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Capítulo 7

01 Diversos decretos foram promulgados pelos Sábios de Israel para que sejam costumeiros na refeição, todos como "dêrekh érets". São eles: ao entrar a uma refeição, o maior dentre todos lava as mãos antes de todos os demais, e em seguida entram, assentando-se recostados. O maior dentre os presentes assenta-se no lugar precípuo, e quem for-lhe secundário, acima dele, estando o terceiro abaixo dele.

02 O dono da casa bendiz "...ha-motsi...", e ao completar a bênção, parte o pão. O visitante bendiz o "bircat ha-mazon", para que abençôe ao dono da casa. Se todos eles forem proprietários, o maior dentre eles parte o pão, e ele mesmo bendiz "bircat ha-mazon".

03 O que parte o pão não tem permissão para fazê-lo, até que seja depositado sal ou "liftan" perante cada um dos presentes, a não ser que todos tenham intenção de comer pão seco. Não se parte pequenos pedaços, para não parecer sovina; tampouco maior que a medida de um "betsá", para não parecer um esfomeado. No chabat, porém, pode partir grandes pedaços. Não se parte o pão, senão a partir do local mais assado nele.

04 O melhor modo de cumprir com o preceito é principiar o partir do pão de um pão inteiriço. Se tiver um pão de cevada inteiro, e um pedaço de um de trigo, deve meter o pedaço dentro do inteiro, e partir ambos em conjunto, para que esteja partindo o de trigo e o pão inteiro. Em chabat e em iom tov é obrigatório partir o pão acompanhado de outro. Toma-se a ambos em sua mão, e parte um deles.

05 O que parte o pão deposita cada pedaço perante cada um dos presentes, e este toma para si por si próprio. Não pode dar na mão de nenhum, a não ser que se trate o receptor de um enlutado. O que parte o pão é o que toma seu pedaço primeiro, e come. Quanto aos demais presentes, não estão permitidos de provar do pão, enquanto o que parte não comer dele, e o que parte não tem permissão de provar, enquanto não terminarem a maioria dos presentes o proferir do "amén!". Se o que parte quiser honrar a seu rav, ou a quem quer que seja maior que ele em sabedoria, deixando-o tomar seu pedaço antes de si, tem permissão para tal.

06 Duas pessoas que estejam participando de um mesmo vasilhame, esperam um pelo outro [para principiar a comer]; caso sejam três, não precisam esperar. Havendo terminado dois [dentre três], o terceiro interrompe com eles. Se apenas um terminou, os dois não precisam interromper, senão podem continuar comendo, até culminarem a refeição.

07 Não se conversa durante a refeição, evitando o cair em periculosidade. Portanto, se lhes vir vinho durante a refeição, cada um bendiz à parte, pois se um bendizer por todos, e um deles responder "amén!", entrará este em situação de perigo. E, não se pode olhar no rosto da pessoa que come, nem em seu alimento que está perante si, para não causar-lhe pudor.

08 O chamach que se encontra entre os que se recostam na refeição não pode comer conjuntamente com eles. Mas, é maneira de agir piedosa o dar-lhe a comer de cada coisa, para que sinta-se bem. Se lhe derem vinho, deve ele bendizer por cada taça que lhe derem, pois seu beber não depende dele mesmo, senão da vontade dos que se acham na refeição.

09 Se um dos presentes for ao mictório, deve lavar uma de suas mãos, e depois entrar à refeição. Foi conversar com um amigo por tempo prolongado, lava ambas as mãos, e entra. Se estiverem acostados para bebida, deve entrar, sentar-se em seu lugar, lavar suas mãos, e somente depois voltar a face para seus visitantes. Por que deve fazer a lavagem das mãos ali em seu lugar? porquê podem pensar que não o fez, por não haver ali comida.

10 Não se deposita carne fresca sobre o pão, nem tampouco se transfere um copo cheio por sobre o pão, nem se encosta uma tigela no pão. Não se joga o pão, nem pedaços de pão. Nem tampouco se joga os alimentos que não dispõem de casca [grossa], como os morangos, os figos e as uvas, para que não se tornem repugnantes. E, é permitido a sucção de vinho por encanamento em casa de noivos, e é permitido atirar diante deles qelaiôt e nozes no verão, mas não no inverno, pois tornam-se repugnantes. Não se lava as mãos em vinho, nem estando ele puro, nem estando ele mesclado com água. Tampouco se causa a destruição de alimentos com atos de desconsideração ou por pontapé.

11 Os hóspedes estão proibidos de tomar algo de diante de si e dar nas mãos do filho ou da filha do dono da casa, para evitar causar-lhe pudor, pois este não tem senão o que pusera perante eles, e estão as crianças tomando e indo-se. Não envie alguém a outrem um barril de vinho, estando sobre ela escorrendo óleo, pois pode ser que lhe envie outra pessoa um barril de óleo e pense que trata-se de vinho, e achando que o que aparece sobre o barril é somente oleosidade, convide pessoas [por seu vinho], e passe vergonha. Todas as coisas semelhantes a estas, que possivelmente possam causar vergonha a quem faz uma refeição, são proibidas.

12 Ao terminarem a refeição, tira-se [primeiramente] a mesa, e em seguida varre-se o local onde comeram, e [somente após] lavam as mãos, pois é possível que haja [no chão] pedaços de pão nos quais haja um cazáit, sobre os quais é proibido andar, ou lavar sobre eles. Quanto a pedaços menores que um cazáit, é permitido exterminar pelas próprias mãos.

13 Ao trazerem a água para o lavar [final] das mãos, todo o que bendiz bircat ha-mazon lava as mãos antes, para que não para que não se assente o maior dentre eles estando suas mãos sujas, tendo que esperar por outro. Os demais presentes na refeição lavam suas mãos por sequência, um após o outro. Não se dá honraria nisto, pois não se presta honra com mãos sujas, nem em meio de caminho, nem nas pontes, senão em portas apropriadas para que nelas haja uma mezuzá, e isto [somente] em caso de entrada.

14 Havendo terminado de lavar as mãos, enxugado, bendito bircat ha-mazon, trazido o "mugmar", o maior dentre todos bendiz por ele, e todos respondem "amén!".

15 Caso haja vinho, trazem-lhe uma taça cuja capacidade seja suficiente para revi'it, ou mais, e tipos de especiarias. Toma-se o vinho na mão direita, e as especiarias na esquerda, e bendiz bircat ha-mazon, em seguida sobre o vinho, e depois sobre as especiarias. Em caso de serem as especiarias óleo de cheiro, unta-se com ele a cabeça do chamach. Se o chamach for um talmid ĥakhamim, unta-se a parede com o óleo, para que não saia o talmid ĥakhamim à rua perfumado.

16 Apesar de que bircat ha-mazon não é obrigatório que se bendiga sobre o vinho após o proferir, conforme o costume que citamos, se o fizer, precisa lavar a taça por dentro, e enxaguá-la por fora, e encher de vinho puro, e ao chegar na bênção alusória à Terra [de Israel], mesclar nele um pouco de água, para que seja deleitoso para o sorver. Não se conversa até depois da bênção sobre a taça de vinho de bircat ha-mazon, conservando-se todos calados, até o selar da bênção sobre o vinho, e tomam-no.


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