Todo o Michnê Torá | Glossário | Voltar

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Capítulo 1

01 É um preceito positivo da Torá bendizer após o alimento, conforme foi dito: "...Comerás, e te satisfarás, e bendirás a Adonai, teu Deus..." - Dt 8:10. Não é obrigado pela Torá a bendizer, a não ser no caso de estar farto; mas, por decreto dos soferim, mesmo se comeu apenas um kezáit, bendiz após haver comido.

02 Por "divrê sofrim" - é obrigado todo homem [judeu] a bendizer antes de todo alimento, e somente depois deleitar-se nele. E, se exalar algum olor, bendiga antes, e depois se tome dele prazer. Mesmo que tiver a intenção de comer ou beber a menor quantidade, bendiz antes, e [somente] depois se deleita. Quanto ao que toma deste mundo prazer sem bendizer, incorre em "me'ilá". Igualmente por decreto dos soferim, deve [o judeu] bendizer após tudo o que comer, e após tudo o que beber, desde que haja sorvido um "revi'it", ou comido um "kezáit". Ao provar algo, não necessita bendizer nem antes e nem após, se não chegar à quantia de um "revi'it".

03 Assim como se bendiz pelo deleite, também se bendiz por cada um dos preceitos, cumprindo-o em seguida. E, diversas bênçãos decretaram os Sábios como enaltecimento e agradecimento, ou como petição, para que o Criador seja sempre lembrado, mesmo que a pessoa não se deleite de nada, ou cumpra algum preceito.

04 São, portanto, as bênçãos distribuídas por três classes:
1 - bênçãos do deleite; 2 - bênçãos dos preceitos; 3 - bênçãos de enaltecimento, gratidão e petição, para que o Criador seja lembrado sempre.

05 Quanto à fórmula de cada bênção, decretaram-nas 'Ezrá e seu Bet Din. Não é apropriado mudá-las, nem aumentar em nenhuma delas, ou delas diminuir algo. Quanto a todo o que transforma as palavras que colocaram os Sábios nas bênçãos, não é senão um equivocado. Quanto às bênçãos nas quais não há lembranç do Nome [de Deus] e de [Seu] reino, não é considerada bênção, a não ser quando se une à que a complementa.

06 Todas as bênçãos pode ser proferidas em qualquer idioma, desde que sejam ditas conforme o caso para o qual decretaram os Sábios. E se mudar suas palavras, já que lembrara o Nome de Deus e [Seu] Reino, e o assunto da bênção, cumprira com o preceito, mesmo que a haja proferido em idioma profano.

07 Todas as bênçãos, é necessário que faça ouvir a seus próprios ouvidos o que profere por seus lábios. Mas, se não fez ouvir a seus próprios ouvidos, [apesar disto] cumpriu o preceito, seja bendizendo por seus próprios lábios, ou simplesmente em seu coração.

08 Em todas as bênçãos que proferir, não pode interromper entre a bênção que profere e a coisa pela qual profere em outras palavras. Se interromper, precisa voltar a proferir novamente a bênção. Se, porém, interromper em assuntos concernentes à coisa pela qual a bênção foi proferida, não precisa proferir nova bênção. Por exemplo, se bendisse sobre o pão, e antes de comer, disse: "- Tragam sal!", ou: "-Tragam o cozido!", ou ainda: "-Dêem a fulano o que comer!", ou: "-Dêm alimento ao animal!", e semelhantes a estes casos, não precisa [novamente] bendizer. Assim tudo o que a isto for semelhante.

09 É permitido ao impuro que profira todas as bênçãos, seja impureza [leve] da qual possa eximir-se no mesmo dia, ou não (*). E, é proibido que a pessoa que precisa bendizer faça-o estando desnudado, até que cubra sua região genital. Em que caso? - em que o que precisa bendizer é um homem; mas a mulher, pode assentar-se, colocar suas faces junto ao solo [estando nua] e bendizer.

10 Todas as bênçãos - mesmo havendo bendito e se desobrigado - é permitido bendizer para outras pessoas que não se desobrigaram, para desobrigá-los, com exceção das bênçãos do deleite, nas quais não há preceito, que não pode bendizer por outros a não ser que haja se deleitado em companhia deles. Mas bênção de deleites nas quais há preceito, como comer a matsá nas noites de pêssaĥ ou o qiduch do dia, pode ser proferida por um em prol de todos, mesmo que não coma ou beba com eles.

11 Toda pessoa que ouvir uma bênção desde seu princípio até seu final, com intenção de desobrigar-se de a proferir, se desobriga, mesmo que não haja respondido "amén". Quanto a todo o que responde "amén" após o que bendiz, é comparado ao que recitar a bênção, desde que a pessoa que bendisse seja obrigado a proferir tal bênção. Se o que bendiz é obrigado [somente] por decreto dos soferim, e a pessoa que responde por determinação da Torá, não se desobriga de recitá-la, enquanto não responder "amén", ou ouví-la de quem está obrigado a recitá-la por determinação da Torá, assimo como ele.

12 Pessoas várias que juntarem-se para comer pão, ou para tomar vinho, e um deles bendisser e todos os demais responderem "amén", estes estão permitidos de comer e beber. Mas, se não tiverem a intenção de comer ao mesmo tempo, vindo cada um por si, mesmo que estejam comendo do mesmo pão, cada um deve bendizer em separado. Em que caso? - em pão e vinho somente. Quanto aos demais alimentos e bebidas, não necessitam hassevá, a não ser que haja bendito um deles, e todos haverem respondido "amén": estes comem e bebem, mesmo que não pensaram em estar em "hassevá" juntos isocronamente.

13 Toda o que ouvir uma bênção proferida por um judeu de qualquer das bênçãos, mesmo que não ouvir desde seu princípio até seu final, e mesmo que não esteja obrigado para com aquela mesma bênção, é obrigado a responder "amén". Se, porém, o que bendiz é um gentio, ou um "min", ou um "cuti", ou uma criança aprendiz, ou se o que profere a bênção é uma pessoa grande e mudou as palavras da bênção, não se responde após eles "amén".

14 Todo o que responder "amén", não responda amén "ĥatufá", nem "amén" "qetufá", nem "amén" curto, nem "amén" comprido, senão mediano. Tampouco aumente sua [entonação de] voz mais que o que profere a bênção. Quanto a todo o que escutar uma bênção em cuja concernência não é obrigado, não responda amém em conjunto com os que respondem [por estarem obrigados].

