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Capítulo 5

01 Assim como está o homem ordenado acerca do honrar e temer ao pai, igualmente está acerca da honra a seu rav, também de seu temor. O rav, mais ainda que o pai, pois se o pai o trouxe para a vida neste mundo, quanto mais a seu rav, que ensinara-lhe sabedoria, e para o mundo vindouro o trouxera.

02 Achando um objeto perdido de seu pai e de seu rav, deve entregar a de seu rav antes que a de seu pai. Vira seu pai e seu rav portando um carga, deve auxiliar antes a seu rav, depois a seu pai. Seu pai e seu rav foram aprisionados pelos goim, deve resgatar antes a seu rav, após o que resgatará a seu pai. No caso de que também seu pai seja um sábio de Torá, resgata primeiro a seu pai. E, caso seja seu pai um sábio de Torá, mesmo que não o seja como seu rav, deve devolver o objeto perdido de seu pai, antes; depois, devolve a de seu rav. Disseram os Sábios: " - Não há honra maior que a que deve ser dada ao rav, nem temor maior do que o que deve-se ter em relação ao rav!" - Disseram [ainda] os Sábios: " - O temor que deve-se ter ao rav é igual ao temor que se deve ter de Deus!"

03   Pelo que disseram: " - Todo o que discorda de seu rav, é como quem discorda da própria chekhiná! - conforme está escrito: "...ao fazerem irar-se Deus..." -Nm 26:9. E, todo o que faz contenda com seu rav, é como se o fizesse contra a "chekhiná" - pelo que esá escrito: "...Contenderam os filhos de Israel com Deus..." - Nm 20:13. Todo o que se faz rancoroso contra seu rav, é como se o fizesse contra a chekhiná, segundo encontra-se escrito: "...Vossas queixas não são são sobre nós, senão sobre Deus..." - Ex 16:8. Todo o que cogita acerca de seu rav, é como se duvidasse do próprio Deus, pois está escrito: "...E, falou o povo tanto contra Deus, como contra Moisés..." - Nm 21:5.

04. Quem é [tido como um que] discorda de seu rav? - Aquele que designa [para si uma casa de] estudo, assentando-se e ensinando sem obter a permissão de seu rav, estando seu rav ainda em vid, e mesmo estando seu rav em outra cidade ou país [é considerado como discordando de seu rav caso haja assim]. E, é proibido a quem quer que seja ensinar uma halakhá diante de seu rav para sempre, e todo o que o faz, incorre em pena de morte.

05. Havendo entre este e seu rav doze mil e lhe perguntara outra pessoa acerca de alguma halakhá, é-lhe permitido responder. Quanto ao afastar uma pessoa da ação proibida, é permitido mesmo diante de seu rav. Em que caso? - havendo visto uma pessoa transgredindo algo sobre cuja proibição não tem conhecimento, ou por que trata-se de um iníquo, deve admoestá-lo e dizer-lhe: " - Tal coisa é proibida!" - e isto mesmo diante de seu rav, e mesmo que este não haja dado permissão para fazê-lo, pois em todo caso no qual haja profanação do Nome Divino, não dá honra ao rav.

06. Em que caso dizemos ser assim? - em algo casual. Mas, que faça para si um local de ensino, assentando-se para responder a todo o que venha perguntar - é proibido mesmo estando numa extremidade do mundo, e seu rav na outra, exceto após o falecimento de seu rav, ou quando recebe sua permissão.

07.   E nem todo aquele cujo rav viera a falecer pode sentar-se para responder questões de halakhá ou ensinar Torá, senão no caso de ser um aluno que atingiu o grau do ensino. Quanto a todo aluno que chegara ao grau de ensino e não põe-se a ensinar - este é um estulto, ímpio e orgulhoso; sobre este está escrito: "Pois muitos cadáveres, por ela foram lançados por terra..." - Pv 7:26 - e, todo aluno que chegara ao grau de ensino e não põe-se a ensinar - este é um que deixa a outros sem Torá e põe obstáculos diante dos cegos, sobre o qual está escrito: "Poderosos eram todos seus mortos..." - (mesmo verso).

08. Os tais alunos pequenos [em saber] que não aprenderam muito em concernência à Torá conforme apropinquado - e buscam engalanar-se aos olhos dos ignorantes de Torá e entre os de sua cidade, assentando-se nos lugares principais para julgar e ensinar entre os judeus - são os culpados pela dissensão [em questãos concernentes à lei judaica], e são eles os destruidores do mundo, os que apagam a luz da Torá, que destróem a videira de Deus. Acerca deles está escrito: "Segurem para nós algumas raposas - pequenas raposinhas - destruidoras das videiras..." - Cn 2:15.

09. É proibido ao aluno chamar a seu instrutor [de Torá] por seu nome, mesmo que não esteja em sua presença. Não pode pronunciar seu nome em sua presença nem mesmo para chamar a outro que tenha nome idêntico, da mesma forma como deve agir com respeito a seu pai. É obrigatório mudar o nome deles [seja do rav, ou seja de seu pai], mesmo após serem falecidos - no caso de ser um nome incomum, que todo o que houve reconhece imediatamente de quem se trata. Não pode saudar a seu rav, ou devolver-lhe a saudação pela mesma forma segundo a qual agem os amigos, saudando-se mutuamente. Deve curvar-se [respeitosamente] perante ele, dizendo-lhe com temor e honradamente: "Chalom 'alêkha, rabi!" E, caso haja sido saudado por ele, deve devolver [pela seguinte forma]: "Chalom 'alêkha, rabi umori!"

