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Capítulo 11

01 As bênçãos em geral principiam-se com a palavra "Barukh", e são seladas com "Barukh", exceptuando-se a última bênção da recitação do "Chem'á", e toda bênção que for anexa a outra, e a bênção pelos frutos, e as que a ela sejam semelhantes, e as bênçãos concernentes ao cumprimento dos preceitos.

02 Quanto a essas bênçãos que dissemos serem por enaltecimento e agradecimento, há entre elas as que empeça-se com "Barukh", e não são seladas com "Barukh", e há entre elas as que termina-se o selamento com "Barukh", mas não principia-se a recitação com "Barukh".

03 Há dentre os preceitos os que deve a pessoa esforçar-se e lutar até cumpri-las, como tefilin, sucá (Lv 23:34), lulav (Lv 23:24) e chofar (Lv 23:40)), que são as chamados obrigatórios, posto que a pessoa é obrigada a cumpri-los a todo custo.

04 E, há preceitos que não são obrigatório, e parecem ser opcionais, como "mezuzá" (Dt 6:9) e "ma'aqê" (Dt 22:8), pois não há obrigação que habite a pessoa em casa na qual haja obrigação que coloque-se "mezuzá," , para que coloque "mezuzá", nem é obrigado a construir uma casa, para que levante sobre ela "ma'aqê". Todo preceito que esteja entre o homem e Deus, seja preceito obrigatório ou não, deve bendizer pelo mesmo antes de cumpri-lo.

05 Semelhantemente, todo preceito que for "divrê soferim", seja obrigatório, como a leitura da "megilá" e o acender das velas do chabat e da festividade de "ĥanucá", ou não obrigatórios, como "'eruv" ou como "netilat iadáim" - deve bendizer sobre todos eles "...acher qidechánu bemitsvotav vetsivánu la'assôt...". E, onde nos ordenou? Na Torá, na qual está está escrito "...O que te disserem, cumpre..." Dt 17:11. Temos portanto o assunto concernente a estas coisas, assim: "...que nos santificaste por Teus preceitos...", que nos ordenara a ouvir aos que nos ordenaram a acender as velas de ĥanucá, ou a ler a "megilá", e assim todos os demais preceitos que são "divrê soferim".

06 Por que, então, não se bendiz sobre o lavar das mãos que se faz por último [após os alimentos nos quais haja sal]? devido ao fato de que não nos obrigaram para com isto a não ser por causa da periculosidade, e coisas que são [preceitos dos Sábios] por razão de perigo, não se bendiz sobre o feitio. A que isto se assemelha? a alguém que filtra a água para beber à noite, devido ao perigo da possibilidade que haja na mesma uma sanguessuga, que não bendiz "...que nos ordenaste a filtrar a água...", e assim tudo o que se assemelhe.

07 A pessoa que cumpre um preceito, se for um preceito cuja ação é permanente, pode bendizer após principiar o cumprimento do mesmo, e se for algo que já é passado, não - como por exemplo - em caso de haver-se coberto com tsitsit, ou vestido os tefilin, ou sentado no recinto da sucá, e não bendisse antes, pode bendizer após "...acher qidechánu bemitsvotav vetsivánu lehit'atef betsitsit!", bem como após haver vestido os tefilin "...lehaniaĥ tefilin!", e depois de já estar sentado dentro do recinto da sucá "...lechêv bassucá!", e assim tudo o que for semelhante.

08 Mas, se degolou [um animal] sem antes bendizer "...acher qidechánu bemitsvotav vetsivánu 'al ha-cheĥitá!", assim como se cobriu o sangue sem bendizer, ou se separou "terumôt" e "ma'asserôt", ou se efetuou a "tevilá" sem haver abtes proferido a bênção respectiva, não pode depois de haver feito o que fez bendizer, e assim tudo o que a isto for semelhante.

09 Não há nenhum preceito pelo qual possa-se bendizer após seu feitio, com exce;ão somente da "tevilá" de um prosélito, pois não pode proferir "acher qidechánu bemitsvotav vetsivánu...", sem que esteja fazendo parte da separação e nem ordenado. Por isto, bendiz após a ação, não antes, pois já era posto de lado de seu princípio, e não podia bendizer.

10 Todo preceito cujo feitio é o término de sua obrigatoriedade deve bendizer no momento em que for efetuado, e todo preceito para o qual haja outra ordem a ser cumprida, não se bendiz pelo mesmo senão ao cumprir a última ordenança do preceito. Como assim? - quem fizer uma sucá (Lv:23:34), preparar um lulav (Lv 23:40), fabricar um chofar, tsitsit, tefilin, ou mezuzá, não bendiz ao fazê-los "...acher qidechánu bemitsvotav vetsivánu la'assôt sucá!", "...lulav!", ou "...likhtov tefilin!", porquanto há após o feitio outra ordenança. Quanto, então, deve bendizer? - quando sentar-se na sucá, ao balançar o lulav, ao ouvir o toque do chofar, ao vestir-se com os tsitsit, no momento em que colocar os tefilin, ou quando fixar a mezuzá [no umbral]. Mas com respeito ao ma'aqê, no momento em que venha a principiar sua construção, deve bendizer "...acher qidechánu bemitsvotav, vetsivánu la'assôt ma'aqê!", e assim, tudo o que se assemelhe.