15 Todo o quer profere uma bênção desnecessária, toma o Nome de Deus em vão, e é como quem jura em vão, sendo proibido responder após este "amén". As crianças - ensina-se-lhes as bênçãos conforme são, meso que eles bendizem em vão durante o aprendizado - e é permitido. Mas, não se responde após elas "amén". Quanto ao que responde após elas "amén", não se desobriga.

16 Todo o que responde "amén" para sua própria bênção, efetua um ato vergonhoso. Quanto ao que responde a uma bênção que é final de últimas bênçãos, é louvável, como por exemplo após a bênção "...bonê Ieruchaláim!", na bênção após o pão, ou após a última bênção da recitação do "Chemá'" noturno. Assim, após toda bênção que é final de últimas bênçãos, responde "amém" após sua própria recitação.

17 Por que, então, diz "amén" após "...bonê Ieruchaláim" tendo que recitar após ela a bênção "...ha-Tov ve ha-Metiv..."? - porquanto esta bênção foi decretada nos dias dos Sábios da Michná, como sendo um aumento. Porém, o final real do bircat ha-mazon é "... bonê Ieruchaláim...". Por que, então, não diz amén após "Ahavat 'Olam..."? (*) - por ser final de primeiras bênçãos - e assim com todas as demais bênçãos que são proferidas antes, como as que são recitadas antes de ler a megilá, ou antes de acender as velas de ĥanucá - não pode interromper com "amén" entre a bênção e a ação pela qual a proferir.

18 E por que não responder "amén" após a recitação da bênção sobre os frutos? - por ser uma única bênção, e não se responde "amén" [para si póprio] senão após a última bênção que é antecipada por outra, ou por outras, como as bênços do rei [de Israel], ou do cohen gadol, ou similares a elas, onde mostra que já terminara todas as bênçãos [que tinha a proferir]. Por isto diz "amén".

19 Todo o que come algo proibido, seja intencionalmente ou inintencionalmente, não pode bendizer nem antes nem após. Como assim? - por exemplo, se comer "têvel", mesmo que seja "têvel" por decreto dos Sábios, ou que comeu ma'asser richon do qual não foram separadas suas terumôt, ou ma'asser cheni e heqdech que não foram redimidos segundo os pormenores de suas leis - não pode bendizer. Não é necessário dizer se comer nevelôt e terefôt, ou que haja sorvido "ién nêssekh", ou similares.

20 Mas, se comer demái, mesmo que não é apropriado que assim se proceda, senão aos pobres, ou ma'asser richon do qual foi eximida a "terumá" (*), mesmo que não haja sido separada a quantia chamada "terumá gedolá", e isto no caso de que adiantara em suas espigas, ou ma'asser cheni e heqdech que foram redimidos, mesmo que não haja dado a quinta parte de acréscimo, este pode bendizer antes e após, e assim tudo o que a estes casos se assemelhar.

Capítulo 2

01 A ordem do bircat ha-mazon é assim: primeira, bircat ha-zan; segunda, bircat ha-árets; terceira, bonê Ieruchaláim; quarta, ha-Tov veha-Metiv. A primeira bênção, foi decretada por Mochê Rabênu; a segunda, por Iehochú'a; a terceira, por David e Chelomô, seu filho; a quarta, pelos Sábios da Michná foi decretada.

02 Operários que fazem o trabalho assalariado, não devem bendizer ao comer pão a bênção anterior. Após a refeição, bendizem somente duas bênçãos, evitando anular-se do trabalho de seu empregador. A primeira bênção é dita conforme foi decretada. A segunda, começa com as palavras da bênção da Terra, e termina inserindo nela "...Bonê Ieruchaláim", selando-a como bênção da Terra. Mas, se o estipêndio de seu trabalho for somente sua refeição, ou se o empregador se recosta a comer em sua companhia, devem bendizer todas as quatro bênçãos conforme são.

03 Na bênção de agradecimento pela Terra de Israel é preciso recitar o agradecimento tanto em seu princípio quanto em seu final, selando-a com as palavras "... 'al ha-árets ve'al ha-mazon!". Dt 28:69. Quanto a todo o que não disser "...érets ĥemdá tová ureĥavá...", não cumpre com a obrigação de recitação da bênção. E é necessário adiantar [a palavra] "berit" à [palavra] Torá, pois esta aliança referida no bircat ha-mazon é a circuncisão, sobre a qual erguem-se treze pactos. Quanto à Torá [em particular], sobre ela erguem-se [apenas] três pactos, conforme está escrito: "São estas as palavras do pacto... com exceção do pacto..." - Dt 28:69 "Vós todos estais hoje... para entrardes no pacto..." Dt 29:9-11.

04 A terceira bênção, começa dizendo "Raĥem, Adonai Elohênu, 'alênu ve'al Israel 'amakh, ve'al Ieruchaláim 'irakh", ou: "Naĥamênu, Adonai Elohênu, bIruchaláim 'irakh...". Seu término, é: "...Bonê Ieruchaláim!" ou: "...Menaĥem 'amô bevinian Ieruchaláim!" Por isto é chamada esta bênção de "bênção do consôlo". Todo o que não disser "malkhut David" nesta bênção, não cumpre com sua obrigação da bênção, por ser o assunto [precípuo] da bênção, pois não há consolo pleno [para o povo de Israel] senão com o renovo do reinado davídico.

05 Em chabat e iom tov principia [a bênção] com [palavras de] consolo, e termina com [palavras de] consolo, dizendo a santidade do dia no meio [da bênção]. Como assim? - principia, dizendo: "Naĥamênu, Adonai Elohenu, beTsion 'irakh..." ou: "Raĥem, Adonai Elohênu, 'al Israel 'amakh ve'al Ieruchaláim 'irakh...", e completa: "...Menaĥem 'amô bevinian Ieruchaláim!" ou: "...Bonê Ieruchaláim!". E diz em seu meio, no chabat: "Elohênu, vElohê avotênu: retsê vehaĥalitsênu bemitsvotêkha, uvmitsvat iom ha-chevi'i ha-zê, venichbôt bô, venanúĥ bô kemitsvat retsonêkha, veal tehi tsará veiagon beiom menuĥatênu!" No iom tov, diz: "...ia'alê veiavô..." - e assim, no dia de roch ĥôdech, e em ĥôl ha-mo'ed, aumenta no meio da bênção terceira: "...Ia'alê veiavô..."