10. Similarmente, [por respeito,] não pode tirar de si os tefilin (filactérios) em presença de seu rav, nem sentar-se acostado diante de seu rav, senão com o corpo e o rosto erguido, como se estivesse diante de um rei. Não pode orar à frente de seu rav, nem [imediatamente] à suas costas, nem tampouco a seu lado, senão distanciar-se-á após ele, desviando-se para um dos lados, de forma que não esteja imediatamente atrás, e então pode rezar. E, [pela mesma razão do respeito obrigatório para com o instrutor de Torá,] não é permitido entrar com seu rav a uma casa de banho.

11.   Não pode sentar-se no local onde se assenta seu rav, nem concluir suas palavras em sua presença, bem como questioná-las. Não pode sentar-se em sua presença até que este diga: " - Senta-te!", nem levantar-se, até que diga: " - Levanta-te!", ou até que receba permissão para fazê-lo, [após haver pedido]. Ao sair da presença de seu rav, não pode voltar-lhe as espaldas, senão dará passps para trás, estando sua face voltada em sua direção. E é obrigado a levantar-se diante de seu rav desde que veja-o desde longe o suficiente para que seja reconhecido, até que desapareça de seus olhos e ão possa ver sua altura: só após pode sentar-se. E é obrigado cada um sair a receber a vinda de seu rav nos festivais [hebraicos].

12. Não se dá honra a um aluno em presença de seu rav, a não ser no caso de que seu próprio rav dava-lhe honra [perante outros].Todo trabalho que um escravo deve fazer para seu senhor, o aluno deve fazer para seu rav. [Porém,] caso estivessem em um lugar onde o aluno não é conhecido - estando o aluno sem seus filactérios - caso ache que pensarão tratar-se de um escravo, está isento de calçar os sapatos a seu rav, e de descalçar. Quanto ao rav que não deixa que seu aluno o sirva - este deixa-o sem bondade, e tira dele o temor dos céus. E, todo aluno que não leva a sério qualquer coisa concernente ao honrar ao rav - faz que a Presença Divina se afaste do povo de Israel.

13. Vendo a seu rav transgredindo algo da Torá, deve dizer-lhe: " - Nos ensinaste, rabênu, da seguinte forma..." Toda vez que lembrar-lhe um ensinamento - dirá: " - Assim nos ensinaste, rabênu...!" - sem nada dizer que não ouvira de seu rav, até lembrar quem o dissera. Ao falecer seu rav, deve rasgar todas suas roupas [com as quais esteja vestido] até ter o peito (heb. "coração") revelado. [Tais roupas] jamais podem ser recosturadas [nos locais rasgados por esta ocasião].

14. Em que caso se procede assim? - No caso de ser este seu "rav ha-muvhaq" - ou seja - seu principal instrutor, do qual aprendeu a maior parte de sua sabedoria. Mas, caso não aprendera dele a maior parte de sua sabedoria, este é um "talmid-ĥaver" - "aluno-companheiro" - sem que esteja obrigado em concernência a todas estas cousas. Contudo, deve levantar-se em sua presença, e rasgar sua roupa da mesma forma como faz pelos mortos pelos quais deve enlutar-se.

15. Mesmo que não haja aprendido dele senão uma só coisa, seja pequena ou grande, deve levantar-se diante dele, e rasgar sobre ele suas vestes [em caso de falecimento]. Todo aluno cujos modos são direcionados [de acordo com a Torá] jamais fala diante de alguém que seja maior que ele em sabedoria, mesmo que nada haja aprendido dele.

16. O rav precípuo ("rav muvhaq") que quiser desfazer-se de sua própria honra em todas estas cousas, ou em uma delas apenas - seja para com todos seus alunos, seja para com apenas um deles - pode fazê-lo. Poré, apesar de ele havê-lo feito, os alunos permanecem obrigados com sua honra, e mesmo na hora em que se desfaz dela.

17. Assim como os alunos são obrigados com respeito ao honrar ao rav, assim o rav deve honrar a seus alunos e aproximá-los, pois assim disseram os Sábios: " - Seja a honra de seu aluno amado por ti como a honra de teu colega." É necessário que seja cuidadoso com seus alunos, e amá-los, pois eles são filhos que trazem prazer tanto neste mundo como no mundo porvir.

18. Os alunos aumentam a sabedoria do rav, e dão-lhe maior capacidade de compreensão. Foi dito [por um] dos Sábios: " - Muita foi a sabedoria adquirida por mim de meus colegas, mais da que adquiri de meus instrutores. Quanto à adquirida de meus alunos - mais que de todos!" Assim como um pequeno graveto acende um grande pedaço de madeira - assim também o pequeno aluno faz com que se afie o rav, fazendo sair deste por suas perguntas inefável sabedoria!


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