de Ĥabaquq;
24) de Naĥum;
25) de Ioel;
26) de Mikhá;
27) de Yechá'ia;
28) de 'Amós;
29) de Hochéi'a;
30) de Zekhariá;
31) de Yehoiadá';
32) de Elichá';
33) de Eliahu;
34) de Aĥiá;
35) de David;
36) de Chemuel;
37) de 'Eli;
38) Pinĥas;
39) de Yehochu'a;
40) de Mochê Rabênu;
da boca da [própria]
"Gevurá"
sendo que todos diretamente do Deus de Israel.
22. Todos esses Sábios aqui lembrados,
são os grandes das gerações.
Deles há que foram
Rachê Iechivôt,
outros que foram
Rachê Galiôt ".
Deles há que foram membros do Grande Sanedrin.
Com eles, em cada geração,
centenas de centenas, os que deles aprenderam.
23.Entre eles, Raviná e Rav Achê,
que são
o fim dos Sábios do
Talmud.
Rav Achê compilou o
Talmud Babilônico na terra de Sinear,
após haver Rabi Ioĥanan
compilado o Talmud de Jerusalém
um século, aproximadamente.
24.
O motivo de ambos os Talmudim é: explanação
das palavras da Michná e esclarecimento de sua profundidade,
e de cousas que se renovaram em cada Bet Din, desde os dias de
Rabênu ha-Qadôch, até
a compilação do Talmud.
De ambos os Talmudim, e da
Tosseftá, do
Sifrê
e Sifrá,
bem como das
tosseftôt,
de todos se esclarece o que é proibido e o
que é lícito; o que é impuro e o
que é puro; quem incorre em , e quem dela
está isento; o que está lidimamente lícito,
e o que é
réprobo,
conforme copiaram [os grandes de cada geração]
um do outro, desde Mochê Rabênu, desde o Sinai.
25. Também esclarecer-se-ão
neles cousas acerca das quais
decretaram os Sábios e os profetas de cada
geração para construir uma barreira em
torno da Torá
("guezerôt"),
conforme o que ouviram de Mochê, como está
escrito: "Guardareis minha Vigília…" - façam
uma guardia para minha vigília (a Torá).
26.
Similarmente, esclarecer-se-ão neles os "minhagôt" e
as "taqanôt" que decretaram
e promulgaram por cada geração, conforme vira
[ser necessário] o Bet Din de cada geração,
sendo proibido deixar de cumprir com eles, pelo que está
escrito: "Não te afastareis do que te disserem - nem para a
direita, nem para a esquerda…"
27. Também os
"Dinim Muflaím" - que não
foram recebidos de Mochê - havendo decidido o
Bet Din por meio das treze regras pelas quais a
Torá é explicada, concluindo que assim
é o juízo - determinando-o. Tudo foi
redigido por Rav Achê no Talmud, desde os
dias de Mochê, até seus [próprios] dias.
28. Assim também
os Sábios da Michná compilaram outros
escritos para aclarar as palavras da Torá.
Rabi Hochá'ia, aluno de Rabênu ha-Qadôch,
escrevera um esclarecimento sobre o livro de Berechit
(Gênesis). Rabi Ichma'el explicou desde
"Veêle chemôt" (Êxodo) até o
final da Torá, que é o chamado
"Mekhilatá" .
Outros Sábios compilaram
"midrachôt".
Todos estes foram escritos antes da compilaçáo do
Talmud Babilônio.
29. São Raviná e Rav Achê e
seus colegas o término dos Sábios
copiadores da Torá Oral, e o fim dos que
decretaram "gezerôt", "taqanôt" e
"minhagôt", estendendo-se seus decretos
por todo o povo de Israel em todos os lugares
onde habitavam.
30. Após o Bet Din de Rav Achê, foram
exacerbadamente esparsos os judeus por todas as terras,
chegando às extremidades e às mais
longínquas ilhas. Aumentou-se o prélio no
mundo [por toda a parte], tornando-se os caminhos
complicados por razão dos agrupamentos
bélicos, diminuindo-se o estudo da Torá,
sem que pudessem os judeus reunir-se em suas "iechivôt"
por suas centenas de centenas como antes,
31.
juntando-se apenas aqueles poucos "restantes a quem Deus chama"
em cada cidade e em cada metrópole, ocupando-se da
Torá e tornando-se entendidos em todos os escritos
dos Sábios, sabedores, através deles, dos
métodos de julgamento [em todos os setores da Torá],
quais os corretos.