06 Em ĥanucá e em purim aumenta-se no meio da bênção da Terra: "'al ha-nissim...", assim como se faz na oração. E iom tov ou roch ĥôdech que cai em chabat, lembra "retsê vehaĥalitênu..." primeiramente, e logo depois "...ia'alê veiavô...". Igualmente, em roch ĥôdech tevet que cai em chabat, deve lembrar "'al ha-nissim..." na bênção sobre a Terra, e "...retsê vehaĥalitsênu..." e "...ia'alê veiavô..." na bênção do consolo.

07 Na quarta bênção, é necessário que sejas lembrados nela três reinados. Ao bendizer o hóspede em companhia de seu invitador, aumenta nela a bênção pelo senhor da casa. Como bendiz? - dizendo: "Iehi ratsón chelô tevôch, ba'al ha-báit, ba'olam ha-zê, velô tikalem la'olam habá!" - e tem permissão para acrescentar na bênção ao senhor da casa, e de prolongá-la.

08 Ao bendizer na casa de um enlutado, deve-se dizer na quarta bênção: "Ha-Mêlekh ha-ĥái, ha-Tov ve ha-Metiv, El emet, Chofêt betsêdeq, Chalit be'olamô la'assôt bo kiretsonô, cheanaĥnu 'amô va'avadáv, uvakol ánu ĥaiavim lehodôt lô ulevarekhô...", e [após estas palavras] pede-se piedade sobre o enlutado para consolá-lo, como quiser, e completa [com a frase] "Ha-Raĥaman...".

09 Em casa de noivos, bendiz a bênção dos noivos após essas quatro bênçãos, em cada uma das refeições que forem feitas ali, e não se bendiz essa bênção nem sobre os escravos, e nem tampouco sobre menores de idade. Até quantos dias se bendiz? - em caso de casamento de viúvo que tomou por esposa a uma viúva, bendiz-se somente no primeiro dia; em caso de solteiro que tomou por esposa a uma viúva, ou um viúvo que tomou por esposa a uma virgem, bendiz-se durante todos os sete dias da festa.

10 A bênção acrescida na casa dos noivos, é a última que se bendiz dentre as sete bênçãos de "nissuin". Em que caso [bendiz esta bênção o convidado]? - em que os que comem ali estiveram presentes na hora da bênção de nissuin, e ouviram todas as bênçãos. Mas se há outras pessoas na refeição que não ouviram a bênção de nissuin no momento do consumo do casamento, bendiz-se para eles após o bircat ha-mazon sete bênçãos, conforme se faz no momento do consumo do casamento. Isto, desde que hajam dez pessoas, sendo o noivo um deles.

11 São estas (*) as sete bênçãos:

1. Barukh atá Adonai Elohênu Mêlekh ha-'olam, cheha-col bará likhvodô!

2. Barukh atá Adonai Elohênu Mêlekh ha-'olam, iotser ha-adam!

3. acher iatsar et ha-adam betsalmô, betsêlem demut tavnitô, vehitqin lô mimênu binian 'adê 'ad!
Barukh atá Adonai, iotser ha-adam!

4. Sôss tassiss, vetagel 'aqará, beqibuts banêha letokhah bessimeĥá!
Barukh atá Adonai, messamêiaĥ Tsion bevanêha!

5. Samêiaĥ tessamaĥ re'im ahuvim, kessimmĥakhá ietsirká miqédem began 'eden! Barukh atá Adonai, messaméiaĥ 'amô uvonê Ieruchaláim!

6. Barukh atá Adonai Elohênu Mêlekh ha-'olam, acher bará sasson vessimeĥá, ĥatan vekhalá, gilá veriná, ahavá veaĥvá, chalom vere'ut!
Meherá Adonai Elohênu, iichamá me'arê Iehudá umeĥutsôt Ieruchaláim, qol sasson veqol simeĥá, qol hatan veqol calá qol metsahalôt ĥatanim mimichtê, une'arim mineginatam!
Barukh atá Adonai, messaméiaĥ ĥatan 'im ha-calá!
( Veja o original hebraico)

12 Se esquecer e não dizer [o trecho acerca da] santidade do dia no chabat ou no iom tov, se lembrar antes de começar a quarta bênção, diz [no chabat]:
Barukh acher natán chabat limenuĥá le'amô Israel leôt ulevrit qôdech! Barukh Atá Adonai, meqadech ha-chabat! No iom tov, diz:
Barukh acher natán iamim tovim le'amô Israel lessasson ulessimeĥá! Barukh Atá Adonai, meqadech Israel veha-zemanim! - principia após isto a quarta bênção, e termina. Se, porém, lembrar somente após a quarta bênção, deve tornar ao princípio do bircat ha-mazon, que é bircat ha-zan.

13 Em roch ĥôdech, se esquecer de dizer "...ia'alê veiavô...", se lembrar antes de começar a quarta bênção, diz: Barukh acher natan rachê ĥodachim le'amô Israel lezicaron! - sem selar [com o nome de Deus, como nas anteriores]. Após isto, começa a quarta bênção e termina. Se lembrar após começar a quarta bênção, termina-a e não torna [como nas anteriores], e assim também em ĥol ha-mo'ed. Em ĥanucá e em purim, se esquercer de lembrar o assunto [da festividade] no bircat ha-mazon, não precisa voltar [a recitar a bênção].

14 Se comer e esquecer de bendizer, se lembrar antes que o alimento se desfaça em suas entranhas, deve bendizer. Se entrar em dúvida, sem saber se bendisse ou não, bendiz, desde que ainda não se haja desfeito o alimento.

Capítulo 3

01 Cinco são os tipos [de cereais]: a) o trigo ;b) a cevada; c) o centeio; d) a aveia; e) a espelta. O centeio, é derivado do trigo; a aveia e a espelta, derivados da cevada. Todos estes [de cereais], enquanto acham-se como espigas, são chamados "palha" em todo caso. Após serem batidos e peneirados, são chamados "cereais". Após serem moídos cada um deles, amassadas suas farinhas e assados, são chamados "pão". O "pão" que é feito de um deles, é o que chamamos "pão" em todo caso, desde que não haja sido assado com outros acréscimos.

