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Capítulo 6

01 Para comer pão sobre o qual se bendiz "...ha-motsi...", é preciso lavar das mãos, antes de comer, e após. Mesmo em tratando-se de pão de "ĥulin", mesmo que não se achem suas mãos sujas, e mesmo que não estejam impuras, não coma, até lavar ambas as mãos. Assim também, todas as coisas mergulhadas em líquidos, precisa lavar as mãos antes.

02 Todo o que lava as mãos, seja para alimento, para recitar o chemá, ou para a oração, bendiz antes "...acher qidechánu bemitsvotav, vetsivánu 'al netilat iadáim! , pois é um preceito dos Sábios, sobre a qual a Torá nos ordenara ouvir conforme está escrito: "...Segundo a legislação que eles te ordenarem..." (Dt 17:11). Quanto a máim aĥaronim, não se bendiz, por ser seu decreto devido a caso de periculosidade, pelo que a pessoa deve ser extremamente cuidadoso a seu respeito.

03 O lavar das mãos entre um cozido e outro é permissivo: se quiser, pode fazê-lo; se não, não é mister que faça. Quanto a frutos de "ĥulin", não precisam lavagem das mãos, e todo o que faz o lavar da mãos para frutos, é tido como orgulhoso

04 Se efetuar medidas de quantidade de sal, é preciso após ele lavagem de mãos após o ingerir, pois pode haver sal sodomita, ou sal cuja natureza seja parecida com o sal sodomita, e se passar as mãos sobre os olhos, tornar-se-á cego. No acampamento são isentos de lavar as mãos antes do comer, devido à ocupação bélica, mas obrigados a lavar após os alimentos, por razão do perigo.

05 Até onde se faz o lavar das mãos? - até o pulso. E, qual a quantidade de água suficiente para ambas as mãos? - um revi'it. Tudo o que for considerado impecilho para a tevilá é também impecilho para o lavar mãos. Tudo o que é apto para aumentar a medida para água de miqvá, é também apto para o aumento da água para a lavagem das mãos.

06 Todo o que precisa lavar as mãos, se mergulhar suas mãos em água de miqvá, não precisa mais nada. Mas, se mergulhar as mãos onde não há quantia (*) que sirva de miqvá, ou em água bombeada do chão, seu feitio é nulo, pois a água bombeada não purifica as mãos, senão por despejo. (*)

07 Todo o que efetua a lavagem [ritual], precisa tomar cuidado com quatro pormenores: com a água em si, que não estejam invalidadas para o uso na lavagem das mãos; com a quantia, que haja um revi'it para cada duas mãos; com o utensílio, que seja feita a lavagem a partir do despejo de um utensílio; e em quem despeja, que seja a água que vem do utensílio, procedente da força de alguém.

08 Quatro coisas tornam a água inapta para a lavagem [ritual] das mãos: (1) mudança em seu parecer, (2) haver ficado descoberta, (3) haver sido usada para algum tipo de trabalho, e (4) todo estrago que impeça que o animal tome dela. Como assim? - água que haja mudado seu parecer, seja em utensílios ou no chão, seja devido a algo que caíra nela, ou por razão do local onde se acha, é inapta. Similarmente, se ficou descoberta em estado que proíbe seu uso para o sorver, torna-se inapta para a lavagem das mãos.

09 Toda água já usada para alguma obra, torna-se destinada a ser derramada. Como assim? - água encanada que foi usada para lavar utensílios, ou água na qual mergulhara seu pão, ou casos semelhantes, seja em utensílios ou no chão, invalidam-se para lavar com ela as mãos. Se enxaguar com ela utensílios já lavados, ou novos, não a tornara inapta. Água usada pelo padeiro na qual mergulha os biscoitos, é inapta. Quanto à água que usa para despejar sobre a massa no momento em que amassa, é apta, pois a que despeja de suas mãos é a usada para o trabalho, enquanto aquela com a qual enchera a concavidade de suas mãos, permanece apta.

10 Toda água desconsiderada por um cão como sendo apta para ser sorvida - por exemplo: por ser amarga ou salobre, ou feia, ou mal cheirosa, até o ponto de um cachorro não beber dela - caso se ache em utensílio, é inapta; no chão, aptas [para purificação] pelo mergulhar nelas as mãos. A água quente de Tiberíades, em seu local natural, pode-se mergulhar nela as mãos; se, porém, lavar com ela a partir do despejo de um utensílio, ou por abrir nela um sulco para outro lugar, não pode ser usada, nem para a lavagem anterior, nem para a posterior, por não serem aptas para serem sorvidas por um animal.

11 O que despeja a água, é melhor que faça-o de pouco em pouco, até completar a medida. Mas, se despejar toda a revi'it de uma vez, é-lhe suficiente este ato. Podem lavar quatro pessoas, ou cinco, um ao lado do outro, ou com uma mão por sobre a do outro, isocronamente, com uma só lavagem, contanto que estejam as mãos separadas uma da outra, podendo passar a água entre elas. Deve haver nesta lavagem um revi'it para cada pessoa.