32. Todo Bet Din que se levantara [e que se levanta] após o
[selar do] Talmud em cada região,
e decretara "gezerôt", "taqanôt" ou "minhagôt,
não estendem-se seus decretos por todo o povo de Israel, por
razão da distância e dificuldade dos caminhos.
Também por ser o Bet Din daquele lugar
"ieĥidim"
por estar o Grande Bet Din dos setenta e um [juízes]
anulado alguns anos antes da compilação do Talmud.
33. Portanto, não se obriga aos habitantes de determinada cidade
[ou região] a cumprir com os "minhagôt" decretados
em outra, tampouco não se pode dizer a determinado Bet Din
que promulgue decretos de outro
Bet Din, mesmo na mesma cidade.
Similarmente, se determinado rabino [após o Talmud] disquirir sobre
um determinado juízo, achando que é aquela a forma correta
de disquirir, e outro Bet Din após ele achar que não é
[sua conclusão ou feitio o] correto de acordo com o que está
no Talmud, não deve-se dar ouvidos ao primeiro, senão
ao que o raciocínio indica estarem suas palavras coerentes
[com o trazido no Talmud], seja este o primeiro, ou o último.
34. Estas cousas [acima citadas] referem-se a "gezerôt",
"taqanôt" e "minhagôt" que foram decretados
pós a compilação do Talmud; outrossim,
tudo o que [já] está no [próprio corpo do]
Talmud Babilônio, é obrigado todo judeu a cumprir,
e obriga-se a toda cidade e região a fazer de acordo com
todos os "minhagôt" decretados pelos Sábios do
Talmud, e a agir conforme todas as "gezerôt" e
"taqanôt" que por eles foram decretadas.
35. Já que foram aquelas cousas que estão
no Talmud admitidas por todo o povo de Israel, e os
Sábios que decretaram as "taqanôt" e as
"gezerôt" e os minhagôt" todos os
Sábios de Israel, ou [pelo menos] sua maioria,
sendo eles os ouvintes pessoais das cousas recebidas
diretamente do Sinai em todos os princípios de
toda a Torá geração após
geração até Mochê Rabênu,
sobre ele esteja a paz.
36. Todos os sábios que se levantam
após o Talmud e alcançam sua compreensão,
tornando-se famosos por sua sabedoria, são chamados
"geonim".
Todos esses
"geonim" que se levantaram na Terra de Israel, em Sinear,
na península ibérica e na França,
aprenderam as regras do Talmud, trazendo à luz suas
dificuldades, esclarecendo seus assuntos, por ser suas regras
profundas exacerbadamente. Além do mais, por haver
sido escrito em língua aramaica mesclada com outras,
que era o linguajar comum em Sinear no período no
qual o Talmud fora escrito. Entretanto, nos demais lugares,
e mesmo em Sinear, no período dos geonim, não
há uma só pessoa que conheça esse idioma,
enquanto não lhe for ensinado.
37. Muitas questões são dirigidas por pessoas de
cada cidade a cada gaon que houver em seus dias, para que
esclareça trechos difíceis do Talmud, e este responde
de acordo com sua sabedoria. Tais respostas são reunidas e
compiladas, fazendo-se delas livros que auxiliem na compreensão
[dos específicos trechos talmúdicos].
38. Também redigiram os geonim livros que ajudam na
compreensão do Talmud. Deles há que explanaram
certas halakhôt, outros que explicaram capítulos inteiros
que se fizeram difíceis de compreender em seus dias, outros mais,
mesmo tratados (massekhtôt) e ordens (sedarim) completas.