02 Quem come pão, deve bendizer antes (*):
"Barukh Atá Adonai Elohênu Mêlekh ha-'Olam, ha-motsi lêĥem min-ha-'arets!" .
Se, porém, comer cereal cozido conforme ele é em sua origem, deve bendizer antes:
"Barukh Atá Adonai Elohênu Mêlekh ha-'Olam, borê feri ha-adamá!", e após "...borê nefachôt rabôt...".
Se comer farinha, bendiz antes "...chehacol...", e após comer, "...borê nefachôt..."

03 Farinha de um dos cinco cereais misturada em água ou qualquer outro líquido, em caso estar densa e apta para ser comida (e não sorvida, devido a sua espessura), deve-se bendizer [ao comê-la] "...borê minê mezonôt...". Se, porém, estiver soluta ao ponto que possa ser sorvida, deve-se bendizer sobre ela "...chehacol...", e após, "...borê nefachôt...".

04 Farinha de um dos cinco tipos de cereais que haja sido cozido em uma panela, seja misturado com outros ingredientes, como "levivôt" ou similares, ou como o cereal partido [cada grão em pedacinhos] ou triturado, como a "rifá", o "gêrech" ou o "carmel" e similares a isto, que são todos estes o que chama-se "ma'assê qederá", bem como o cozido no qual fora mesclado um dos cinco tipos de cereais, seja farinha ou pão, sua bênção é "...borê minê mezonôt...".

05 Em que caso? - no caso de ser o cereal o mais importante no alimento, e não haja nele algo secundário. Mas, sendo um dos cinco cereais em mescla de [ingredientes] agregados, não se bendiz senão sobre o principal, desobrigando de bênção. ao agregado secundário. Esta é a regra geral nas bênçãos: Tudo o que vier acompanhado com algo secundário, deve bendizer sobre o principal, e desobrigar de bênção ao agregado, seja em caso de estar o secundário como parte integrante do alimento, seja totalmente separado.

06 Como é o secundário na mescla? - "lêfet" ou repolho cozidos nos quais mesclara-se farinha de um dos cinco tipos de cereais para servir-lhe de adesão, não pode bendizer sobre eles "...borê minê mezonôt...", pois a couve é o principal, e esta farinha, secundária, pois tudo o que se mistura paa que sirva de adesivo, ou para como odorífero, ou como corante para o cozido, é secundário em relação ao todo. Mas, caso seja para dar sabor à mescla, é então tido como principal. Portanto, certos tipos de mel que cozinham e a ele acrescem farinha de trigo para adesão, fazendo doce, não se bendiz "...borê minê mezonôt...", pois o mel é o principal.

07 Como é o secundário não mesclado, precisando comer um peixe salgado, come um pão ao mesmo tempo, para que não se prejudique pelo sal em sua garganta e em sua língua. Bendiz sobre o peixe, e desobriga o pão, pois o pão é-lhe o pão secundário. Assim, tudo o que se assemelhe.

08 O pão espedaçado e cozido em panela ou amassado na sopa, se tiver em seus pedaços um cazáit, ou reconhece-se que é pão, por não haver perdido sua forma, bendiz-se sobre o cozido antes de comer "...ha-motsi...". Se não houver a medida de um cazáit ou se houver perdido a forma original de pão durante o cozinhamento, deve-se bendizer sobre o cozido "...borê minê mezonôt..."

09 Pão que se assa no solo, como fazem os árabes habitantes do deserto, já que não tem forma de pão, bendiz-se sobre ele "...borê minê mezonôt...". Se, porém, determinara que será sua refeição, deve bendizer "...ha-motsi...". O mesmo concernente à massa preparada com mel, com óleo ou com leite, ou na qual mesclara-se temperos e ingredientes que ajudam na panificação: este é o chamado "pat ha-baá bekissanin" . Apesar de ser pão, sua bênção é "...borê minê mezonôt...", e se fizer dele sua refeição, deve bendizer "...ha-motsi...".

10 Arroz cozido, ou feito pão, bendiz antes "...borê minê mezonôt...". e após "...borê nefachôt...", com a condição de que não esteja mesclado com algo outro, senão seja arroz puro. Mas pão de milhete ou de demais tipos de grãos, deve-se bendizer antes "...chehacol...", e após, "...borê nefachôt rabôt...".

11 [*]Sobre o que se bendiz sobre antes "...ha-motsi...", após deve-se bendizer bircat ha-mazon por ordem, todas as quatro bênçãos. Sobre tudo o que sobre ele recaia a bênção "...borê minê mezonôt...", bendiz-se após "me'en chaloch", com exceção do arroz.

12 Em que caso? - se comer mais do que um cazáit. Mas, se comer menos que um cazáit seja pão ou demais alimentos, ou se beber menos que uma revi'it, seja de vinho ou de demais bebidas, bendiz antes a bênção pertinente àquele tipo [de alimento ou bebida], e não bendiz nada após.

13 Esta é a bênção "me'en chaloch":
Barukh atá Adonai Elohênu Mêlekh ha-'Olam, 'al ha-miĥiiá, ve'al ha-calcalá, ve'al érets ĥemdá tová ureĥavá cheratsita vehineĥalta et avotênu! Raĥem, Adonai Elohênu 'alênu ve'al Israel 'amakh, ve'al Ieruchaláim 'irakh, ve'al Tsion michcan kevodakh, veha'alênu letokhah, vessameĥênu bevinianah, unevarekhakh 'alêha biqeduchá uvtahorá! Barukh atá Adonai, 'al haárets ve'al ha-miĥiá! (*)
No chabat e no iom tov,

Capítulo 4

01 Todo o que bendiz bircat ha-mazon ou a bênção chamada "me'en chaloch", precisa fazê-lo no local onde comeu. Se comer andando, deve sentar-se no local onde parou de comer, e bendizer. Se comer de pé [parado num mesmo lugar], deve sentar-se no mesmo local, e bendizer. Se esquecer de bendizer bircat ha-mazon, e lembrar antes do digerir do alimento em suas estranhas, deve bendizer no local onde se lembrar. Se, porém, agira assim intencionalmente, deve tornar ao lugar [onde comeu] para bendizer. Mas, se bendizer no local onde se lembrou, desobriga-se [do preceito]. A priori, não bendiga nem bircat ha-mazon e nem me'en chaloch senão sentado, e onde comer.