11 Todo preceito que vem de tempos em tempos, como por exemplo chofar, sucá e lulav, megilá e vela de ĥanucá, assim como todo preceito que é pertence da pessoa, como por exemplo tsitsit, tefilin, mezuzá e ma'aqê, e também todo preceito que não é permanente nem achado a todo tempo, como circuncisão e o resgate do filho, deve bendizer no momento em que cumpre "cheheĥeiánu". Se não bendisse "cheheĥeiánu" pela sucá ou lulav e similares no momento em que os fez, deve bendizer no momento em que cumpre com o preceito em si. Assim em todos os demais casos.

12 Tanto o que fizer para si mesmo, quanto o que fizer para outras pessoas, deve bendizer antes do momento do feitio "acher qidechánu bemitsvotav vetsivánu la'assôt...". Quanto à bênção "...cheheĥeiánu...", não pode bendizer, a não ser por preceito que haja feito para si póprio. Tendo perante si muitos preceitos, não pode bendizer por todas "acher qidechánu bemitsvotav vetsivánu 'al ha-mitsvôt!", senão por cada uma à parte.

13 Todo o que faz algum preceito, se para si próprio o fez, bendiz na forma verbal infinitiva. Se para outros, deve-se bendizer sobre a ação

14 Como assim? - ao vestir tefilin, bendiz "...lehaniaĥ tefilin!", ao envolver-se em tsitsit, bendiz "...lehit'atêf betsitsit!", ao sentar-se na sucá, bendiz "...lechêv bassucá!". Assim também, bendiz "lehadliq ner chelachabat!", e "...ligmor et ha-halel!". Se fixar a mezuzá em sua casa, bendiz "...liqbô'a mezuzá!", se fizer um "ma'aqê", bendiz "...acher qidechánu bemitsvotav, vetsivánu la'assôt ma'aqê!". Se separar terumôt e ma'asserôt para si próprio, bendiz "...lehafrich...", ao circucidar a seu filho [ele próprio], "...lamul et ha-ben!". Se degolar o seu [próprio] sacrifício "pêssaĥ", ou seu [próprio] sacrifício "ĥagigá", bendiz "...lichĥôt...".

15 Mas, caso fixe a mezuzá para outra pessoa, deve bendizer "...'al qevi'at mezuzá!", se fizer um "ma'aqê" para outra pessoa, deve bendizer "...'al 'assiat ma'aqê!", se separar terumá e ma'asserôt para outro, bendiz "...'al hafrachat terumá!"; se circuncidar ao filho de seu amigo, bendiz "...'al ha-milá!". Assim, todos os demais casos.

16 Se fizer um preceito para si próprio e para outros em conjunto - em tratando-se de preceito não obrigatório, deve bendizer sobre a ação. Por isto, [assim] bendiz sobre o 'eruv. Se for obrigatório, e intencionar em desobrigar-se a si mesmo e a outros por seu cumprimento, deve bendizer em forma verbal infinitiva. Por isto, bendiz-se "...lichmôa qol chofar!"

17 Após levantar o lulav, bendiz "...'al netilat lulav!", pois ao levantá-lo de seu lugar já cumpriu com o preceito. Mas caso bendiga antes de erguê-lo, bendiz "...litol lulav!", assim como "...lechêv bassucá!". Disto aprendes que todo o que bendiz após o cumprimento, bendiz pela ação realizada. Mas netilat iadáim e a degola, por serem semelhantes a coisas permissivas, mesmo que degole para si mesmo, deve bendizer "...'al ha-cheĥitá!" e "...'al kissúi ha-dam!" e "...'al netilat iadáim!" Do mesmo modo, bendiz-se "...'al bi'ur ĥamets!", seja no caso de verificação para si próprio, seja para outra pessoa, pois desde o momento em que decidiu sua anulação em seu coração, se desobrigara. Se realizara o preceito do "bi'ur" antes da verificação, conforme será esclarecido em seu devido lugar.

18 Tudo o que for "minhag", mesmo que for "minhag neviim", como o levantamento das folhas de salgueiro no sétimo dia da festividade, e nem é necessário dizer "minhag ĥakhamim", como a leitura do halel em roch ĥôdech e durante os dias intermediários do pêssaĥ, não se bendiz por eles. E assim, tudo o que te seja duvidoso se deve por tal feitio bendizer ou não, deve-se fazer tal coisa sem bendizer. Deve-se ter muito cuidado com o proferir bênção desnecessária, e cuidar em bendizer em quantidade as necessárias. Assim disse David: "A cada dia te bendigo..." - Sl 145:2


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