39. Também escreveram acervos de leis concluídas concernente ao
que é lícito e ao que é proibido, ao que passível
de penalidade e ao que é isento dela em todos os setores práticos
para o momento no qual for necessário, para que estejam próximos
ao conhecimento daqueles que não dispõem da
capacidade de adentrar à
profundidade do Talmud. Este é o trabalho do qual se ocuparam todos os
geonim de Israel, desde que o Talmud foi selado até esta
época, que é o ano oitavo após mil e cem
desde que o Templo fôra destruído, e é o
ano 4.937 desde a criação do mundo [1177 da era ocidental]..
40. Neste tempo, aumentam-se exageradamente as angústias
cada vez mais para todos [os judeus] e não há tempo
para ninguém e para nada, [motivo pelo qual]
"perdera-se
a sabedoria de nossos Sábios, e a compreensão de
nossos entendidos se ocultara".
Portanto, esses escritos explicativos, "halakhôt"e respostas
escritos pelos gueonim, que viram nisto cousas esclarecidas,
tornaram-se demasiadamente difíceis em nossos dia,
sem que haja quem os entenda, senão pouquíssimos.
E é desnecessário dizer sobre o Talmud, seja o
babilônio, seja o jerosolimitano,
ou Sifrê e Sifrá e tosseftôt, que necessita-se
dispor de capacidade mental, sabedoria e muito tempo
após o que saberá deles qual é realmente
a regra correta a ser tomada para saber as cousas proibidas e as
permitidas, bem como as demais leis da Torá.
41. Por esse motivo
"sacudi minha roupa" eu, Mochê ben-Maimon ha-sefaradi, apoiando-me na Rocha,
Bendito é Ele, e alcancei o entendimento desses livros, achando
ser bom compilar as cousas que se esclarecem de todos esses
escritos em concernência ao permitido e ao
proibido, ao impuro e ao puro, incluindo todos os
demais juízos da Torá, tudo numa
linguagem concisa e clara, até que esteja a
Torá Oral toda ordenada na boca de todo judeu,
sem que seja necessário
"quchiá e peruq",
"este disse assim, e aquele disse o oposto",
senão palavras claras e prontas, de acordo com o
julgamento esclarecido através de todos esses escritos e
explanações que existem, desde
Mochê Rabênu até agora,
42. Para que estejam todos os juízos
revelados tanto para o grande quanto para o
pequeno em concernência a todo preceito,
bem como em concernência a tudo o que fora
decretado pelos Sábios e pelos Profetas.
Em suma, para que não necessite
ninguém outro livro qualquer [existente]
no mundo acerca de qualquer uma das leis de Israel,
senão, que esteja este livro contendo toda a
Torá Oral, incluindo todos os decretos
classificados como "taqanôt",
"gezerôt" ou "minhagôt"que
foram decretados desde Mochê Rabênu
até o selar do Talmud, de acordo com
o que nos foi explicado pelos gueonim em
seus escritos pós-talmúdicos.
Por isto, chamei a
este livro
MICHNÊ TORÁ,
pois a pessoa lê na Torá
escrita antes, após o que lê
este livro, tornando-se sabedor de toda a
Torá Oral, sem que seja necessária
a leitura de outro livro entre ambos.
43. E, decidi dividir este livro por halakhôt, de
acordo com o assunto,
dividindo as halakhôt por
capítulos que expliquem o
determinado assunto.
Todo capítulo será
dividido por halakhôt diminutas,
para que possam ser decoradas.
44. Essas halakhôt que estão em
cada assunto, delas há que pertencem a
um mesmo preceito, que [é o caso do
preceito que] possui muitos pormenores
recebidos desde o Sinai, e formam um
único assunto. delas há que
incluem muitos preceitos isocronamente, se
todos os preceitos encontram-se relacionados
entre si por um mesmo assunto.
Portanto, divido este livro por assuntos, não
[propriamente] de acordo com a ordem dos preceitos,
conforme esclarecer-se-ão para os que o lerem.
45. O número de preceitos da Torá para todas as
gerações é: 613 mandamentos.
Dentre eles, os preceitos positivos, que são: 248 - sinalizando-os
[para memorização], [estão]
os membros do corpo humano;
e os preceitos negativos,
que são 365
.
[Seu] sinal [para memorização]:
os dias do ano solar.
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Michnê Torá em hebraico e português
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