02 A pessoa que entrar em dúvida se bendisse ou não "ha-motsi" ou não, não pode bendizer, por não ser promulgada pela Torá. Se esquecer, e lembrar antes de terminar sua refeição, deve bendizer [ao lembrar]. Se após haver terminado, não pode bendizer.

03 Caso estiver comendo em uma casa, e interromper sua refeição indo a outra casa, ou se ao comer chamar a um amigo para falar-lhe, e sair à porta de casa e retornando após, por haver cambiado seu lugar, é necessário bendizer sobre o que comeu, bendizer novamente ha-motsi, somente depois disto, terminar sua refeição.

04 Estudiosos da Torá que encontrarem-se sentados a comer, e saírem ao encontro de um noivo ou noiva, caso hajam deixado ali um velho enfermo, podem voltar e terminar sua refeição sem novamente bendizer. Se não deixarem ali algém ao saírem, precisam bendizer [a bênção após o alimento], e ao retornarem, bendizer a priori a bênção anterior.

05 Do mesmo modo, se encontrarem-se acostados a beber, ou a comer frutas: pois todo o que cambia seu lugar, interrompe sua refeição, pelo que deve [antes de sair] bendizer a última bênção, e [após tornar,] bendizer novamente a priori [a bênção anterior] sobre tudo o que comer. Se mudar seu lugar de um canto para outro numa mesma casa, não precisa novamente bendizer, mas se comer sob uma figueira em seu oriente, e transferir-se a seu ocidente, precisa tornar a bendizer.

06 Ao bendizer sobre o pão, desobriga-se a "parpêret" com a qual se come o pão, feita de tipos de cozido ou frutas. Mas, caso haja bendito sobre a "parpêret", não desobriga-se o pão [de sua bênção a ser sobre ele proferida]. Se bendizer sobre "ma'assê qederá", desobriga [de bênção] o cozido. Se bendizer sobre o cozido, não desobriga ao "ma'assê qederá".

07 Após decidir consigo mesmo em seu coração que terminou de comer ou de beber, se resolver novamente comer ou beber, mesmo sem haver mudado de lugar, deve voltar a bendizer. Se não decidiu em seu coração, senão pensa ainda tornar a beber ou a comer, mesmo que haja levado o intervalo o dia todo, não necessita voltar a bendizer segundamente.

08 Estando sentados a beber, se disserem: " - Bendigamos bircat ha-mazon!", ou: " - Eia, façamos o qiduch do dia!" - estes tornam-se proibidos de beber, até que bendigam, ou que façam o qiduch. Se pretendem tornar a comer [após decidirem que não mais comeriam], mesmo que não tenham permissão para fazê-lo [pela halakhá], precisam tornar a bendizer "...borê peri ha-gêfen!" (*), e somente depois, beber. Caso hajam dito: " - Façamos a havdalá!" - não é necesserário que bendigam novamente.

09 Se estiverem recostados a tomar vinho, e trouxera-se um vinho de outro tipo, como por exemplo se sorviam vinho tinto e trouxera-se vinho negro, ou sorviam de um tipo antigo e troxera-se um tipo de vinho novo, não é necessário que se bendiga novamente a bênção sobre o vinho, senão bendiz-se: "Barukh Atá Adonai Elohênu Mêlekh ha-'Olam, ha-Tov veha-Metiv!"

10 Não bendiz-se por nenhum tipo de alimento nem por nenhuma classe de bebida enquanto não estiver perante si, e caso haja bendito e [somente] após foi trazido perante si, é preciso voltar a bendizer. Se tomar em suas mãos algum alimento e bendizer por ele, e cair de sua mão, queimar-se ou for levado por um rio, tome outro e bendiga novamente, mesmo que seja da mesma espécie. E, é preciso proferir "Barukh Chem kevod malkhutô le'olam va'ed!" pela primeira bênção proferida, para que não se ache tomando o Nome dos Céus em vão.

11 Pode colocar-se a pessoa sobre a corrente de águas, bendizer, e beber, mesmo que a água que se achava perante si no momento da bênção não é a mesma que bebe, pois essa era sua intenção desde o princípio.

12 Coisas que vêm na refeição, e são parte integrante dela, não carecem bênção nem antes, nem depois, pois "bircat ha-motsi" e "bircat ha-mazon" que vem ao final desobriga tudo, por serem tais coisas secundárias à refeição. Quanto às coisas que não são parte integrante da refeição - se vêm durante a refeição, bendiz-se por elas antes, mas não após - e se vêm após a refeição, bendiz-se por elas tanto antes quanto após.

13 Em chabat e em iamim tovim, bem como no dia em que a pessoa come a refeição [especial] após a extração de sangue, ou quando sair da casa de banhos, ou em casos similares, quando se faz refeição especialmente com vinho, se bendizer pelo vinho que antecede a refeição, desobriga de bênção o vinho que vem após ela. Nos demais dias, porém, é necessário bendizer também pelo vinho posterior à refeição. Se vier-lhe vinho durante a refeição, cada um deve bendizer para si póprio, devido ao fato de não estar livre a faringe e possa cada pessoa presente responder "Amén!", e não desobriga o vinho que vem após a refeição.

Capítulo 5

01 As mulheres e os escravos são obrigados em pertinência ao recitar do bircat ha-mazon, e há dúvida nisto se sua obrigação é proveniente da Torá, por ser um preceito para o qual não há tempo determinado, ou se não. Portanto, estes não podem [através de sua recitação] desobrigar aos maiores. Quanto aos menores de idade, são obrigados a recitar bircat ha-mazon por divrê sofrim, para que sejam educados no cumprimento dos preceitos. (Vale a pena ver Dt 6:7)

02 Esta é bircat ha-zimun: se forem os que comem em número entre três e dez, um deles diz: "Nevarekh cheakhalnu michelô!", e os demais respondem: "Barukh cheakhalnu michelô, uvtuvô ĥaínu!" E, [o que disse anteriormente] volta a dizer [o que todos disseram]: "Barukh cheakhalnu michelô, uvtuvô ĥaínu!" Em seguida, começa [a recitar], dizendo: "Barukh Atá Adonai, Elohênu Mêlekh ha-'Olam, ha-zan..." até concluir todas as quatro bênçãos, enquanto os demais [somente ouvem e] respondem "amén!" após cada uma das bênçãos. (V. a bênção transliterada)

03 Caso os que estejam na refeição sejam em número de dez ou mais, o "zimun" é feito com menção do Nome [de Deus]. Como assim? - o que profere a bênção, diz: "Nevarêkh lElohênu cheakhalnu michelô!" e os demais respondem: "Barukh Elohênu cheakhalnu michelô, umituvô ĥaínu!" O que bendiz torna a repetir, dizendo: "Barukh Elohênu cheakhalnu michelô, umituvô ĥaínu!" e principia a recitar bircat ha-mazon.