12 Não se lava as mãos utilizando-se de paredes de utensílios, nem tampouco de bordas do "máĥats", nem em porcelanas, nem em lacre de barril. Se, porém, consertar o lacre para que possa ser usado como utensílio de lavagem de mãos, pode ser usado. Similarmente, ĥêmet, após ser consertado: pode ser usado para a lavagem das mãos, porém um saco [comum] e caixa, mesmo após haverem sido consertados, não podem ser usados para a lavagem [ritual] das mãos. Não pode despejar uma pessoa a outra da concavidade de suas próprias mãos, por não serem suas mãos um utensílio. Todo utensílio que se quebrar de forma que isto o purifique de casos de impureza, não serve para o uso em lavagem de mãos, por serem considerados cacos de utensílios.

13 Todos os utensílios podem ser usados para a lavagem das mãos. Mesmo utensílios feitos de excrementos ou de barro, desde que estejam em sua plenitude. Quanto a todo utensílio que não pode conter a quantia de uma revi'it, não serve para ser usado para a lavagem das mãos.

14 Todas as pessoas podem despejar a água para a lavagem das mãos. Até mesmo um surdo-mudo, um insano mental e um menor de idade. Se não houver ninguém que o faça, pode colocar o utensílio entre os joelhos, e despejar sobre suas próprias mãos, ou entorne o recipiente sobre suas mãos, ou despeje de uma sobre a outra, e volta a despejar da segunda sobre a primeira em seguida. Um símio pode fazer a lavagem das mãos [para uma pessoa].

15 A leiva, para a qual a pessoa pessoa tira água - por suas próprias mãos ou através de uma roda, afim de nela despejar - por onde corre a água e rega as verduras, ou é disposta para os animais: se mergulhar nela suas mãos, e a água em seu transcurso lavar-lhe-as, não serve esta lavagem, por não haver um despejador. Se, porém, estiverem [suas mãos] próximas ao despejo do balde [do qual se enche a leiva], sendo lavadas por intermédio da força do despejo de uma pessoa, serve-lhe esta lavagem.

16 A água acerca da qual estiver em dúvida se com ela foi feita alguma obra, ou se não; se há nela a medida apropriada [para lavar as mãos], ou se não há; se encontram-se puras, ou se impuras; se é incerto se lavou as mãos, ou se não: em todo caso de dúvida, estão suas mãos puras, pois em concernência à lavagem das mãos a situação duvidosa é determinante de pureza.

17 Ao efetuar "máim richonim", é necessário suspender as mãos, evitando que volte a água do pulso para a mão, e a impurifique; quanto a "máim aĥaronim", deve entornar as mãos, para que saia delas todo o sal. "Máim richonim": pode ser feita esta lavagem sobre utensílios ou sobre o solo; Quanto a "máim aĥaronim", não pode ser feita sobre o solo. "Máim richonim": pode ser feita tanto em água esquentada no fogo, ou em água fria; "máim aĥaronim", não pode ser feita em água quente, isto caso a mão se escalde nelas, pois nesse caso não eximem a sujeira, pois não será possível esfregá-las uma na outra. Mas estando a água morna, pode fazer nela "máim aĥaronim".

18 É permitido que se lave as mãos pelo amanhecer e condicione que lhe sirva esta lavagem para todo o dia, sem que necessite tornar novamente a lavar antes de cada vez que for comer, desde que não haja desviado disto sua consciência. Mas, caso haja perdido a consciência, precisa novamente fazer a cada vez que precisar lavagem de mãos.

19 Permite-se envolver as mãos em um lenço e comer pão ou coisas que estejam mergulhadas em líquidos, mesmo que não haja lavado as mãos. O que dá a outros a comer, não precisa [ele mesmo] a lavagem [ritual] das mãos. Mas, quanto ao que come, este precisa lavar suas mãos, mesmo que não toque nos alimentos, sendo alimentado por outro. A mesma lei é para quem come com garfo, que precisa lavar as mãos.

20 É proibido alimentar a alguém que não haja lavado as mãos, mesmo que seja outro o que põe o alimento em sua boca. E, é proibido desprezar a lavagem das mãos. Muitas ordenanças deixaram os Sábios em concernência ao lavar das mãos, admoestando sobre o mesmo. Mesmo que não tenha água suficiente para beber, deve usar parte dela para lavar as mãos, e em seguida comer, depois do que pode beber o outro pouco restante.

21 É preciso que enxugue suas mãos [após o lavar ritual], e somente depois disto pode comer. Todo o que come sem enxugar as mãos, é como quem come pão impurificado. Quanto a todo o que lavar as mãos após o alimento, [também] deve primeiramente enxugar, e somente depois bendizer. Imediatamente após lavar as mãos, deve empeçar a proferir bircat ha-mazon, sem interromper entre o lavar e bircat ha-mazon. Mesmo beber água é proibido, enquanto não bendizer bircat ha-mazon.

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