04 Quem come em casa de recém casados, a partir do momento no qual principiam a ocupar-se da refeição conubial concernente a seu preparo até trinta dias após o casamento, bendiz: "Nevarekh chehassimeĥá bime'ono, cheakhalnu michelô!" - e respondem: "Barukh chehassimeĥá bime'ono, cheakhalnu michelô, uvtuvô ĥaínu!" - e [o oficiante] torna a dizer: "Barukh chehassimeĥá bime'ono, cheakhalnu michelô, uvtuvô ĥaínu!" Em caso de haverem dez pessoas, diz: "Nevarekh lElohênu chehassimeĥá bime'ono, cheakhalnu michelô!" - e respondem: "Barukh Elohênu chehassimeĥá bime'ono, cheakhalnu michelô, uvtuvô ĥaínu!" - e ele torna a dizer: "Barukh Elohênu chehassimeĥá bime'ono, cheakhalnu michelô, uvtuvô ĥaínu!" E, assim se procede em concernência a toda refeição após o casamento, se for feita em conexão ao casamento, até doze meses, bendizendo: "...chehassimeĥá bime'ono..." .

05 Todos são obrigados em pertinência ao bendizer o "zimun", assim como são obrigados para com "bircat ha-mazon", mesmo cohanim ao comer qodchê qodachim no átrio do Templo. Do mesmo modo, cohanim e israelitas [comuns] que comerem juntos a um tempo, e comerem os cohanim terumá e os israelitas ĥulin, são obrigados a efetuar o zimun. Mulheres e crianças são obrigadas a fazer o "zimun", assim como são obrigadas para com bircat ha-mazon.

06 Mulheres, escravos e crianças, não se faz com eles zimun, mas sim, eles fazem entre si mesmos. E não em grupo de mulheres escravos e crianças em conjunto, devido à imoralidade, senão mulheres à parte, escravos à parte e crianças à parte. Somente [difere do zimun dos homens no fato de que] não podem fazer "zimun" com o Nome de Deus. O andrógeno bendiz o "zimun" para sua própria espécie, mas não pode fazê-lo nem para homens, nem para mulheres, por ser dúbio [se é homem ou se é mulher]. Quanto ao "tumtum", não pode este fazer "zimun" de modo algum.

07 O menor que sabe para quem faz-se o "zimun", faz-se o zimun com ele, mesmo que tenha a idade de sete anos, ou oito. E toma parte do quórum de três ou de dez, para que haja zimun consigo. Quanto ao estranho, não se faz com ele o "zimun".

08 Não se faz "zimun" senão com quem comer um kezáit de pão, ou mais que isto. Sete que comerem pão, e três que comerem em sua companhia verduras ou caldo, ou semelhantes, se ajuntam para que o "zimun" seja feito em [enaltecimento do] Nome de Deus. Isto, desde que seja o que bendiz dentre os que comeram pão. Se seis comerem pão e quatro verduras, não se juntam [para que haja zimun em dez], até que seja o nú,mero dos que comem pão reconhecidamente a maioria [absoluta]. Em que caso? - em número de dez, mas caso sejam três os que comem, deve cada um comer um kezáit de pão, e somente então poderão fazer "zimun".

09 Dois que comeram [juntos] e já terminaram, vindo um terceiro a comer, se puderem comer com ele qualquer quantia, mesmo de demais alimentos, une-se este [que chegara] a eles. O mais sábio dentre os que comem em conjunto é o que bendiz por todos, mesmo que não haja vindo, senão por último.

10 Três que comeram juntos isocronamente, não têm permissão para se dividirem, assim também quatro, ou cinco. Seis, dividem-se, até que sejam número de dez. Dez, não podem dividir-se, até que sejam vinte. Toda vez em que se dividirem-se seja o zimun para qualquer dos grupos como o zimun de todos em conjunto, podem dividir-se.

11 Três pessoas oriundas de três grupos de três, não estão permitidos de dividir-se - e, se cada um deles já efetuou o "zimun" em seu [próprio] grupo, podem dividir-se, e não são obrigados para com o "zimun", pois já fizeram-no por eles. Quanto a três que comem em conjunto, mesmo trazendo cada um seu próprio alimento, não estão permitidos de separar-se.

12 Dois grupos que comem numa única casa, se vêem uns aos outros, ambos os grupos se unem para o "zimun" em conjunto. Se não se vêem, cada grupo faz o "zimun" para si próprio. Se, porém, houver uma pessoa servindo entre eles, de um grupo para outro, unem-se para um único "zimun". Isto, desde que possam ouvir ambos os grupos o que diz o que bendiz [em voz alta por todos] claramente.

13 Três que comeram juntos, e um deles saíra à rua, chamam-no, para que seja apto a ouvir o que dizem, e fazem o "zimun" com ele estando ele ali na rua, e desobriga-se. Ao tornar a seu lugar, deve bendizer bircat ha-mazon para si próprio. Quanto a dez pessoas que comeram em conjunto, se saíra um dentre eles, não podem fazer o "zimun" até que este torne e sente-se em seu lugar, em companhia dos demais.

14 Três que comerem juntos, se um deles adiantar-se e bendizer para si póprio, [os outros dois restantes] fazem com ele o "zimun", e desobrigam-se. Ele porém, não se desobriga neste "zimun", pois não há "zimun" ao contrário.

15 Dois que comerem juntos, cada um bendiz por si próprio. Se for o caso de um que sabe bendizer e outro que não, o que sabe, bendiz em voz alta, e outro responde "amén!" após cada bênção, e se desobriga. O filho pode bendizer pelo pai, e o escravo por seu senhor, e a mulher por seu esposo, e se desobrigam. Mas, disseram os Sábios: "Que venha maldição sobre quem bendiz sobre ele sua esposa ou seus filhos!"

16 Em que caso se desobrigam? em que não se acham satisfeitos após o comer [pão], que então são obrigados a bendizer por divrê soferim, pelo que um menor, um escravo ou uma mulher podem desobrigá-lo. Mas caso haja comido e se fartado, incorre em obrigação de bendizer pela Torá, pelo que não pode nem mulher e nem menor bendizer por ele, desobrigando-o, pois todo o que é obrigado com qualquer coisa pela Torá, não pode desobrigá-lo senão o que é obrigado com aquela mesma coisa pela Torá.

17 O que chega a outras pessoas e encontra-os bendizendo o "zimun", se chegar no momento em que o que o oficiante diz "nevarekh...!", diz: "Barukh, umevorakh!" Se, porém, chegou no momento, que os que comem respondem "Barukh cheakhalnu...!" deve responder após eles [simplesmente] "amén!"

Capítulo 6

01 Para comer pão sobre o qual se bendiz "...ha-motsi...", é preciso lavar das mãos, antes de comer, e após. Mesmo em tratando-se de pão de "ĥulin", mesmo que não se achem suas mãos sujas, e mesmo que não estejam impuras, não coma, até lavar ambas as mãos. Assim também, todas as coisas mergulhadas em líquidos, precisa lavar as mãos antes.

02 Todo o que lava as mãos, seja para alimento, para recitar o chemá, ou para a oração, bendiz antes "...acher qidechánu bemitsvotav, vetsivánu 'al netilat iadáim! , pois é um preceito dos Sábios, sobre a qual a Torá nos ordenara ouvir conforme está escrito: "...Segundo a legislação que eles te ordenarem..." (Dt 17:11). Quanto a máim aĥaronim, não se bendiz, por ser seu decreto devido a caso de periculosidade, pelo que a pessoa deve ser extremamente cuidadoso a seu respeito.

03 O lavar das mãos entre um cozido e outro é permissivo: se quiser, pode fazê-lo; se não, não é mister que faça. Quanto a frutos de "ĥulin", não precisam lavagem das mãos, e todo o que faz o lavar da mãos para frutos, é tido como orgulhoso

04 Todo o alimento que vem com sal, é preciso após ele lavagem de mãos após o ingerir, pois pode haver sal sodomita, ou sal cuja natureza seja parecida com o sal sodomita, e se passar as mãos sobre os olhos, tornar-se-á cego. No acampamento são isentos de lavar as mãos antes do comer, devido à ocupação bélica, mas obrigados a lavar após os alimentos, por razão do perigo.

05 Até onde se faz o lavar das mãos? - até o pulso. E, qual a quantidade de água suficiente para ambas as mãos? - um revi'it. Tudo o que for considerado impecilho para a tevilá é também impecilho para o lavar mãos. Tudo o que é apto para aumentar a medida para água de miqvá, é também apto para o aumento da água para a lavagem das mãos.

06 Todo o que precisa lavar as mãos, se mergulhar suas mãos em água de miqvá, não precisa mais nada. Mas, se mergulhar as mãos onde não há quantia (*) que sirva de miqvá, ou em água bombeada do chão, seu feitio é nulo, pois a água bombeada não purifica as mãos, senão por despejo. (*)

07 Todo o que efetua a lavagem [ritual], precisa tomar cuidado com quatro pormenores: com a água em si, que não estejam invalidadas para o uso na lavagem das mãos; com a quantia, que haja um revi'it para cada duas mãos; com o utensílio, que seja feita a lavagem a partir do despejo de um utensílio; e em quem despeja, que seja a água que vem do utensílio, procedente da força de alguém.

08 Quatro coisas tornam a água inapta para a lavagem [ritual] das mãos: (1) mudança em seu parecer, (2) haver ficado descoberta, (3) haver sido usada para algum tipo de trabalho, e (4) todo estrago que impeça que o animal tome dela. Como assim? - água que haja mudado seu parecer, seja em utensílios ou no chão, seja devido a algo que caíra nela, ou por razão do local onde se acha, é inapta. Similarmente, se ficou descoberta em estado que proíbe seu uso para o sorver, torna-se inapta para a lavagem das mãos.

09 Toda água já usada para alguma obra, torna-se destinada a ser derramada. Como assim? - água encanada que foi usada para lavar utensílios, ou água na qual mergulhara seu pão, ou casos semelhantes, seja em utensílios ou no chão, invalidam-se para lavar com ela as mãos. Se enxaguar com ela utensílios já lavados, ou novos, não a tornara inapta. Água usada pelo padeiro na qual mergulha os biscoitos, é inapta. Quanto à água que usa para despejar sobre a massa no momento em que amassa, é apta, pois a que despeja de suas mãos é a usada para o trabalho, enquanto aquela com a qual enchera a concavidade de suas mãos, permanece apta.

10 Toda água desconsiderada por um cão como sendo apta para ser sorvida - por exemplo: por ser amarga ou salobre, ou feia, ou mal cheirosa, até o ponto de um cachorro não beber dela - caso se ache em utensílio, é inapta; no chão, aptas [para purificação] pelo mergulhar nelas as mãos. A água quente de Tiberíades, em seu local natural, pode-se mergulhar nela as mãos; se, porém, lavar com ela a partir do despejo de um utensílio, ou por abrir nela um sulco para outro lugar, não pode ser usada, nem para a lavagem anterior, nem para a posterior, por não serem aptas para serem sorvidas por um animal.

11 O que despeja a água, é melhor que faça-o de pouco em pouco, até completar a medida. Mas, se despejar toda a revi'it de uma vez, é-lhe suficiente este ato. Podem lavar quatro pessoas, ou cinco, um ao lado do outro, ou com uma mão por sobre a do outro, isocronamente, com uma só lavagem, contanto que estejam as mãos separadas uma da outra, podendo passar a água entre elas. Deve haver nesta lavagem um revi'it para cada pessoa.

12 Não se lava as mãos utilizando-se de paredes de utensílios, nem tampouco de bordas do "máĥats", nem em porcelanas, nem em lacre de barril. Se, porém, consertar o lacre para que possa ser usado como utensílio de lavagem de mãos, pode ser usado. Similarmente, ĥêmet, após ser consertado: pode ser usado para a lavagem das mãos, porém um saco [comum] e caixa, mesmo após haverem sido consertados, não podem ser usados para a lavagem [ritual] das mãos. Não pode despejar uma pessoa a outra da concavidade de suas próprias mãos, por não serem suas mãos um utensílio. Todo utensílio que se quebrar de forma que isto o purifique de casos de impureza, não serve para o uso em lavagem de mãos, por serem considerados cacos de utensílios.

13 Todos os utensílios podem ser usados para a lavagem das mãos. Mesmo utensílios feitos de excrementos ou de barro, desde que estejam em sua plenitude. Quanto a todo utensílio que não pode conter a quantia de uma revi'it, não serve para ser usado para a lavagem das mãos.

14 Todas as pessoas podem despejar a água para a lavagem das mãos. Até mesmo um surdo-mudo, um insano mental e um menor de idade. Se não houver ninguém que o faça, pode colocar o utensílio entre os joelhos, e despejar sobre suas próprias mãos, ou entorne o recipiente sobre suas mãos, ou despeje de uma sobre a outra, e volta a despejar da segunda sobre a primeira em seguida. Um símio pode fazer a lavagem das mãos [para uma pessoa].

15 A leiva, para a qual a pessoa pessoa tira água - por suas próprias mãos ou através de uma roda, afim de nela despejar - por onde corre a água e rega as verduras, ou é disposta para os animais: se mergulhar nela suas mãos, e a água em seu transcurso lavar-lhe-as, não serve esta lavagem, por não haver um despejador. Se, porém, estiverem [suas mãos] próximas ao despejo do balde [do qual se enche a leiva], sendo lavadas por intermédio da força do despejo de uma pessoa, serve-lhe esta lavagem.

16 A água acerca da qual estiver em dúvida se com ela foi feita alguma obra, ou se não; se há nela a medida apropriada [para lavar as mãos], ou se não há; se encontram-se puras, ou se impuras; se é incerto se lavou as mãos, ou se não: em todo caso de dúvida, estão suas mãos puras, pois em concernência à lavagem das mãos a situação duvidosa é determinante de pureza.

17 Ao efetuar "máim richonim", é necessário suspender as mãos, evitando que volte a água do pulso para a mão, e a impurifique; quanto a "máim aĥaronim", deve entornar as mãos, para que saia delas todo o sal. "Máim richonim": pode ser feita esta lavagem sobre utensílios ou sobre o solo; Quanto a "máim aĥaronim", não pode ser feita sobre o solo. "Máim richonim": pode ser feita tanto em água esquentada no fogo, ou em água fria; "máim aĥaronim", não pode ser feita em água quente, isto caso a mão se escalde nelas, pois nesse caso não eximem a sujeira, pois não será possível esfregá-las uma na outra. Mas estando a água morna, pode fazer nela "máim aĥaronim".

18 É permitido que se lave as mãos pelo amanhecer e condicione que lhe sirva esta lavagem para todo o dia, sem que necessite tornar novamente a lavar antes de cada vez que for comer, desde que não haja desviado disto sua consciência. Mas, caso haja perdido a consciência, precisa novamente fazer a cada vez que precisar lavagem de mãos.

19 Permite-se envolver as mãos em um lenço e comer pão ou coisas que estejam mergulhadas em líquidos, mesmo que não haja lavado as mãos. O que dá a outros a comer, não precisa [ele mesmo] a lavagem [ritual] das mãos. Mas, quanto ao que come, este precisa lavar suas mãos, mesmo que não toque nos alimentos, sendo alimentado por outro. A mesma lei é para quem come com garfo, que precisa lavar as mãos.

20 É proibido alimentar a alguém que não haja lavado as mãos, mesmo que seja outro o que põe o alimento em sua boca. E, é proibido desprezar a lavagem das mãos. Muitas ordenanças deixaram os Sábios em concernência ao lavar das mãos, admoestando sobre o mesmo. Mesmo que não tenha água suficiente para beber, deve usar parte dela para lavar as mãos, e em seguida comer, depois do que pode beber o outro pouco restante.

21 É preciso que enxugue suas mãos [após o lavar ritual], e somente depois disto pode comer. Todo o que come sem enxugar as mãos, é como quem come pão impurificado. Quanto a todo o que lavar as mãos após o alimento, [também] deve primeiramente enxugar, e somente depois bendizer. Imediatamente após lavar as mãos, deve empeçar a proferir bircat ha-mazon, sem interromper entre o lavar e bircat ha-mazon. Mesmo beber água é proibido, enquanto não bendizer bircat ha-mazon.

Capítulo 7

01 Diversos decretos foram promulgados pelos Sábios de Israel para que sejam costumeiros na refeição, todos como "dêrekh érets". São eles: ao entrar a uma refeição, o maior dentre todos lava as mãos antes de todos os demais, e em seguida entram, assentando-se recostados. O maior dentre os presentes assenta-se no lugar precípuo, e quem for-lhe secundário, acima dele, estando o terceiro abaixo dele.

02 O dono da casa bendiz "...ha-motsi...", e ao completar a bênção, parte o pão. O visitante bendiz o "bircat ha-mazon", para que abençôe ao dono da casa. Se todos eles forem proprietários, o maior dentre eles parte o pão, e ele mesmo bendiz "bircat ha-mazon".

03 O que parte o pão não tem permissão para fazê-lo, até que seja depositado sal ou "liftan" perante cada um dos presentes, a não ser que todos tenham intenção de comer pão seco. Não se parte pequenos pedaços, para não parecer sovina; tampouco maior que a medida de um "betsá", para não parecer um esfomeado. No chabat, porém, pode partir grandes pedaços. Não se parte o pão, senão a partir do local mais assado nele.

04 O melhor modo de cumprir com o preceito é principiar o partir do pão de um pão inteiriço. Se tiver um pão de cevada inteiro, e um pedaço de um de trigo, deve meter o pedaço dentro do inteiro, e partir ambos em conjunto, para que esteja partindo o de trigo e o pão inteiro. Em chabat e em iom tov é obrigatório partir o pão acompanhado de outro. Toma-se a ambos em sua mão, e parte um deles.

05 O que parte o pão deposita cada pedaço perante cada um dos presentes, e este toma para si por si próprio. Não pode dar na mão de nenhum, a não ser que se trate o receptor de um enlutado. O que parte o pão é o que toma seu pedaço primeiro, e come. Quanto aos demais presentes, não estão permitidos de provar do pão, enquanto o que parte não comer dele, e o que parte não tem permissão de provar, enquanto não terminarem a maioria dos presentes o proferir do